O consumo de frutose durante a gestação e lactação exacerba a resposta inflamatória alérgica pulmonar na prole de maneira diferente entre os sexos
Amanda Santos Cavalcante
TESE
Português
T/UNICAMP C314c
[Maternal fructose consumption during pregnancy and lactation exacerbates offspring pulmonary allergic inflammatory response in a sex-dependent manner]
Campinas, SP : [s.n.], 2025.
1 recurso online (72 p.) : il., digital, arquivo PDF.
Orientador: Silvana Auxiliadora Bordin da Silva
Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Faculdade de Ciências Médicas
Resumo: O consumo de bebidas adoçadas artificialmente com frutose vem crescendo na sociedade ocidental desde a década de 1970. Em paralelo a essa mudança nos hábitos alimentares, dados epidemiológicos recentes mostram um aumento da incidência de asma em crianças que nasceram de mães com hábitos...
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Resumo: O consumo de bebidas adoçadas artificialmente com frutose vem crescendo na sociedade ocidental desde a década de 1970. Em paralelo a essa mudança nos hábitos alimentares, dados epidemiológicos recentes mostram um aumento da incidência de asma em crianças que nasceram de mães com hábitos alimentares associados ao consumo excessivo dessas bebidas. Apesar da correlação epidemiológica relacionada ao desenvolvimento de asma, ainda não foi demonstrado experimentalmente se o consumo de frutose durante a gestação programa alterações na resposta inflamatória alérgica das vias aéreas na prole. A correlação entre hábitos nutricionais maternos e alterações no fenótipo alérgico da prole, entretanto, já foi demonstrada em situações como obesidade gestacional ou consumo de dietas ricas em gorduras durante a gestação. Desse modo, o objetivo primário deste estudo foi esclarecer se o consumo de frutose durante a gestação e/ou lactação de camundongas pode intensificar a resposta inflamatória da asma alérgica na prole de ambos os sexos. Para atingir esses objetivos expusemos camundongas C57BL/6 à frutose a 10% na água de beber durante a gestação e/ou lactação e, em seguida, realizamos múltiplas análises em mães e em suas proles. Ao atingirem cinco semanas de vida, a prole foi submetida ao modelo de sensibilização/desafio com ovalbumina (OVA) para avaliação da resposta alérgica das vias aéreas. Nossos resultados mostram que o consumo de frutose exacerbou a asma alérgica experimental, com achados como: aumento da contagem de leucócitos no lavado bronquioalveolar (LBA), incluindo eosinófilos; aumento de interleucinas do perfil Th2 e Th1/Th17 no LBA; aumento da IgE no soro; aumento do infiltrado inflamatório no tecido pulmonar; e aumento dos níveis de peroxidase eosinofílica (EPO) no parênquima pulmonar. O aumento da infiltração eosinofílica foi um achado exclusivo na prole de machos, enquanto o aumento das interleucinas Th2 foi encontrado exclusivamente na prole de fêmeas. O consumo materno de frutose também aumentou a deposição de colágeno e causou hiperplasia de células caliciformes no pulmão de proles de machos. Do ponto de vista transcricional, o consumo de frutose por gestantes alterou a expressão de genes relacionados à resposta alérgica, como MUC5AC, MUC5B, NLRP3, RAGE e ARG-1. O aumento de eosinófilos no LBA da prole macho também foi encontrado naqueles nascidos de mães que consumiram frutose exclusivamente na gestação ou na lactação. Também foram observadas alterações na expressão de ZO1, OCLN e CLDN2, indicando comprometimento da integridade pulmonar das proles em decorrência da exposição intrauterina e neonatal à frutose. Nossos dados permitem descartar que a programação fetal descrita neste estudo não ocorreu decorrência de alterações na massa corporal materna ou da prole, uma vez que a frutose não alterou o peso corporal desses animais. Este estudo apresenta a primeira evidência experimental que demonstra a programação da intensidade da resposta alérgica das vias aéreas na prole pelo consumo materno de frutose. Também demonstramos que essa programação acontece de maneiras diferentes entre proles de machos e de fêmeas
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Abstract: The consumption of sweetened beverages has been increasing in Western society since the 1970s. In parallel with this change in eating habits, recent epidemiological data show an increase in the incidence of asthma in children born to mothers with eating habits associated with the excessive...
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Abstract: The consumption of sweetened beverages has been increasing in Western society since the 1970s. In parallel with this change in eating habits, recent epidemiological data show an increase in the incidence of asthma in children born to mothers with eating habits associated with the excessive consumption of artificially sweetened beverages with fructose. Despite the epidemiological correlation related to the development of asthma, no experimental studies have shown whether fructose consumption during pregnancy programmes changes in the allergic inflammatory response of the airways in the offspring. However, the correlation between maternal nutritional habits and changes in the offspring's allergic phenotype has already been demonstrated in other conditions such as gestational obesity or the consumption of high-fat diets during pregnancy. Therefore, the main objective of this study was to clarify whether fructose consumption during pregnancy and/or lactation of mice can exacerbate the allergic inflammatory asthma response in the offspring of both sexes. To achieve these objectives, we exposed C57BL/6 mice to 10% fructose in their drinking water during pregnancy and/or lactation and then performed multiple analyses on mothers and offspring. At 5 weeks of age, the offspring were submitted to a model of sensitization/challenge with ovalbumin (OVA) to determine the allergic response of the airways. Our results show that maternal fructose intake exacerbated the experimental allergic asthma, showing increased leukocyte counts in bronchioalveolar lavage (BAL), especially eosinophils; increased Th2 interleukins, Th1/Th17 in BAL, and IgE in serum; increased inflammatory infiltrate in lung tissue; and increased eosinophil peroxidase (EPO) in lung parenchyma. The increase in eosinophilic infiltration was exclusively found in male offspring, while the increase in Th2 interleukins was only found in female offspring of fructose mothers. Maternal fructose intake also increased collagen deposition and induced goblet cell hyperplasia in the lungs of male offspring. From the transcriptional point of view, fructose consumption by pregnant mothers altered the expression of genes related to the allergic response, such as MUC5AC, MUC5B, NLRP3, RAGE, and ARG-1. An increase in eosinophils in the BAL of male offspring was also found in offspring born from mothers who consumed fructose exclusively during pregnancy or lactation. We also observed changes in the expression of ZO1, OCLN, and CLDN2, suggesting impaired pulmonary integrity in the offspring as a consequence of intrauterine and neonatal exposure to fructose. Our findings allow us to exclude the possibility that the fetal programming currently described occurred because of maternal or offspring obesity, since fructose did not affect the animals' body weight. This study provides the first experimental evidence demonstrating that maternal fructose consumption programmes the intensity of the allergic airway response in the offspring. We have also shown that this programming occurs in different ways in male and female offspring
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Aberto
Bordin, Silvana, 1962-
Orientador
Landgraf, Richardt Gama
Avaliador
Medeiros, Matheus Leite de, 1991-
Avaliador
Souza, Ivani Aparecida de
Avaliador
Lorenzon, Flaviano
Avaliador
Dados de pesquisa: https://doi.org/10.25824/redu/1ECSJJ
O consumo de frutose durante a gestação e lactação exacerba a resposta inflamatória alérgica pulmonar na prole de maneira diferente entre os sexos
Amanda Santos Cavalcante
O consumo de frutose durante a gestação e lactação exacerba a resposta inflamatória alérgica pulmonar na prole de maneira diferente entre os sexos
Amanda Santos Cavalcante