Prescrição ou co-gestão? : uma análise da construção de contratos de tratamento envolvendo uso de psicotrópicos nos CAPS de 4 grandes cidades brasileiras
Rafael Freitas Colaço
DISSERTAÇÃO
Português
T/UNICAMP C67p
[Prescription or co-management?]
Campinas, SP : [s.n.], 2019.
1 recurso online (111 p.) : il., digital, arquivo PDF.
Orientador: Rosana Onocko-Campos
Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas
Resumo: 1-Introdução: O uso de medicações é sustentada no meio psiquiátrico como fundamental no tratamento de transtornos mentais graves. Pesquisadores e militantes têm questionado a coação exercida nos serviços visando a introdução precoce e o uso continuado de medicações advogando por maior...
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Resumo: 1-Introdução: O uso de medicações é sustentada no meio psiquiátrico como fundamental no tratamento de transtornos mentais graves. Pesquisadores e militantes têm questionado a coação exercida nos serviços visando a introdução precoce e o uso continuado de medicações advogando por maior participação do usuário nas decisões sobre seu tratamento. 2-Objetivo: Descrever características do processo de negociação do tratamento com medicação nos CAPS de 4 grandes municípios brasileiros e explorar associações com perfil sócio-demográfico, diagnóstico, itinerário na rede de saúde e resultados do tratamento; 3-Método: a)Aplicação de questionário estruturado a 1630 usuários de CAPS nos municípios de Campinas, Fortaleza, Porto Alegre e São Paulo; b) Coleta de dados secundários e qualitativos sobre a composição, organização e efetividade da rede de saúde mental; c)Análise descritiva e comparativa dos dados sobre a gestão do tratamento com psicofármacos nos CAPS de cada um dos municípios; d)Análise multivariada visando aferir a força de associação entre problemas de contratualidade no tratamento com medicação e varáveis diversas; e)Discussão dos resultados a partir de triangulação da análise do inquérito com análise de dados secundários e qualitativos; 4- Resultados: A maior parte dos usuários em tratamento nos CAPS iniciou uso de medicação em outro serviço. Quase a totalidade dos usuários recebeu medicação ao iniciar tratamento nos CAPS sendo que a maior parte desse grupo recebeu a medicação já no primeiro atendimento. Entre 55,2% e 40,7% (a depender do município) referiu não ter recebido informação sobre o tempo necessário de tratamento com medicação. Uma proporção bastante alta de usuários relatou já ter alterado a dose da medicação sozinho (40,5% a 28,7%) ou ter sido medicado contra a vontade (35,7% a 15,6%) o que indica limites na construção de consenso entre equipe e usuários sobre o uso de medicação. Pior adesão a prescrição médica está associada a experiência de tratamento coercitivo em todos os municípios estudados e problemas de contratualidade não estão associados a piores resultados entre usuários que mantém vínculo com os serviços apesar de não seguirem adequadamente a prescrição; 5-Conclusões\ Considerações: Os usuários de CAPS participam pouco do processo de decisão sobre o tratamento com medicação. Há problemas desde a oferta de informação até a construção de consenso envolvendo a introdução e uso continuado da medicação. As causas para os problemas de contratualidade são muitas e devem ser analisadas levando-se em consideração a organização das redes, dos serviços e das práticas em saúde mental além das particularidades de cada caso
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Abstract: 1-Introduction: The psychopharmaceutical treatment is one of the most offered treatments in Brazilian community mental health services. It's argued to be an effective treatment for severe mental disorders. Researchers and advocates have been questioning the role of coercion, premature...
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Abstract: 1-Introduction: The psychopharmaceutical treatment is one of the most offered treatments in Brazilian community mental health services. It's argued to be an effective treatment for severe mental disorders. Researchers and advocates have been questioning the role of coercion, premature introduction, and long term maintenance treatment to avoid a crisis. They advocate for more participation of patients in decisions about their treatment. 2-Objective: Describe the characteristics of treatment negotiation in community mental health centers in for 4 big Brazilian cities and explore associations with the sociodemographic profile, self-reported diagnostic, treatment itinerary in the mental care services and treatment results. 3- Method: a) Survey with 1630 users of the Community mental health services of Campinas, Fortaleza, Porto Alegre, and São Paulo; b) Analysis of secondary data and description of services about the composition, organization, and effectiveness of mental services in this cities; c) Comparative analysis of data about the negotiation of treatment with medication; d) Multivariate analysis of negotiation problems; e) Results discussion after triangulation of the two steps of analysis. 4-Results: Most users in treatment in the CMHC began to use the medication in other services before initiate treatment in the CMHC. Around 55,2 and 40,7% of users responded that they did not know for how long they have to use medication. A high percentage of users responded that they use to change the dose of medication alone (40,5 to 28,7%) or that they were obligated to use medication against their will (35,7 to 15,6%). It indicates that there are limitations on the construction of a consensus between staff and users about the use of medication. Worse adherence to prescription is associated with the experience of coercion and problems of adherence in negotiation are not associated with worse outcome. 5-Conclusion: Participation of CMHC's users are very low in defining the treatment with medication. The causes of these problems of negotiation are different in each service or city and are related to the dynamics of power in the relation of staff, user and families n each singular case
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Prescrição ou co-gestão? : uma análise da construção de contratos de tratamento envolvendo uso de psicotrópicos nos CAPS de 4 grandes cidades brasileiras
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