Resumo: Câncer em geral é um problema de saúde pública mundial, o câncer colorretal (CCR) é a segunda neoplasia mais incidente no Brasil e apresenta alta incidência populacional e alto índice de mortalidade, fato relacionado principalmente ao estágio das lesões no momento do diagnóstico. O sistema de reparo de DNA atua durante o processo de replicação e reparo do DNA e é responsável pela substituição de nucleotídeos que apresentem erro de pareamento. Indivíduos portadores e com recorrência familial de inativação desse sistema são mais propensos ao acúmulo errôneo de nucleotídeos pareados e, consequentemente, maior predisposição à carcinogênese colorretal hereditário presente, principalmente, nas síndromes clássicas Lynch e Polipose Adenomatose Familial (PAF). Das formas hereditárias, as principais síndromes de câncer colorretal (CCR) são: a Polipose Adenomatosa Familial (PAF), causado pelo gene APC e a síndrome do câncer colorretal hereditário não polipoide (SCCNP) ou síndrome de Lynch, responsáveis por cerca de 3%-5% de todas as neoplasias colorretais, causado por mutações em genes de reparo do DNA. O objetivo desse estudo foi caracterizar molecularmente o perfil de paciente do ambulatório de Oncogenética da Unicamp nos anos de 2018 e 2019 e diagnosticar familiares portadores dessas anomalias genéticas, a fim de melhor definir e individualizar cuidados e as futuras probabilidades de câncer nesses indivíduos. Critérios clínicos e heredograma foram utilizados para seleção dos casos. Para as análises moleculares desses casos utilizou Painel de sequenciamento de alta performance (NGS) dos genes associados a câncer hereditário em laboratórios comerciais. Resultou em 35 famílias selecionadas para o estudo. Dessas, 18 foram portadoras da síndrome de Lynch com a presença principalmente de mutações em MLH1, seguido de MSH2. E 15 famílias com PAF clássica e com predomínio de mutações em APC, seguido do MUTYH. Testes preditivos foram oferecidos para familiares próximos após detecção de mutação específica. Foi escolhido e testado protocolos de rastreio de câncer para esses portadores sintomáticos e assintomáticos. Concluímos que a história familial de CCR é um critério importante para definir risco aumentado de câncer CCR, principalmente na ausência de teste genético. O aconselhamento genético (pré e pós teste genético) de membros de famílias portadores do CCR hereditário é um processo valioso para esses familiares uma vez que esclarece e orienta sobre a herança genética encontrada em cada família, e estratifica esses indivíduos de acordo com o risco de desenvolver câncer, além de recomendar estratégias de seguimento para o diagnóstico precoce. Dessa maneira, esses planejamentos parecem ser custo-efetivo também no Brasil, uma vez que diminui a mortalidade relacionada à doença e seus gastos com tratamentos