Resumo: Introdução: O câncer de pâncreas constitui um dos tumores malignos mais agressivos, sendo responsável por aproximadamente 5% das mortes por câncer em todo o mundo. Existem evidências de que as principais vias de sinalização oncogênicas conseguem adaptar-se ao metabolismo do tumor, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento tumoral. Desta forma, as alterações no metabolismo energético celular devem ser consideradas, então, como uma característica fundamental do câncer. O estudo da interação das diferentes modalidades terapêuticas com a modulação do sistema imune através das vias de sinalização dos receptores toll-like (TLRs) é muito importante para o desenvolvimento de novos tratamentos para o câncer. Assim, compostos que são capazes de agir como agonistas dos TLRs podem representar candidatos promissores a serem desenvolvidos como medicamentos contra o câncer. Diante desse cenário destaca-se o imunomodulador P-MAPA, que por sua grande versatilidade e mínima citotoxicidade, reveladas através de estudos in vivo e in vitro, abre uma nova perspectiva para o combate de alguns tipos de cânceres, incluindo o pancreático. Assim, os objetivos deste estudo foram caracterizar a histopatologia do câncer de pâncreas induzido quimicamente em ratos e comparar os efeitos imunológicos e histopatológicos da imunoterapia com P-MAPA associada à quimioterapia com Gemcitabina no tratamento do câncer de pâncreas, bem como estabelecer possíveis mecanismos de ação dessas terapias envolvendo as vias de sinalização dos TLRs. Materiais e Métodos: Foram utilizados 50 ratos machos da linhagem Fischer 344. Para a indução do câncer de pâncreas foram implantados 200 µg de cristais de 7,12-dimetilbenzantraceno (DMBA) na cabeça do pâncreas de 40 ratos e os outros 10 animais que não receberam DMBA foram considerados como Grupo Controle. Após 120 dias de indução, todos os animais foram subdivididos em 5 grupos (10 animais por grupo): Grupo Controle, Grupo DMBA, Grupo DMBA+P-MAPA, Grupo DMBA+Gemcitabina e Grupo DMBA+P-MAPA+Gemcitabina. Resultados: A partir de análises histopatológicas, o modelo de indução de câncer pancreático se mostrou eficaz (100% de animais com tumores) e a associação do imunomodulador P-MAPA com o quimioterápico Gemcitabina demonstrou uma potencial evolução no tratamento do câncer de pâncreas, sendo observado 80% de não-progressão tumoral. Além disso, a partir das análises de Western Blotting foi possivel verificar que o tratamento associado conseguiu aumentar os níveis proteicos de TLR4, levando a um aumento na via de sinalização de interferon, demonstrando que esta via está associada aos efeitos antitumorais através da supressão da proliferação celular anormal. Além disso, o adaptador MyD88 foi essencial na indução da via para produção de interferon, sendo que sua ativação foi dependente do imunomodulador P-MAPA. Também, a imunoterapia com P-MAPA isolada ou combinada com Gemcitabina aumentou os níveis apoptóticos e alterou o metabolismo energético celular, favorecendo o predomínio da fosforilação oxidativa (OXPHOS), a qual pode estar relacionada com melhor prognóstico dos animais com câncer de pâncreas. Os resultados obtidos poderão contribuir para o desenvolvimento de uma nova modalidade terapêutica para o câncer de pâncreas baseada na associação entre o imunomodulador P-MAPA e o quimioterápico Gemcitabina