Resumo: A presente pesquisa elege o brincar como recorte empírico no apontamento das relações adulto-criança dentro de uma creche pública e de uma creche privada do município de Campinas. Buscando contribuir para a desconstrução de uma categoria unitária de criança, abstrata e universal, é que se procede à investigação de duas creches de naturezas distintas como forma de delinear contextos sócio-culturais diferentes. Através da análise das brincadeiras nestas instituições, pretende-se desvelar as expectativas e os valores atribuídos à educação infantil em realidades heterogêneas, favorecendo a compreensão das infâncias brasileiras em suas construções sociais. Parte-se do pressuposto de que as crianças entendidas como atrizes e atores sociais - vivenciam realidades distintas e constroem, não uma infância única, mas infâncias no plural. A análise dos dados busca estabelecer uma interface, sobretudo entre a Pedagogia e as Ciências Sociais, através de autores que, sob a ótica do materialismo histórico, compreendem o ser humano tanto como produtor de história quanto como produto histórico-social, abordando-o a partir de suas vinculações sociais. Para tratar das peculiaridades da creche pública e da creche privada, este estudo destaca três aspectos principais: os objetivos com os quais são disponibilizadas as condições para as crianças brincarem, o tratamento do corpo em ambas as instituições pesquisadas e sua relação com o brincar; os elementos presentes nas brincadeiras das crianças, dessas diferentes instituições, que se apresentam como insígnias de classe. As conclusões desta pesquisa revelam uma "iniciação" das crianças que freqüentam as creches observadas para o modelo capitalista de produção, além de um aprendizado precoce de suas posições sociais para a vida adulta