Resumo: Em virtude da grande variabilidade dos métodos utilizados como sistemas de referência nas mensurações das grandezas cefalométricas convencionais, que levam a diversos conflitos na interpretação do relacionamento ântero-posterior entre maxila e mandíbula, a presente pesquisa propôs-se, por meio da análise cefalométrica a verificar as relações do ângulo ANB, da análise Wits (AO-BO), da distância AF-BF, da Projeção USP e da distância AP-BP, nos diferentes tipos faciais, bem como as correlações e a confiabilidade entre as grandezas estudadas. A partir de uma amostra de 2.000 indivíduos adultos selecionou-se 400, por meio de aplicação de questionário, que nunca haviam se submetido a tratamento ortodôntico. Os indivíduos foram analisados e selecionaram-se aqueles que possuíam os seguintes critérios de inclusão: brasileiros da região de Araras; leucodermas; ausência de síndromes; presença de todos os elementos dentários (exceto os 3os molares); trespasse vertical com incisivos superiores cobrindo o terço incisal dos incisivos inferiores; trespasse horizontal em torno de 2mm; relação de molares e caninos em chave de oclusão; selamento labial passivo; perfil facial harmônico. Os indivíduos que encontravam-se dentro dos critérios de seleção da amostra foram submetidos a tomadas radiográficas, obtendo-se 79 telerradiografias de cabeça em norma lateral: 40 do gênero masculino e 39 do feminino, com média de idade de 24 anos e cinco meses.O ângulo ANB apresentou valores médios de 2,77º para o gênero feminino e, 2,93º para o masculino, portanto, bem próximos dos padrões de normalidade, comportando-se de maneira similar nos três Grupos. Na análise de Wits, os valores médios para o gênero masculino e para o feminino foram de 1,49mm e de 2,83mm, respectivamente, portanto, diferindo dos valores determinados como padrão. Quando da comparação inter-grupos, estatisticamente, o Grupo 2 apresentou as maiores médias. Para a distância AF-BF, estabeleceu-se a média de 3,72mm. Não houve diferença estatisticamente significante entre os três Grupos esqueléticos estudados. Os valores médios encontrados para a ProjUSP, foram de -3,55mm para o gênero masculino, e -3,62mm para o feminino. Nos três Grupos estudados, constatou-se que a ProjUSP alterou-se segundo a divergência facial, apresentando valores menores pra o Grupo 2 (-3,16mm) e maiores no Grupo 1 (-3,78mm). Os valores médios observados para a distância AP-BP, de 3,9mm para o gênero feminino, e de 4,05mm para o masculino, encontraram-se na faixa de normalidade estabelecida. Quando da divisão em Grupos, os valores médios observados para a mesma medida foram de 4,12mm, 4,25mm e 3,57mm, para os Grupos 1, 2 e 3 respectivamente, constatando-se que apesar da influência da divergência facial, todos os Grupos apresentaram-se dentro da faixa de normalidade de 3 a 7mm. Com base na metodologia empregada e nos resultados obtidos, concluiu-se que a divergência facial, medida pela variação do ângulo FMA e pelo IAF, não influenciou a leitura dos valores do ângulo ANB, da análise de Wits, da distância AF-BF, da Projeção USP e da distância AP-BP. Dentre as grandezas estudadas apenas a distância AP-BP apresentou maior confiabilidade na avaliação do relacionamento ântero-posterior entre as bases apicais. Concluiu-se também que nenhum método de avaliação ântero-posterior das bases ósseas pode ser considerado como absoluto, ou mais confiável em relação ao outro