Resumo: A dor é definida como uma sensação complexa e indefinida envolvendo múltiplos fatores como estilo de vida, ambiente. Muitas vezes a dor é produto de um processo inflamatório. As inflamações são uma resposta do sistema imune a diferentes estímulos, microorganismos, danos teciduais, estímulos miogênicos ou até traumas cirúrgicos que liberam mediadores endógenos. Ao receber o estímulo, diferentes enzimas como fosfolipases e ciclooxigenases originam mediadores inflamatórios (prostaglandinas, citocinas, leucotrienos) dando continuidade à cascata inflamatória muitas vezes de maneira exacerbada, que é caracterizada pelos cinco sinais cardinais da inflamação: calor, rubor, tumor, dor e perda de função. Para o tratamento das inflamações as drogas de primeira escolha são os antiinflamatórios não esteroidais (DAINES), que atuam na inibição da ciclooxigenase (COX-2), contudo, o uso das DAINES pode provocar o advento de úlceras pépticas, ou até mesmo falência renal e problemas cardíacos no caso dos inibidores seletivos da COX. Em inflamações crônicas utilizam-se os Glicocorticóides (GC), que são potentes antiinflamatórios, mas provocam efeitos colaterais sistêmicos como hipoglicemia, ação no sistema nervoso central e uma deficiência no sistema imune. A utilização de princípios ativos vegetais é uma alternativa para o controle das inflamações, entre elas destacam-se plantas da família Agavaceae, principalmente do gênero Agave, com destaque para Agave sisalana rica em saponinas esteroidais. As saponinas são uma classe de metabólitos secundários que apresentam diferentes funções terapêuticas, de grande interesse comercial e farmacológico. Esses compostos apresentam um núcleo esteroidal envolto por cadeias de açúcares denominado aglicona ou sapogenina. A partir das folhas da Agave sisalana obteve-se a fração hexânica de Agave sisalana (FHAS), que teve seu potencial terapêutico avaliado em diferentes testes de inflamação, algesia e toxicidade. A FHAS apresentou uma redução significativa (p<0,05) edema nos modelos agudos de inflamação; edema de orelha por Xilol e edema de pata induzido por carragenina. A FHAS também apresentou diminuições significativas no modelo crônico de inflamação Granuloma cotton pellet, que avalia a infiltração celular. Os valores obtidos no cotton pellet foram corroborados pelo modelo de pleurisia, em que também houve redução do infiltrado celular. A FHAS demonstrou um potencial antinociceptivo nos modelos de analgesia, porém com uma ação bem menor do que os fármacos padrão, o que indica que o mecanismo de ação parece não envolver atuação com receptores opióides em modelos de analgesia. Com relação à toxicidade a FHAS não apresentou aumento significativo (p<0,05) de proteínas plasmáticas. Na avaliação do peso animais nenhuma das doses da FHAS apresentou efeito significativo sobre a evolução ponderal de peso dos animais, como foi o caso do controle positivo GC, o que indica ausência de efeitos colaterais graves, semelhantes aos GC. Através da análise dos dados, indicam que ação antiinflamatória e analgésica encontrada deve-se a presença das sapogeninas esteroidais na FHAS, principalmente a hecogenina. Devido a esses resultados, novas avaliações serão feitas para elucidar o mecanismo de ação antiinflamatório apresenta ação semelhante aos GC, trazendo assim perspectivas de uso medicinal da Agave sisalana.