Resumo: A Doença de Ménière (DM) é uma condição crônica rara do ouvido interno caracterizada pela tríade clássica de vertigem episódica, perda auditiva flutuante e zumbido, frequentemente acompanhada por plenitude auricular. A etiologia da doença permanece incerta, com evidências apontando para uma...
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Resumo: A Doença de Ménière (DM) é uma condição crônica rara do ouvido interno caracterizada pela tríade clássica de vertigem episódica, perda auditiva flutuante e zumbido, frequentemente acompanhada por plenitude auricular. A etiologia da doença permanece incerta, com evidências apontando para uma complexa interação entre predisposição genética e fatores ambientais. A prevalência da doença varia significativamente entre diferentes populações, e há uma escassez de dados epidemiológicos em coortes brasileiras. As doenças autoimunes têm fortes evidências epidemiológicas que sustentam sua associação com a DM. Foi encontrada uma variante reguladora intergênica (rs4947296) que sugere uma resposta inflamatória mediada por NF-?B. Diante do exposto, o presente estudo objetivou investigar as bases moleculares da DM, com o propósito de elucidar o perfil genético de pacientes brasileiros e, eventualmente, desenvolver biomarcadores confiáveis que aprimorem o diagnóstico e permitam abordagens terapêuticas personalizadas. Para tanto, foi adotada uma estratégia genômica integrativa. Na coorte de 26 pacientes diagnosticados com DM provenientes da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), primeiramente foi rastreada a variante intergênica rs4947296 por meio do sequenciamento de Sanger em 26 pacientes. Em seguida, foi realizado o sequenciamento do exoma completo (WES) em 22 destes pacientes. Para as variantes de interesse identificadas, foram modeladas as estruturas 3D de proteínas-alvo para prever impactos funcionais. A partir da análise do rs4947296, foi possível identificar que a frequência alélica do alelo C foi de 32% na amostra total, valor significativamente maior que o observado na população europeia não-finlandesa (7,9%). Além disso, foi observado que, nos casos com sintomas bilaterais, a frequência alélica atingiu 28%, e, nos pacientes com comorbidades autoimunes, alcançou 33%. Os resultados das análises dos dados do WES demonstraram a presença de um espectro de variantes em genes expressos no ouvido interno e no sistema imune, incluindo OTOG, PCDH15, USH1G, ADGRV1, ESRRB, CDH23, AQP6, KCNH2, TNFRSF13B, SDHA, HRH4, ADD1, SLC25A35 e HMX2. A análise estrutural das proteínas modeladas demonstrou que variantes específicas podem alterar a conformação de domínios proteicos essenciais, o que pode comprometer sua função. A combinação desses achados com a associação da rs4947296 com bilateralidade e seu possível papel como regulador de vias TWEAK/Fn14/NF-?B posiciona esta variante e os novos genes identificados como alvos promissores para diagnóstico molecular e terapias personalizadas. No entanto, são necessários estudos funcionais e validação em coortes maiores, particularmente na população brasileira, ainda sub-representada nessas análises
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