Feminista in vitro : situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco
Fernanda Mariath Amorim Wester
DISSERTAÇÃO
Português
T/UNICAMP W523f
[Feminist in vitro]
Campinas, SP : [s.n.], 2025.
1 recurso online (202 p.) : il., digital, arquivo PDF.
Orientador: Daniela Tonelli Manica
Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Instituto de Estudos da Linguagem
Resumo: O corpo do homem branco, ao ser universalizado como paradigma na pesquisa biomédica, proporcionou uma sub-representação de mulheres e minorias étnicas na produção segura e efetiva de tecnologias da saúde (Castro e Fleischer, 2020). De células, a animais e a pacientes, os modelos definidos...
Ver mais
Resumo: O corpo do homem branco, ao ser universalizado como paradigma na pesquisa biomédica, proporcionou uma sub-representação de mulheres e minorias étnicas na produção segura e efetiva de tecnologias da saúde (Castro e Fleischer, 2020). De células, a animais e a pacientes, os modelos definidos como masculinos são priorizados (Garcia-Sifuentes e Maney, 2021). Desde 2016, é obrigatória a inclusão de "ambos os sexos" em modelos experimentais em pesquisas financiadas por uma importante agência norte-americana (NIH, 2016). Será que é um caminho para avanços na saúde das mulheres e de corpos diversos? A interseccionalidade, incluindo questionamentos antirracistas e queer, é possível de ser incluída? A pesquisa de Manica (2018, 2022) com as células mesenquimais do sangue menstrual (CeSaM) é o ponto de partida desta dissertação. As CeSaM ressaltam contradições nessa problemática ao evidenciarem a desconfiança do campo biomédico em um modelo percebido como feminino. As células-tronco são um ótimo recorte para a discussão de sexo e gênero na pesquisa biomédica, porque estão presentes desde a pesquisa básica à clínica. O nosso objetivo é questionar se o sexo da célula-tronco faz diferença, tensionando a forma como a diferença sexual das células é mobilizada pelos experimentos. Experimentamos a elaboração de uma série de podcast, intitulada Feminista In Vitro, como metodologia. A série, logo esta dissertação, é organizada em torno de um exercício de figuração feminista (Haraway, 1997, 2000, 2021, 2023; Roy, 2018; Costa, 2024) de uma viagem de dentro para fora da célula. Acionamos como materiais: estudos feministas, um mapeamento de diferenças entre os sexos em células-tronco e entrevistas realizadas com pesquisadores da área. Ao visitar as estruturas celulares, encontramos e traçamos diversas possíveis soluções, como os modelos queer; o aumento do rigor nas publicações; a utilização de variáveis mensuráveis relacionadas ao sexo (Richardson, 2022); a postura antidualista quanto a sexo e gênero das neurofeministas (Nucci, 2018); e o desenvolvimento de tecnologias da humildade (Benjamin, 2013). Concluímos que para endereçamentos de questões que acolhem a diversidade e especificidades dos corpos femininos, e não femininos, nas tecnologias da saúde é necessária a inserção da categoria sexo e gênero de maneira robusta e séria na pesquisa biomédica. O que só parece possível através do diálogo interdisciplinar com os estudos feministas. Propomos a série "Feminista In Vitro", que será lançada dia 18 de fevereiro de 2026 pelo Podcast Mundaréu, e, de maneira geral, a Divulgação Científica como ferramenta para esse diálogo
Ver menos
Abstract: The white male body, by being universalized as a paradigm in biomedical research, has led to an under-representation of women and ethnic minorities in the safe and effective production of health technologies (Castro and Fleischer, 2020). From cells to animals to patients, models defined as...
Ver mais
Abstract: The white male body, by being universalized as a paradigm in biomedical research, has led to an under-representation of women and ethnic minorities in the safe and effective production of health technologies (Castro and Fleischer, 2020). From cells to animals to patients, models defined as male are prioritized (Garcia-Sifuentes and Maney, 2021). Since 2016, it has been mandatory to include "both sexes" in experimental models in research funded by a major US agency (NIH, 2016). Is this a way forward for women's health and diverse bodies? Is it possible to include intersectionality, including anti-racist and queer questions? Manica's (2018, 2022) research with menstrual blood mesenchymal cells (MBSC) is the starting point for this dissertation. CeSaM highlight contradictions in this problem by showing the distrust of this field in a model perceived as feminine. Stem cells are an excellent way of discussing sex and gender in biomedical research, because they are present in everything from basic to clinical research. Our aim is to question whether the sex of the stem cell makes a difference, by stressing how the sexual difference of the cells is mobilized by the experiments. We experimented with the production of a podcast series, entitled "Feminista In Vitro", as a methodology. The series, then this dissertation, is organized around an exercise in feminist figuration (Haraway, 1997, 2000, 2021, 2023; Roy, 2018; Costa, 2024) of a journey from inside to outside the cell. We used the following materials: feminist studies, a mapping of the differences between the sexes in stem cells and interviews with researchers in the field. By visiting cellular structures, we found and outlined several possible solutions, such as queer models; increased rigor in publications; the use of measurable variables related to sex (Richardson, 2022); the anti-dualist stance on sex and gender of neurofeminists (Nucci, 2018); and the development of technologies of humility (Benjamin, 2013). We conclude that addressing issues that embrace the diversity and specificities of female and non-female bodies in health technologies requires the insertion of the sex and gender category in a robust and serious way in biomedical research. This only seems possible through interdisciplinary dialog with feminist studies. We propose the Feminist In Vitro series, which will be launched on February 18, 2026 by the Mundaréu Podcast, and, in general, Science Communication as a tool for this dialog
Ver menos
Requisitos do sistema: Software para leitura de arquivo em PDF
Aberto
Manica, Daniela Tonelli, 1976-
Orientador
Nucci, Marina Fisher
Avaliador
Barata, Germana Fernandes, 1974-
Avaliador
Feminista in vitro : situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco
Fernanda Mariath Amorim Wester
Feminista in vitro : situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco
Fernanda Mariath Amorim Wester