Ecos do mangue : a comunicação dos manguezais pela mídia e pelas populações costeiras
Malena Beatriz Stariolo
DISSERTAÇÃO
Português
T/UNICAMP St28e
[Echoes of the mangrove]
Campinas, SP : [s.n.], 2024.
1 recurso online (204 p.) : il., digital, arquivo PDF.
Orientador: Juliana Schober Gonçalves Lima
Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Instituto de Estudos da Linguagem
Resumo: Mudanças climáticas, provisão de alimento e a proteção das regiões costeiras. Apesar de sua importância, eles têm sido sumariamente destruídos para dar lugar a empreendimentos considerados mais produtivos, como aquicultura e expansão urbana. Esses processos, além de impactarem negativamente...
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Resumo: Mudanças climáticas, provisão de alimento e a proteção das regiões costeiras. Apesar de sua importância, eles têm sido sumariamente destruídos para dar lugar a empreendimentos considerados mais produtivos, como aquicultura e expansão urbana. Esses processos, além de impactarem negativamente os ecossistemas, também restringem o acesso das comunidades locais a eles, limitando o exercício de suas atividades diárias e vulnerabilizando-as. Esses impactos são frequentemente negligenciados, também, pela falta de visibilidade do próprio manguezal, visto que, historicamente, esses ecossistemas receberam pouca atenção midiática. Essa falta de atenção contribui diretamente para a desvalorização desses ecossistemas, já que ela afeta a maneira como a sociedade se envolve com os manguezais e como os tomadores de decisão vêem a importância de sua preservação. Nesse cenário, o jornalismo tem um papel central na veiculação de informações com potencial de influenciar a opinião pública e construir o imaginário popular. Ouvir e abrir espaços para as comunidades associadas aos manguezais é fundamental, pois elas possuem valiosos conhecimentos sobre esses ecossistemas, são importantes aliadas na preservação dos manguezais e podem diversificar e enriquecer as narrativas tanto científicas, quanto jornalísticas. Com essas premissas, esta pesquisa se dedicou a: 1) analisar o que é dito sobre manguezais na mídia hegemônica e por marisqueiras, 2) comparar essas formas de comunicação. Para isso, foram coletadas 326 publicações relacionadas aos manguezais dos jornais Folha de S.Paulo, El Universal, The Guardian e The New York Times, publicadas entre 25 de setembro de 2015 e 25 de setembro de 2022. Também foram realizados, no ano de 2023, quatro grupos focais com marisqueiras do estado de Sergipe, Brasil. O conjunto de textos foi analisado utilizando técnicas da Análise de Conteúdo, com apoio do software Iramuteq. Explorando os dados, observou-se que a cobertura de manguezais pelos jornais do Sul Global apresentam uma cobertura extensa de eventos pontuais que levaram à destruição dos manguezais ou que afetaram sua integridade. Já os jornais do Norte Global contaram com mais matérias em profundidade e com maior presença de personagens representados por membros de comunidades tradicionais. Observou-se que, apesar de os estigmas negativos dos manguezais estarem perdendo espaço na mídia, os jornais tendem a reforçar novas ideias estereotipadas, como a exoticidade do ecossistema e a vulnerabilidade das pessoas que ali vivem. Já nos grupos focais, as marisqueiras destacam predominantemente a relação de trabalho e os impactos no manguezal, entretanto a partir de falas que complexificam o ecossistema e permitem perceber que esses meios são, também, parte integrante da cultura e do modo de vida dessas pessoas. Além de espaços de trabalho, são locais de conflito, socialização, lazer e apreciação, por fim, são também um ente em suas vidas: a mãe maré. Contudo, apesar das populações de marisqueiras terem grandes contribuições a dar para a conservação dos manguezais, a partir da qual elas também garantem a continuidade de seu próprio modo de vida, elas ainda carecem de espaços para serem ouvidas dentro de jornais de grande circulação
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Abstract: Mangroves are important sources of ecosystem services, such as mitigating climate change, providing food and protecting coastal regions. Despite their importance, they have been summarily destroyed to make way for enterprises considered more productive, such as aquaculture and urban...
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Abstract: Mangroves are important sources of ecosystem services, such as mitigating climate change, providing food and protecting coastal regions. Despite their importance, they have been summarily destroyed to make way for enterprises considered more productive, such as aquaculture and urban expansion. These processes also restrict local communities' access to them, limiting their daily activities and making them vulnerable. These impacts are often neglected, also due to the lack of visibility of the mangrove itself, since, historically, these ecosystems have received little media attention. This lack of attention directly contributes to the devaluation of these ecosystems, as it affects the way society engages with mangroves and how decision makers view the importance of their preservation. In this scenario, journalism plays a central role in conveying information with the potential to influence public opinion and popular imagination. Listening and creating spaces for communities associated with mangroves is fundamental, as they have valuable knowledge about these ecosystems, are important allies in the preservation of mangroves and can diversify and enrich both scientific and journalistic narratives. With these premises, this research was dedicated to: 1) analyzing what is said about mangroves in the international media and by shellfish gatherers, 2) comparing these forms of communication. For this, 326 publications related to mangroves were collected from the newspapers Folha de S.Paulo, El Universal, The Guardian and The New York Times, published between September 25, 2015 and September 25, 2022. Four focus groups were also held with shellfish gatherers from the state of Sergipe, Brazil. The set of texts was analyzed using Content Analysis techniques, with the support of the Iramuteq software. Exploring the data, it was observed that the coverage of mangroves by newspapers in the Global South presents extensive coverage of specific events that led to the destruction. Newspapers from the Global North had more in-depth articles and a greater presence of characters represented by members of traditional communities. It was observed that, although the negative stigmas surrounding mangroves are losing space in the media, newspapers tend to reinforce new stereotypical ideas, such as the exoticism of the ecosystem and the vulnerability of the people who live there. In the focus groups, the shellfish gatherers predominantly highlight the working relationship and the impacts on the mangroves, however, the statements shed light on the complexity of the ecosystem and allow us to understand that these are also an important part of their culture and way of being. The mangroves are also places of conflict, socialization, leisure and appreciation; finally, they are an entity in their lives: the "mother tide". However, although shellfish gatherers have great contributions to make to the conservation of mangroves, from which they also guarantee the continuity of their own way of life, they still lack spaces to be heard within mass circulation newspapers
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Requisitos do sistema: Software para leitura de arquivo em PDF
Aberto
Lima, Juliana Schober Gonçalves, 1975-
Orientador
Figueiredo, Simone Pallone de, 1967-
Avaliador
Loose, Eloisa Beling
Avaliador
Ecos do mangue : a comunicação dos manguezais pela mídia e pelas populações costeiras
Malena Beatriz Stariolo
Ecos do mangue : a comunicação dos manguezais pela mídia e pelas populações costeiras
Malena Beatriz Stariolo