Please use this identifier to cite or link to this item: http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/359257
Type: TESE DIGITAL
Degree Level: Doutorado
Title: Mimesis da viagem : imaginar, observar e representar mundos desconhecidos na história e na ficção
Title Alternative: Journey mimesis : imagine, observe and represent unknown worlds in history and ficcion
Author: Vecchio, Daniel, 1985-
Advisor: Miceli, Paulo, 1950-
Abstract: Resumo: A tese pretendida busca na noção de mimesis sugerida por Paul Ricoeur (2010) a sua principal ancoragem teórico-metodológica para analisar o registro de viagem em seu incessante processo de reconstrução histórica e narrativa. A perspectiva mimética ricoeuriana é constituída por três fases: mimesis I (prefiguração), mimesis II (configuração) e mimesis III (refiguração), Com tal modelo, nos sensibilizaremos primeiramente para o fato de que podemos pensar a viagem enquanto um campo de representação hipotética do real experienciado, suscitando uma relação de força efetiva entre suas variadas ferramentas narrativas de registro, em seus mais diversos momentos históricos. Ao efetuar a articulação entre imaginário, história e narrativa, a tríplice mimesis de Paul Ricoeur oferecerá aqui o modelo tripartido do próprio processo histórico da viagem enquanto ferramenta de registro e fonte de conhecimento, organizando tal campo em três estágios fundamentais: a viagem imaginária antigo-medieval (prefiguração), a sistematização da prática e dos registros das viagens modernas (configuração), e a recepção, ou melhor, a releitura dos relatos antigos, medievais e modernos pela literatura contemporânea (refiguração). Compreender esse processo histórico e narrativo do registro de viagem ao longo dos séculos nos permitirá concluir aqui três hipóteses gerais: na primeira unidade, exploraremos a tese que confirmará a pertinência das contingências imaginárias na realização das narrativas de viagem, mesmo aquelas sob determinação da "opsis", ou seja, do poder da visão ou da observação na efetuação da testemunha e do registro dos itinerários. Com isso, veremos que provém da antiga narrativa de viagem a construção incipiente do testemunho e do registro sensorial de ações humanas passadas, o que aprofunda as relações entre narrativa de viagem e narrativa histórica desde então. Na unidade II, por sua vez, mostraremos como ocorreu a sistematização do registro de viagem no período das navegações modernas, que sustentou com sua vasta documentação escrita não somente os aspectos rupturais que as sucessivas viagens proporcionaram ao campo empírico, mas, sobretudo, as readequações dos imaginários da tradição antiga e medieval. Por último, de modo a rever os sentidos da construção narrativa que a história oficial dos descobrimentos até então promovera sob sua expressão épica e suas intenções aparentemente pragmáticas, nosso objeto de estudo na unidade III situa-se naquilo que podemos qualificar como a "refiguração" histórica das navegações ultramarinas no romance contemporâneo. Para tanto, propomos examinar aqui um trio de narrativas ficcionais produzidas recentemente, que se compromissam com o processo de refiguração dos relatos históricos de três significativas empresas ultramarinas: a primeira viagem à América liderada por Cristóvão Colombo que é representada pela obra El último crimen de Colón, de Marcelo Levinas; a primeira viagem feita ao Oriente por Vasco da Gama, representada no romance Peregrinação de Barnabé das Índias, de Mário Cláudio; e, por último, a pioneira circunavegação realizada pela esquadra de Fernão de Magalhães, representada na obra Maluco. Romance de los descubridores, de Napoleón Baccino. Observaremos, com essa literatura selecionada, que a história das navegações ultramarinas passa a se constituir não pelo valor de seus registros fidedignos, mas pelas marcas que o denunciam como um espaço de negociação do significado referencial, fazendo da sua refiguração ficcional um processo narrativo que suscita a reflexão acerca tanto do fazer do relato quanto das suas relações de força com o contexto ultramarino e com o nosso próprio contexto pós-colonial. Por isso, abordaremos os romances em questão de modo a esclarecer que todos eles parecem articular uma refiguração da história das navegações ultramarinas, sendo essa refiguração um significado positivo, justamente por fazer revalidar a ideia de história ao reformular as premissas ideológicas e as estratégias figurativo-discursivas do próprio registro de viagem. Essa reformulação nos proporcionará uma aplicação diferencial da referência refigurada no horizonte textual das fontes, advogando para sua leitura e representação uma analogia entre a explicação do passado e a compreensão narrativa que põe em diálogo a diversificação, a hierarquização e a refiguração dos recursos formais e heurísticos desses registros.

Abstract: The intended thesis seeks in the notion of mimesis suggested by Paul Ricoeur (2010) its main theoretical and methodological anchorage to analyze the travel record in its incessant process of historical and narrative reconstruction. Its mimetic perspective consists in three phases: mimesis I (prefiguration), mimesis II (configuration) and mimesis III (refiguration). With such a model, we will first be sensitized to the fact that, based on this mimetic process, we can think about the journey as a field of hypothetical representation of the experienced reality, giving rise to an effective force relationship between its varied narrative record tools, in its most diverse historical moments. Articulating imaginary, history and narrative, the Paul Ricoeur's triple mimesis will offer here the tripartite model of the historical process of travel as a tool for recording and a source of knowledge, organizing this field in three fundamental stages: the ancient- medieval (prefiguration), the practice systematization of the modern travel records (configuration), and the reception, or rather, the reinterpretation of the ancient, medieval and modern reports by contemporary literature (refiguration). Understanding this historical and narrative process of the travel record over the centuries will allow us to conclude here three general hypotheses: in the first unit, we will explore the thesis that will confirm the relevance of imaginary contingencies in the travel narratives production, even those determined by the "opsis", in other words, the vision and observation hability of the ancient itineraries recording process. With these points, we will see that the incipient testimony construction and the sensorial record of the past human actions comes from the old travel narrative, which has deepened the relationship between travel narrative and historical narrative since then. In Unit II, in turn, we will show how the travel record systematization occurred in the navigation modern period, which supported, with its vast documentation, not only the rupture aspects that the travel experience provided, but, above all, the ancient and medieval imaginary tradition readjustments. Finally, in order to review the meanings of the narrative construction that the official oversea navigation history promoted under its epic expression and its apparently pragmatic intentions, our study object in unit III is situated in what we can qualify as the historical "refiguration" of overseas navigations in the contemporary novel. To this, we propose to examine here three fictional narratives recently produced, which were committed to the refiguring process of the historical reports of three significant modern overseas companies: the first trip to America led by Christopher Columbus, which is represented by the novel El último crimen de Colón , by Marcelo Levinas; the first trip made to the East by Vasco da Gama, represented in the novel Peregrinação de Barnabé das Índias, by Mário Cláudio; and, finally, the first circumnavigation of history carried out by the Fernão de Magalhães fleet, represented in the novel Maluco. Romance de los Descubridores, by Napoleón Baccino. We will observe, with this selected literature, that the overseas navigations history starts to be constituted not by the value of its reliable records, but by the marks that denounce it as a negotiating referential meaning space, making its fictional refiguration as a textual space for reflection about the report making and its power relations with the overseas context and with our own post-colonial context. Therefore, we will approach the novels in question in order to clarify that they all seem to articulate a refiguration of the overseas navigations history, with this refiguration being a positive meaning, precisely because it makes the idea of history revalidate by reformulating the ideological premises and the figurative strategies- discourse of the travel account itself. This reformulation will provide us with a differential application of the refigured reference in the sources textual horizon, advocating for its reading and representation an analogy between the explanation of the past and the narrative understanding that puts diversification, hierarchization and refiguration of formal and heuristic resources in dialogue with the travel records.
Subject: Ricoeur, Paul, 1913-2005 - Crítica e interpretação
Mimese
Narrativa (Retórica)
Diário de viagens
Ficção
Language: Português
Editor: [s.n.]
Citation: VECCHIO, Daniel. Mimesis da viagem : imaginar, observar e representar mundos desconhecidos na história e na ficção . 2020. 1 recurso online ( 966 p.) Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP.
Date Issue: 2020
Appears in Collections:IFCH - Tese e Dissertação

Files in This Item:
File SizeFormat 
Alves_DanielVecchio_D.pdf5.84 MBAdobe PDFView/Open


Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.