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Type: TESE DIGITAL
Degree Level: Doutorado
Title: O sentido geográfico da identidade : metafenomenologia da alteridade Payayá = The geographical sense of identity: metaphenomenology of the Payayá's alterity
Title Alternative: The geographical sense of identity : metaphenomenology of the Payayá's alterity
Author: Lima, Jamille da Silva, 1986
Advisor: Alves, Vicente Eudes Lemos, 1967-
Abstract: Resumo: O papel do lugar nos debates sobre identidade apresenta uma ambivalência que vai da celebração à condenação. Se de um lado há o entendimento da centralidade dos lugares para a constituição das identidades, de outro lado tem crescido o clamor pela diferença que nos leva à ênfase no não-lugar. Esta ambivalência ganhou novo fôlego após os anos 1990 com a globalização, tanto com a relevância que os movimentos identitários de resistência (étnicos, raciais e de gênero) alcançaram, lutando por seu lugar, enquanto território, quanto com a força que o clamor pelo respeito à diferença e o sentido opressor e colonial da identidade receberam, questionando o papel dos processos de territorialização nos conflitos e na negação da diferença que promovem a captura do Outro pelo Mesmo. No entanto, em vez de enfrentar a questão pela relação identidade-diferença, a deslocamos para o nexo entre consciência-lugar, desfazendo esta associação que dá relevo ao sentido frente ao sem-sentido. A prevalência da consciência é compreendida como um dos instrumentos da razão imperialista colonizadora, eurocêntrica, e por isso é necessário fissurá-la para um outro sentido geográfico de identidade. Mas como significar nossa relação geográfica e sua implicação para a identidade libertando-se das amarras da consciência e dos modelos coloniais de intelecção do ser? Este é o principal questionamento mobilizador da tese, o qual será enfrentado a partir da (1) experiência com os indígenas Payayá, da interlocução com (2) a filosofia de Emmanuel Lévinas e com suas (3) reverberações no pensamento descolonial latino-americano. Os Payayá, cuja historicidade e geograficidade se entrelaçam com a própria constituição colonial, da Bahia e do Brasil, foram aquartelados e oprimidos até o seu desbaratamento, ao ponto de serem declarados extintos pela historiografia e pelos órgãos oficiais brasileiros no século XVIII. Rompendo o silenciamento a que foram compelidos, iniciam um movimento de retomada que tem em Cabeceira do Rio, povoado do município de Utinga (Bahia), seu aqui, enquanto alteridade, permitindo a evasão de si necessária à hospitalidade. Simultaneamente, este lugar também é hostilidade, na disputa que culmina com a conquista do Território Indígena Payayá. As narrativas Payayá provocam deslocamentos na metafenomenologia de Lévinas, a qual nos interpõe a necessidade de romper com as molduras ontológicas. O primado da ética da alteridade, como metafísica, exige atender ao chamado do Outro, um "eis-me aqui" que não se cristaliza no Dito, pelo seu vínculo com a consciência, dando trânsito ao Dizer, em sua verbalidade, abrindo caminho para o sem-sentido e para o incompreensível. Esta filosofia é de uma radicalidade descolonial, e por isso nos permite pensar uma geografia desde a América Latina, na qual os Payayá são esse Outro que fecunda o sentido geográfico da identidade: uma identidade em diástase na qual o lugar é pneuma fundado na ética da alteridade. Embora ele também seja materialidade, o lugar não é objeto, pois implica a insubstancialidade pela qual a identidade não é lógica, mas topológica. Somos lugar não por um ato da consciência, mas por seu sentido ético que possibilita a alteridade na identidade

Abstract: The role of place in the debates on identity presents an ambivalence that goes from celebration to condemnation. If on the one hand there is the understanding of the centrality of places for the constitution of identities, on the other hand there has grown the clamor for the difference that leads us to the emphasis on the non-place. This ambivalence gained a new impetus after the 1990s with globalization, both with the relevance that identity resistance movements (ethnic, racial and gender) have achieved, fighting for their place ¿ as territory ¿, as with the strength that crying for respect differences and the oppressive and colonial sense of identity received, questioning the role of the territorialization processes in the conflicts and in the denial of the distinctions that promote the capture of the Other by the Same. However, instead of facing the question of the identity-difference relationship, we move it to the nexus between consciousness-place, undoing this association that gives relevance to sense in the face of the non-sense. The prevalence of consciousness is understood as one of the instruments of the imperialist colonizing reason, Eurocentric, and therefore it is necessary to break it into another geographical sense of identity. But how do we give meaning to our geographical relationship and its implication to identity, freeing ourselves from the bonds of consciousness and the colonial models of the intellection of being? This is the main question that mobilized the thesis, which will be faced (1) from the experience with the Payayá natives and (2) the interlocution with the philosophy of Emmanuel Lévinas and (3) his reverberations in Latin American decolonial thinking. The Payayá, whose historicity and geographicity are intertwined with the colonial constitution of the state of Bahia and Brazil, were quartered and oppressed until its annihilation, to the point of being declared extinct by historiography and official Brazilian organs in the eighteenth century. Breaking the silencing to which they were compelled, they begin a movement of recovery that has its in Cabeceira do Rio, their here, village of the municipality of Utinga (Bahia, Brazil), as alterity, allowing their evasion itself, necessary to the hospitality. Simultaneously, this place is also hostility, in the dispute that culminates with the conquest of the Payayá Indigenous Territory. The Payayá narratives cause displacements in Lévinas¿ metaphenomenology, which interposes us the necessity to break with the ontological frames. The primacy of the ethics of alterity, as metaphysics, demands answering to the call of the Other, a "Here I am" that does not crystallize in the Said, for its bond with the conscience, giving transit to the Saying, in its verbality, paving the way for the non-sense and the incomprehensible. This philosophy is of a decolonial radicality, and therefore allows us to think of a geography from Latin America, in which the Payayá are the Other that fecundates the geographical sense of identity: an identity in translation where the place is pneuma based on the ethics of alterity. Although it is also materiality, the place is not an object, since it implies the insubstantiality by which the identity is not logical, but topological. We are place not by an act of conscience, but by its ethical sense that makes alterity in identity possible
Subject: Levinas, Emmanuel, 1905-1995
Lugar
Colonialidade
Epistemologia da Geografia
Povos indígenas
Language: Português
Editor: [s.n.]
Citation: LIMA, Jamille da Silva. O sentido geográfico da identidade: metafenomenologia da alteridade Payayá = The geographical sense of identity: metaphenomenology of the Payayá's alterity. 2019. 1 recurso online (254 p.). Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Campinas, SP.
Date Issue: 2019
Appears in Collections:IG - Tese e Dissertação

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