Please use this identifier to cite or link to this item: http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/334915
Type: TESE DIGITAL
Degree Level: Doutorado
Title: Terra, trabalho e acumulação : o avanço da soja na região Matopiba
Title Alternative: Land, labor and accumulation : the expansion of soybean in the Matopiba region
Author: Lima, Débora Assumpção e, 1986-
Advisor: Alves, Vicente Eudes Lemos, 1967-
Abstract: Resumo: A pesquisa aqui desenvolvida tem como intuito captar as formas de acumulação do capital via avanço da sojicultura na região Matopiba. A região, oficializada a partir do decreto no 8447 em 2015 é delimitada pelos municípios dos estados do Tocantins, sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da Bahia. A partir de levantamentos bibliográficos, compilações de dados, materiais impressos de sindicatos, visitas técnicas a órgãos estatais e outras instituições, notícias de jornais, entrevistas de campo com lideranças de movimentos sociais, assentados, acampados, quilombolas, indígenas, representantes de órgãos estatais e do terceiro setor pude analisar a região do Matopiba a partir da ótica das transformações do mercado de terras, do trabalho e do mercado de commodities (soja). A partir de diversas óticas é possível compreender que a região Matopiba não é homogênea. A rigidez das notas técnicas estatais, responsáveis pelo recorte "oficial" da região, se contrastam com a diversidade do cerrado, com o processo de formação e ocupação dos povos e comunidades tradicionais, dos processos de migração regional e extrapolam as linhas que constituem o Matopiba no diário oficial. O avanço da produção de commodities, no caso aqui analisado a soja, demonstra o enfoque agroexportador da região, impulsionado por diversos projetos agrícolas estatais e federais desde meados do século XX. O mercado de terras na região conta sua história juntamente com a grilagem, com o avanço do Estado e o modo de produção capitalista, atrelado à expansão de infraestruturas para o avanço de monocultivos (no caso aqui estudado a soja) importantes para a balança comercial. Pensando o Matopiba como uma fronteira, o agronegócio encara a região como estoques de terras e recursos naturais passíveis de apropriação e acumulação. A valorização da terra e o aumento dos preços das terras agrícolas demonstra o avanço da produção, financeirização e ficcionalização da agricultura capitalista via land grabbing e acumulação por desposessão. A mão de obra barata que permite os baixos custos de produção das commodities e a rentização da terra já não consegue frear a tendência da queda geral da taxa de lucro, demonstrado a partir da análise dos custos de produção da soja. A transformação do camponês para trabalhador assalariado distancia-o do retorno a posse da terra. A ideia de "empregado" está relacionada à ideia de trabalhador assalariado rural, fortalecendo as relações de precariedade e de não-pertencimento resultado da modernização, mobilidade e autonomização das relações capitalistas no campo. As terras de alta produtividade tiveram um aumento de preço por hectare exponencial, mas é fundamental se questionar sobre a valorização da natureza, na qual áreas de cerrado e mata são as terras que tiveram maior valorização percentual nos últimos 10 anos. As formas de violência e a formação do mercado de terras e trabalho na região Matopiba, tendo em grande medida o Estado como responsável ou mediador desta violência foi fundamental para organizar uma região que garantisse a entrada do capital. Desta feita, a soja é tomada como projeção da crise multidimensional do capital, em que as formas de acumulação, para serem passíveis ao longo da história, dialogam com as formas de violência (im)possível: tornando seus processos de pilhagem pelas vias legais (normas e leis, projeto de desenvolvimento territorial, incentivos fiscais) ou ilegais (ameaças de morte, assassinatos, coerção de comunidades) para garantir que o sistema capitalista avance na fronteira agrícola

Abstract: The research developed here aims to capture the forms of capital accumulation through the advance of soybean in the Matopiba region. The region, made official by decree 8447 in 2015, is delimited by the municipalities of the states of Tocantins, southern Maranhão, southern Piauí and western Bahia. From bibliographic surveys, data compilations, trade union printed materials, technical visits to state agencies and other institutions, newspaper news, field interviews with leaders of social movements, settlers, campers, quilombolas, indigenous people, representatives of state agencies and From the third sector, I was able to analyze the Matopiba region from the perspective of land, labor and commodity (soy) market transformations. From various perspectives it is possible to understand that the Matopiba region is not homogeneous. The rigidity of the state technical notes, responsible for the "official" delimitation of the region, contrast with the diversity of the cerrado, with the process of formation and occupation of traditional peoples and communities, the processes of regional migration and extrapolate the lines that constitute Matopiba. in the official diary. The advance of commodity production, in this case of soybeans, demonstrates the region's agro-export focus, driven by several state and federal agricultural projects since the mid-twentieth century. The land market in the region tells its story along with land grabbing, the advancement of the state and the capitalist mode of production, linked to the expansion of infrastructures for the advancement of monocultures (in the case studied here the soy production) important for the trade balance. Thinking Matopiba as a frontier, agribusiness views the region as stocks of land and natural resources that can be appropriated and accumulated. Land valorization and rising farmland prices demonstrate the advance in production, financialization and fictionalization of capitalist agriculture via land grabbing and accumulation by dispossession. The cheap labor that allows low commodity production costs and land tenure can no longer curb the trend of the overall fall in profit rate, demonstrated from the analysis of soybean production costs. The transformation from peasant to wage laborer distances him from return to land property. The idea of "employee" is related to the idea of rural wage laborer, strengthening the precarious relations and non-belonging resulting from the modernization, mobility and autonomy of capitalist relations in the countryside. High-productive agricultural lands have had an exponential increase in price per hectare, but it is essential to question the appreciation of nature, where cerrado and forest areas are the lands that have had the highest percentage appreciation in the last 10 years. The forms of violence and the formation of the land and labor market in the Matopiba region, with the state largely responsible for or mediating this violence, was instrumental in organizing a region that guaranteed the entry of capital. This time, soy is taken as a projection of the multidimensional crisis of capital, in which the forms of accumulation, to be passable throughout history, dialogue with the forms of (im) possible violence: making their plundering processes through legal ways ( norms, laws, territorial development project, tax incentives) or illegal (death threats, murders, community coercion) to ensure that the capitalist system advances at the agricultural frontier
Subject: Mercado de terras
Trabalho
Mercadorias
Região do Matopiba
Language: Português
Editor: [s.n.]
Citation: LIMA, Débora Assumpção e. Terra, trabalho e acumulação: o avanço da soja na região Matopiba. 2019. 1 recurso online (291 p.). Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Campinas, SP.
Date Issue: 2019
Appears in Collections:IG - Tese e Dissertação

Files in This Item:
File SizeFormat 
Lima_DeboraAssumpcaoE_D.pdf7.13 MBAdobe PDFView/Open


Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.