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Type: TESE DIGITAL
Degree Level: Doutorado
Title: A ordem de palavras no português medieval
Title Alternative: The word order in medieval portuguese
Author: Medeiros, Carolina Salgado Lacerda, 1987-
Advisor: Galves, Charlotte, 1950-
Abstract: Resumo: Esta pesquisa tem como principal objetivo realizar uma análise descritiva do português medieval, período que vai do século 13 ao 15. Utilizando uma base de textos sintaticamente anotados, esperamos contribuir para a discussão acerca sintaxe das línguas V2, argumentando que esta é uma língua V2 flexível simétrica (cf. Wolfe 2015). A análise nos permitiu concluir que neste período V2 é a ordem linear mais frequente em todos os textos narrativos, em orações matrizes e encaixadas, sendo XV mais frequente no primeiro contexto e SV mais abundante nas orações subordinadas, corroborando os dados de Ribeiro (1995). São também produtivas ordens V1 e V>2 em ambos os contextos. Verificamos que o movimento do verbo para Fin, licenciando V2, ocorre nas orações matrizes e encaixadas, o que ficou evidente pelo fato de as mesmas posições sintáticas estarem disponíveis em ambos os contextos. Adotamos o modelo proposto em Galves (a sair) para a periferia esquerda do português medieval, lançando mão da categoria kP, uma posição que abriga pronomes demonstrativos fronteados e sujeitos pré-verbais, veiculando informação contrastada, e da posição FOC, para onde se movem sintagmas quantificados, advérbios focalizados e elementos com valor avaliativo. Para dar conta da simetria entre orações matrizes e subordinadas, propomos a inclusão da posição ForceP, onde são concatenados os complementizadores nas encaixadas. Em relação à interpolação, observamos que nas orações matrizes este é um fenômeno pouco recorrente. Além disso, no século 15 a interpolação é mais frequente com uma determinada classe de advérbios medievais tanto nas orações raízes quanto nas encaixadas, o que sugere que é neste século que ocorre uma mudança em relação ao tipo de elemento que pode ser interpolado. Conforme Magro (2007), concluímos que no português medieval a interpolação é regida por uma regra prosódica, o que é evidenciado pela possibilidade de o clítico estar interpolado entre dois advérbios focalizados que formam uma unidade sintagmática. Também observamos que nos dois contextos esse fenômeno está relacionado às posições FOC e kP, para onde se movem elementos com valor referencial. Além disso, também propomos uma comparação entre o português medieval e o português clássico. Ao contrastar dados dos dois períodos, verificamos que a mudança de gramáticas que resultou no desaparecimento do português medieval e no despontamento do português clássico pode ser pensada como um processo que se desdobra em vários aspectos sintáticos: (i) a mudança no status do complementizador, que no português medieval é concatenado em Force e no português clássico está em Fin; (ii) uma mudança na periferia esquerda, que envolve diferentes posições para onde se movem os sujeitos pré-verbais nas duas gramáticas; e (iii) o licenciamento da categoria kP, que no português medieval está ativa tanto nas orações subordinadas quanto nas raízes, mas no português clássico só está disponível nas orações matrizes. Ademais, também observamos que as mudanças sintáticas que foram objeto de estudo nesta pesquisa acompanharam temporalmente as mudanças morfofonológicas estudadas por Cardeira (2006), marcando a fronteira entre os séculos 14 e 15 como o momento em que uma nova gramática emerge

Abstract: The main objective of this research is a descriptive analysis of Medieval Portuguese (13th to 15th century). Using a syntactically annotated corpus, we hope to contribute to the discussion about the syntax of V2 languages, arguing that Medieval Portuguese is a relaxed symmetric V2 language (see WOLFE 2015). Our analysis allowed us to conclude that in the period under study V2 is the most frequent linear order in all narrative texts, in matrix and subordinate clauses. In main clauses XV is the most common order, whereas SV is more abundant in subordinate clauses, corroborating the data in Ribeiro (1995). V1 and V>2 orders are also productive in both contexts. We observed that the movement of the verb to Fin, licencing V2, occurs both in matrix and subordinate clauses, which was made clear by the fact that the same syntactic positions are available in the left periphery of both contexts. We adopted the model proposed by Galves (forthcoming), arguing in favor of kP, a position that hosts fronted demonstrative pronouns and pre-verbal subjects, and a position called FOC, where quantified phrases, focused adverbs and elements with evaluative value are moved to. To account for the symmetry found between matrix and subordinate clauses, we also proposed a position generically called ForceP, where complementizers are merged in the embedded contexts. Regarding interpolation, we observed that in matrix clauses it is not a common phenomenon. In the 15th century interpolation is more frequent with a certain class of medieval adverbs in both matrix and embedded clauses, which suggests that in this period a change related to the type of element that can be interpolated is in course. According to Magro (2007), we proposed that in Medieval Portuguese interpolation is due to a prosodic rule, which is evidenced by the possibility of the clitic being interpolated between two focused adverbs that form a single syntagmatic unit. We also observed that in both matrix and embedded clauses this phenomenon is related to the positions FOC and kP, where elements with referential value are moved to. We also propose a comparison between Medieval Portuguese and Classical Portuguese. We concluded that the change that resulted in the disappearance of the Medieval Portuguese grammar and the emergence of Classical Portuguese can be thought of as a process that unfolds several syntactic aspects: (i) the status of the complementizer, which in Medieval Portuguese is merged in Force and in Classic Portuguese is merged in Fin; (ii) a change in the left periphery, which involves different positions to where the pre-verbal subjects move in the two grammars; and (iii) the kP category, which in Medieval Portuguese is active both in matrix and subordinate clauses, but in Classical Portuguese is only available in matrix clauses. In addition, we also observed that the syntactic changes that where analysed in the present research occurred in the same timeline as the morpho-phonological changes listed by Cardeira (2006), which locate the boundary of the 14th and 15th centuries as the moment when a new grammar emerges
Subject: Linguística histórica
Gramática gerativa
Língua portuguesa - Portugues antigo - Sec. XIII-XV
Língua portuguesa - Sintaxe
Language: Português
Editor: [s.n.]
Citation: MEDEIROS, Carolina Salgado Lacerda. A ordem de palavras no português medieval. 2018. 1 recurso online (288 p.). Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, SP.
Date Issue: 2018
Appears in Collections:IEL - Tese e Dissertação

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