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Type: TESE DIGITAL
Degree Level: Doutorado
Title: A história do emprego de vírgula do português clássico ao português europeu moderno
Title Alternative: The history of the use of comma from Classical Portuguese to Modern European Portuguese
Author: Yano, Cynthia Tomoe, 1985-
Advisor: Galves, Charlotte, 1950-
Abstract: Resumo: O presente trabalho tem como objetivo analisar o funcionamento da vírgula na escrita do português europeu no período do século XVI ao século XIX, focalizando a análise do emprego de vírgula em dois tipos de construção: à direita do verbo, antes de oração completiva, e à esquerda do verbo, após sujeito e oração dependente em primeira posição. Além disso, busca-se também investigar os possíveis fatores que favoreceriam o uso da vírgula nesses contextos. Para tanto, foram utilizados dois corpora: um corpus composto por 24 textos, de autores nascidos entre o século XVI e o século XIX, havendo seis textos para cada período de século, e outro composto por 8 textos de autores nascidos entre o século XVI e XVIII, com uma versão original e uma versão modernizada para cada um. A partir da análise dos resultados alcançados, observou-se que houve uma mudança no emprego da vírgula no século XIX. Nos textos dos séculos XVI, XVII e XVIII, a vírgula era utilizada, com maior frequência, com a função de introduzir discursos relatados e para marcar ênfase e pausa depois de sujeitos e orações focalizados ou topicalizados e orações longas, auxiliando na organização e na leitura do texto escrito. Já nos textos do século XIX, a mudança no uso da vírgula parece ter ocorrido de forma distinta nos contextos analisados. À esquerda, o sinal continua a servir para marcar ênfase e pausa depois de sujeitos e orações com comprimento longo ou proeminência de foco ou tópico, embora nos casos com oração pré-verbal, o fator do comprimento deixou de ser relevante à colocação de vírgula, sendo o sinal empregado mais pelo fato de a oração ser adjunta. À direita, porém, a função de introduzir relatos se perdeu, devido ao fato de os autores terem passado a dar mais atenção à relação de complementaridade entre verbo e argumento, além de, nesse período, ter havido uma diferenciação mais clara entre os tipos de discurso relatado e o surgimento de novos sinais para representar esses tipos de construção. Isso indica que, até fins do século XVIII, as funções prosódica e discursiva eram mais predominantes no sistema de pontuação do português. Já a partir do século XIX, a função sintático-semântica passou a ser mais predominante à direita do verbo, por haver um vínculo mais forte, de dependência, entre verbo e argumento e, à esquerda, as funções prosódica e discursiva parecem ainda se fazerem mais presentes, pois, nessa posição, a vírgula serviria mais para indicar o papel discursivo dos sintagmas pré-verbais. Além disso, quanto aos possíveis fatores que teriam favorecido essa mudança, notou-se que a mudança no olhar dos gramáticos sobre a pontuação e, portanto, nas regras de uso dos sinais teria tido uma influência mais forte, uma vez que foi no período do século XIX que houve uma maior difusão dos preceitos do Iluminismo em Portugal e, com isso, uma maior preocupação por parte dos gramáticos com a sintaxe e a norma do português, que levou ao sistema de pontuação ser mais baseado em relações de dependência entre as partes da sentença. Outro fator que parece ter tido um papel na mudança no emprego da vírgula é a mudança na sintaxe do português, ocorrida no século XVIII, uma vez que, em construções VS seguidas de oração completiva, observa-se uma correlação entre a queda na incidência de vírgula antes da oração completiva e o fato de, no português europeu moderno, o verbo ter passado a ocupar uma posição mais baixa e o sujeito, com isso, não ser mais posposto. Com isso, nos textos oitocentistas os autores prefeririam não marcar mais a vírgula antes da oração completiva, pois não haveria mais esse sentimento de distanciamento e a oração não tenderia mais a formar um I independente, estando contida no mesmo contorno entoacional do verbo

Abstract: The objective of this project is to analyze how the comma is used in written European Portuguese during the period from the 16th to the 19th century, focusing on the analysis of its usage in two types of construction: in the right periphery of the verb, before completive sentences, and in the left periphery of the verb, after subject and subordinate clause in the first position. In addition, we also investigate the possible factors that would favor the use of the comma in these contexts. For that, two corpora were used: a corpus composed of 24 texts by authors born between the 16th and 19th centuries, with six texts for each period of the century, and another corpus composed of 8 texts by authors born between the 16th century and 18th, with an original version and a modernized version for each one. By analyzing our findings, we noticed that there was a change in how the comma works in the 19th century. In texts from the 16th, 17th and 18th centuries, the comma was used more frequently as a way to introduce reported speeches, as well as to emphasize and pause after subjects and focused or topicalized sentences and long sentences, helping to improve organization and readability in the written text. In the texts of the 19th century, the change in the use of commas seems to have occurred differently depending on the context analyzed. In the left periphery, the comma continues to serve to mark emphasis and pause after subjects and sentences with long length or prominent focus or topic, although in cases with pre-verbal sentence, the length factor is no longer relevant to the placement of a comma and the symbol is used more because the sentence is attached. On the right hand side, however, the function of introducing reports was lost, due to the fact that the authors began to pay more attention to the complementarity relationship between verb and argument, and in that period there was a clear differentiation between types of discourse reported and the appearance of new symbols to represent these types of construction. This indicates that until the end of the 18th century, prosodic and discursive functions were more prevalent in the Portuguese punctuation system. As early as the 19th century, the syntactic-semantic function became more predominant in the right periphery of the verb, because there was a stronger dependence link between verb and argument, and in the left periphery, the prosodic and discursive functions still appear to become more present, for in that position the comma would serve more to indicate the discursive role of the pre-verbal syntagma. In addition, regarding the possible factors that would have favored this change, we noticed that the way grammarians see the punctuation and, therefore, the rules for the use of the symbols would have had a stronger influence, since this was the period of the century when the Enlightenment principles became more widespread in Portugal and, therefore, there was a greater concern by grammarians with the syntax and the norm of Portuguese, which led to a system of punctuation that was based more on the relations of dependence between the parts of the sentence. Another factor that seems to have played a role in the change in the use of the comma is the change in the syntax of Portuguese, occurring in the 18th century, since in VS constructions followed by completive sentence, there is a correlation between the lower incidence of commas before the completive sentence and the fact that, in modern European Portuguese, the verb came to occupy a lower position and the subject, with that, is no longer postponed. Thus, in the 18th-century texts the authors would tend to not use a comma before the completive sentence, since there would be no longer this feeling of detachment and the completive sentence would no longer tend to form an independent I, being contained in the same intonational contour of the verb
Subject: Língua portuguesa - Pontuação
Virgula
Língua portuguesa - Sintaxe
Língua portuguesa - Versificação
Norma linguística
Language: Português
Editor: [s.n.]
Citation: YANO, Cynthia Tomoe. A história do emprego de vírgula do português clássico ao português europeu moderno. 2018. 1 recurso online (260 p.). Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, SP.
Date Issue: 2018
Appears in Collections:IEL - Tese e Dissertação

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