Please use this identifier to cite or link to this item: http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/331836
Type: TESE DIGITAL
Degree Level: Doutorado
Title: O racismo que (não) se vê : a fórmula Consciência Negra e a atopia do discurso racista brasileiro
Title Alternative: The racism we (do not) see : the formula Black Consciousness and the atopy of the racist brazilian discourse
Author: Oliveira, Hélio de, 1975-
Advisor: Possenti, Sírio, 1947-
Abstract: Resumo: Esta pesquisa analisa as ocorrências da fórmula "consciência negra" e suas variantes ¿ paráfrases, retomadas, reformulações ¿ no universo discursivo brasileiro contemporâneo. Para tanto, embasa-se na Análise do Discurso, particularmente na noção de fórmula discursiva (KRIEG-PLANQUE, 2003, 2010) e nos conceitos de cenografia e atopia discursiva (MAINGUENEAU, 2008a, 2010a, 2015). A partir dos conceitos mencionados, propõem-se alguns desenvolvimentos: considerar as fórmulas como "lugares de memória" (uma provável propriedade adicional àquelas que lhe constituem) e a existência da pericenografia discursiva, uma espécie de enunciação periférica (e parasitária) à cenografia "principal". O corpus, organizado a partir da circulação do sintagma citado, é constituído por textos de diferentes gêneros, principalmente aqueles oriundos do campo jornalístico, coletados nas edições de 20 de novembro (Dia da Consciência Negra), no período de 2011-2017. Pretende-se analisar em que medida "consciência negra" funciona como um "lugar" privilegiado para "compreender a forma como os diversos atores sociais organizam, por meio dos discursos, as relações de poder e de opinião" (KRIEG-PLANQUE, 2010, p. 09). A relação dessa fórmula com o discurso racista é muito peculiar: há discursos que a apoiam e outros que a negam peremptoriamente. Todavia, há alguns discursos racistas que a utilizam para produzir uma suposta aura de engajamento com os Movimentos Negros. Nesse caso, a eficácia antirracista da fórmula "consciência negra" consiste em funcionar como uma espécie de "cavalo de Tróia", minando por dentro (expondo) esses discursos que pretendem circular pelo espaço social como simpatizantes dos Movimentos Negros, mas que de fato trabalham contra as demandas deles. Entre outros aspectos, a pesquisa se justifica pela carência de estudos linguístico-discursivos ¿ conforme apontado por Van Dijk (2008) ¿ que não sejam centrados em propriedades étnicas ou folclóricas dos povos negros, mas que considerem as práticas racistas cotidianas dos grupos dominantes, tendo em vista o funcionamento do discurso na reprodução dessas práticas

Abstract: This thesis analyzes the occurrences of the formula "consciência negra" ("black consciousness") and its reformulations in the contemporary Brazilian discursive universe. The theoretical basis comes from Discourse Analysis, particularly the notion of discursive formula (KRIEG-PLANQUE, 2003, 2010) and the concepts of scenography and discoursive atopy (MAINGUENEAU, 2008a, 2010a, 2015). Some conceptual development is proposed to the notion of formula, such as the "discursive places of memory" (an additional property to those already defined as constitutive of formulas) and the existence of what I am calling the discursive pericenography, a sort of peripheral (and parasitic) enunciation beside the "main" scenography. The corpus is composed by texts of different genres, mainly from the journalistic field, collected on newspapers and magazines with national circulation, in their printed and digital versions, in the editions of November 20 (the Black Consciousness Day), from 2011 to 2017. It is intended to analyze how "consciência negra" functions as a privileged "place" where "different social actors organize, through discourses, the relations of power and opinion" (KRIEG-PLANQUE, 2010, page 09). There are some racists discourses that produce a supposed aura of engagement with the Black Movements. In this case, an anti-racist efficacy of the formula "consciência negra" functions as a sort of "Trojan horse", undermining (by exposing) those discourses that intend to circulate through social space as sympathizers of Black Movements and their demands. Further this, the research is justified by the absence of linguistic-discursive studies about racist practices, as pointed out by Van Dijk (2008, 2005). According to this author, we do not need studies centered on ethnic or folkloric properties of the Black People. We need researches that consider the everyday racist practices of the dominant groups, observing the production and reproduction of these practices by the discourses
Subject: Análise do discurso
Racismo na linguagem
Fórmulas (Linguística)
Language: Português
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2018
Appears in Collections:IEL - Tese e Dissertação

Files in This Item:
File SizeFormat 
Oliveira_HelioDe_D.pdf7.49 MBAdobe PDFView/Open


Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.