Please use this identifier to cite or link to this item: http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/331313
Type: DISSERTAÇÃO DIGITAL
Degree Level: Mestrado
Title: Emmanuel Bove : mergulhando as penas nas trevas do presente
Title Alternative: Emmanuel Bove : dipping his pen in the obscurity of the present
Author: Mello, Paulo Serber Figueira de, 1990-
Advisor: Seligmann-Silva, Márcio, 1964-
Abstract: Resumo: Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a obra do escritor francês Emmanuel Bove (1898-1945), e mais especificamente sobre "Meus amigos" (1924), "A morte de Dinah" (1927), "O pressentimento" (1935) e "A armadilha" (1945). Isto será feito mediante o entrecruzamento com breves análises históricas e incursões na biografia do autor (COUSSE; BITTON, 1994), para que se possa explorar e compreender um pouco da relação fraturada mantida por este com o tempo-espaço em que lhe foi dado viver. Por meio de aproximações com o conceito de "contemporâneo", desenvolvido por Giorgio Agamben em O que é o contemporâneo?, a noção de "testemunho", muito trabalhada por Márcio Seligmann-Silva, e a dita filosofia da história de Walter Benjamin, propõe-se perscrutar a exposição e a denúncia de momentos traumáticos e decisivos da história francesa em uma obra literária pouco conhecida, mas de valor inegável. Esta se erigiu em um período de fortes tensões e abalos, de rápidas transformações e violentos conflitos, que instabilizavam e ameaçavam muito do que sempre parecera eterno. Nesse cenário, um avolumado desassossego e uma reatividade afligida tomavam conta dos espaços de privilégio, acostumados à inércia protetiva da tradição. A Europa, a França, o campo literário francês, essas "comunidades imaginadas" voltadas à glória e à permanência, viam membros se elevarem em oposição ao que concebiam como intrusões, apropriações indevidas, mudanças nocivas: um temeroso declínio. Nas narrativas criadas por Bove, esse aferro cultural se afigura em toda sua disposição agressiva, através de diversas formas, encarnado nos espaços, pessoas e coisas, delimitando as relações entre elas. Por mais que os personagens, os enredos, os ambientes variem, uma constante aspereza e rigidez, um obstinado retesamento se contrapõe às suas tentativas de movimento. De ascendência estrangeira e origem pobre, as passagens de Emmanuel Bove pelos núcleos de sociabilidade burguesa deram-se amiúde parcialmente, o suficiente para inculcar-lhe desejos de inserção e reconhecimento no campo literário e entre as elites culturais, mas também o bastante para que sentisse pesadamente os seus limites e restrições. Nesse sentido, a ausência de um teto constante e seguro debaixo do qual abrigar-se, imagem última de sua míngua e desterro, tornada um tema em seus escritos, tem o poder de trazer ao seio da obra literária aquilo de que a cultura referendada usualmente nem trata ou então destrata, aquilo com que ninguém quer identificar-se: a exclusão e os detalhes tão significativos pelos quais ela se percebe. De suas posições oscilantes e desprotegidas, os personagens de Bove os registram e decodificam com verdadeira obsessão, como testemunhas das extremadas adversidades que acompanham o fraco, o pobre, o minoritário, em sua locomoção pela França atravessada por crises e conflitos

Abstract: This work aims to reflect on the work of the French writer Emmanuel Bove (1898-1945), and more specifically on "Mes Amis" (1924), "La mort de Dinah" (1927), "Le pressentiment" (1935) and "Le piège" (1945). This will be done with brief historical analyzes and incursions into the author's biography (COUSSE; BITTON, 1994), so that one can explore and understand some of the fractured relationship maintained by the latter with the time-space in which he was given to live . By means of approximations with the concept of "contemporary", developed by Giorgio Agamben in "What is the contemporary ?", the notion of "testimony", much worked by Márcio Seligmann-Silva, and the so-called philosophy of the history of Walter Benjamin, it proposes to examine the exposition and denunciation of traumatic and decisive moments of French history in a literary work little known but of undeniable value. This was erected in a period of strong tensions and shocks, of rapid transformations and violent conflicts, that destabilized and threatened much of what had always seemed eternal. In this scenario, a heightened uneasiness and a distressed reactivity took over the spaces of privilege, accustomed to the protective inertia of tradition. Europe, France, the French literary camp, these "imagined communities" turned to glory and permanence, saw members rise in opposition to what they conceived as intrusions, misappropriations, harmful changes: a fearful decline. In the narratives created by Bove, this cultural clinging appears in all its aggressive disposition, through various forms, embodied in spaces, people and things, delimiting the relations between them. As much as the characters, the entanglements, the environments vary, a constant harshness and rigidity, a stubborn tension is opposed to their attempts at movement. From foreign ancestry and poor origins, Emmanuel Bove's passages through the nuclei of bourgeois sociability were often partly enough to instill in him desires for insertion and recognition in the literary field and among the cultural elites, but also enough to make him feel their limits and restrictions. In this sense, the absence of a constant and secure ceiling under which to shelter itself, the ultimate image of his poverty and abandonment, made a subject in his writings, and has the power to bring to the bosom of the literary work what the culture detract and no one wants to identify with: the exclusion and the significant details by which it is perceived. From their oscillating and unprotected positions, Bove's characters record and decode them with true obsession, as witnesses to the extreme adversities that accompany the weak, the poor, the minority, in their journey through France crisscrossed by crises and conflicts
Subject: Bove, Emmanuel, 1898-1945 - Crítica e interpretação
Ficção francesa - Séc. XX - História e crítica
Empatia na literatura
França - Política e governo - 1940-1945
Language: Português
Editor: [s.n.]
Citation: MELLO, Paulo Serber Figueira de. Emmanuel Bove: mergulhando as penas nas trevas do presente. 2018. 1 recurso online (178 p.). Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, SP. Disponível em: <http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/331313>. Acesso em: 3 set. 2018.
Date Issue: 2018
Appears in Collections:IEL - Tese e Dissertação

Files in This Item:
File SizeFormat 
Mello_PauloSerberFigueiraDe_M.pdf1.84 MBAdobe PDFView/Open


Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.