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Type: TESE DIGITAL
Title: Sobre a erosão da forma : Lolita e o modernismo tardio
Title Alternative: On the erosion of form : Lolita and late modernism
Author: Tinti, Tauan Fernandes, 1985-
Advisor: Durão, Fábio Akcelrud, 1969-
Abstract: Resumo: A hipótese inicial desta tese é a de que em Lolita as categorias narrativas tradicionais do realismo literário (tempo, espaço, personagens, enredo, foco narrativo) sofrem uma desfuncionalização radical que demonstra tanto sua falência quanto, no mesmo movimento, o avanço da lógica da reificação. Partindo disso, os capítulos seguintes passarão a conceber certos aspectos de Lolita e da obra de Nabokov em geral que funcionam como mecanismos de defesa contra aquilo que será inicialmente esboçado como a relação entre arte avançada e mercado. Isto é, a mudança histórica definida pela centralidade crescente da forma mercadoria em todas as esferas da vida social, caracterizada em sua relação com a cultura por Adorno e Horkheimer (2006), não se restringe a questões relacionadas à circulação posterior das obras, como a princípio poderia parecer ser o caso com relação ao alto modernismo. Ao contrário, como ficará claro a partir de Lolita, o princípio de dominação abstrata que regula a produção de mercadorias vai integrando progressivamente também o próprio processo de produção das obras de forma inaudita, abrindo a possibilidade de que seja não apenas tematizado, mas tornado, mesmo que involuntária ou inconscientemente, material a ser peculiarmente elaborado. À definição de Jameson (2005) do modernismo tardio apresentada em Modernidade singular como sendo diferente do alto modernismo precisamente por ter acontecido após este ¿ ou seja, sem o direito a uma reivindicação legítima da originalidade de sua posição, essencial ao éthos modernista ¿, deve-se acrescentar o movimento da subsunção formal à subsunção real da produção artística, tal como argumentado por Nicholas Brown (2015), por exemplo, a partir de Marx. De forma esquemática, tal movimento consiste na integração não só da circulação, mas também da produção artística à lógica da mercadoria, que considera os objetos produzidos como mero suporte de um valor de troca que em última instância determina todo o seu processo de elaboração ¿ o que, em relação à arte, acabará se convertendo na consideração crescente das expectativas do público, rumo à submissão total. Se Lolita não se encontrava ainda integralmente circunscrita a essa lógica, certamente reage até hoje à sua ameaça, e seu caso é sintomático da encruzilhada na qual a produção artística se encontrava no momento de consolidação definitiva da indústria da cultura, algo que está inscrito à força na filigrana do romance, mesmo que contra a vontade de seu autor. Nossa leitura de Lolita começará por sua camada mais superficial para que, a partir da observação atenta das contradições que nela se manifestam, sejamos apontados continuamente para seus níveis de significação mais profundos, onde as contradições inicialmente percebidas tornarão a aparecer ainda mais carregadas de tensão. No caso, esse gesto consistirá inicialmente em tomar ao pé da letra a forma como o romance aparenta querer ser lido: como uma confissão que encena o amadurecimento moral progressivo de um narrador que gradualmente se dá conta de todo o sofrimento por ele causado às pessoas ao seu redor, e em especial a sua amada Dolores Haze. Nesse sentido, será possível observar como a própria organização do enredo serve a um propósito muito específico, relacionado à tentativa de imortalizar Lolita, o que por sua vez gera uma série de problemas interpretativos que acabarão exigindo a consideração das outras categorias que compõem a narrativa. Uma vez chegado ao seu núcleo, poderemos refazer o caminho de modo a ver tanto o arrependimento quanto a imortalidade pretendida sob uma luz bastante diversa da inicial. O mesmo movimento se aplicará, nos capítulos seguintes, a alguns outros romances de Nabokov, vistos pelo prisma da metaficção, como forma de retornarmos a Lolita para encararmos o problema do arrependimento de uma perspectiva renovada, de modo a preparar o caminho para se compreender a relação entre o romance e a ideia da subsunção real da arte sob o capital

Abstract: This dissertation initially deals with the hypothesis that in Lolita the traditional narrative categories of literary Realism (time, space, characters, plot, narrative voice) undergo a radical defunctionalization that demonstrates both its collapse and the spreading of the logic of reification. Having established that, the following chapters go on to investigate certain aspects of Lolita and of Nabokov¿s oeuvre in general that function as defense mechanisms against that which could be initially outlined as the tense relationship between advanced art and the demands of the market. The historical changes defined by the growing centrality of the commodity form in the whole of social life, characterized in its relation to culture by Adorno and Horkheimer (2006), are not limited to matters concerning only the ulterior circulation of artworks, as it could have seemed to be the case with regards to High Modernism. On the contrary, as it will become clear through a thorough reading of Nabokov¿s novel, the principle of abstract domination that regulates commodity production also progressively integrates the very process of production of artworks in unprecedented ways, giving rise to the possibility of abstract domination being not only thematized, but turned into a material that is subjected to formal elaboration. To Jameson¿s definition of Late Modernism, presented in Singular Modernity (2005), as being different from High Modernism precisely by virtue of coming after it ¿ that is to say, with Late Modernism lacking a legitimate claim of the originality of its position, something integral to the Modernist ethos ¿, we must add the movement of the real subsumption of artistic production under capital, as argued by authors such as Nicholas Brown (2015), based upon the works of Marx. Schematically, this movement consists in the integration not only of circulation, but also of artistic production itself, to a commodity logic that regards the objects being made merely as the bearers of an exchange value that ultimately governs the whole process of production ¿ which becomes, for artistic production, the growing concern with the audience¿s expectations, tending to total submission to the public¿s whims. Even if Lolita was not entirely determined by this logic, it still reacts to this threat to this very day, and its case allows us a glimpse of the crossroads of artistic production at the time of the definitive consolidation of the culture industry ¿ something that is forcefully inscribed into every layer of the novel. Our reading of Lolita will begin with its most superficial layer in order to, through careful observation of the contradictions thus made visible, follow these same contradictions through deeper layers of meaning, where they are continuously reenacted in more complex ways. In this case, this gesture will initially consist in carrying to the letter the way that the novel ostensibly appeals to us: as a confession that stages the coming of age of a narrator that gradually comes to understand all the pain he has caused to everyone around him, and especially to his beloved Dolores Haze. In this sense, it will become possible to see how the very construction of the plot serves to a precise purpose, related to the narrator¿s attempt to grant immortality to Lolita through art, which by its turn will give rise to a series of interpretive problems that will demand the investigation of the collapse of the remaining narrative categories. Once having arrived at its core, we will then be able to retrace our steps in order to see both Humbert¿s doubtful repentance and his promise of immortality through a new light. And a similar movement will be drawn, in the following chapters, to a number of Nabokov¿s novels, seen through the prism of metafiction, as a way to return to Lolita and reconsider the problem of Humbert¿s moral redemption through still another perspective, paving the way to investigate the difficult relationship between the novel and the idea of the real subsumption of art under capital
Subject: Nabokov, Vladimir Vladimirovich, 1899-1977. Lolita - Crítica e interpretação
Ficção americana - História e crítica
Modernismo (Literatura)
Capitalismo e literatura
Arte - Aspectos econômicos
Autonomia
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2017
Appears in Collections:IEL - Tese e Dissertação

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