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Type: TESE DIGITAL
Title: Comércio ecologicamente desigual no século XXI : evidências a partir da inserção brasileira no mercado internacional de minério de ferro
Title Alternative: Ecologically unequal Exchange in the 21st century : evidences based on the Brazilian insertion in the international market of iron ore
Author: Saes, Beatriz Macchione, 1987-
Advisor: Romeiro, Ademar Ribeiro, 1952-
Abstract: Resumo: O presente trabalho analisa as especificidades do comércio ecologicamente desigual no século XXI a partir da observação do metabolismo social do minério de ferro e da inserção brasileira neste mercado. A hipótese levantada é que existe um comércio ecologicamente desigual Norte-Sul, que se reflete em uma transferência material assimétrica aos países do Norte, cuja dinâmica é importante para compreender as características do recente boom das commodities e as implicações sobre os países exportadores de produtos primários. Primeiramente, mostramos como as evidências de desmaterialização das economias desenvolvidas são superestimadas pelas análises que desconsideram a crescente fragmentação internacional da produção nas últimas décadas. Na medida em que as economias avançadas especializam-se em etapas localizadas nas duas pontas das cadeias de produção, baseadas em ativos intangíveis (pesquisa, desenho, marketing etc.), o peso material de suas economias se reduz em relação ao PIB, mas a captura da maior parcela do valor adicionado das cadeias mantém padrões de consumo elevados baseados em estoques materiais "ocultos" em outros países. Em segundo lugar, discutimos como a crescente transnacionalização do espaço asiático, decorrente desta fragmentação internacional da produção, promoveu uma ampliação sem precedentes da demanda por recursos naturais, alimentando o ciclo recente de valorização dos preços das commodities. No setor de minério de ferro, a despeito de sua modernização e de maiores possibilidades de captação de financiamento, a rigidez da oferta amplificou o aumento dos preços, possibilitando a entrada de produtores de alto custo voltados à extração de minério de ferro de baixa qualidade. No Brasil, isso significou a expansão da fronteira minerária de ferro principalmente em direção ao norte de Minas Gerais e à Bahia, em regiões de reconhecida importância ambiental ou habitadas por pequenos agricultores, comunidades quilombolas e ribeirinhas. A dinâmica perversa por trás do boom de preços seria evidenciada com a reversão destes. A despeito das intervenções irreversíveis no meio ambiente e o comprometimento do modo de vida de comunidades inteiras, a viabilidade financeira dos empreendimentos de alto custo na fronteira minerária viu-se comprometida. A decorrente desvalorização dos ativos de tais empreendimentos, com frequência adquiridos por outras empresas e reconfigurados para operar mesmo com uma rentabilidade muito baixa, agravaria ainda mais o excesso de oferta no setor, pressionando negativamente os preços e amplificando a transferência de recursos materiais ao exterior. Por fim, descrevemos como as estratégias de desenvolvimento adotadas no Brasil durante o boom das commodities refletiram-se no setor minerário, contribuindo para impulsionar um modelo "neoextrativista" no país. Em particular, discutimos a regulamentação do setor e o modelo de desenvolvimento presente na proposta do novo código da mineração, assim como, os limites do nacionalismo dos recursos naturais como resposta à inserção internacional subordinada do país. O modelo "neoextrativista" foi evidenciado pelas disputas em torno da legislação ambiental brasileira, em que prevaleceu o "interesse nacional" como defendido pelo setor minerário, a despeito de outros interesses e valores concorrentes à mineração. Assim, a ausência de visões e modelos de desenvolvimento alternativos contribuiu para reforçar o caráter estrutural do comércio ecologicamente desigual Norte-Sul

Abstract: This thesis analyzes the specificities of ecologically unequal exchange in the 21st century based on the observation of the social metabolism of iron ore and the Brazilian insertion in this market. We raise the hypothesis of an ecologically unequal exchange North-South, which is reflected in an asymmetric material transfer to the Northern countries, and whose dynamics is important in understanding both the characteristics of the recent commodity boom and the implications on commodity-exporting countries. First, we show how the evidence of dematerialization of the developed economies is overestimated by analyses that have disregarded the growing international fragmentation of production in the last decades. As advanced economies specialize in specific stages at the two ends of supply chains, by developing intangible assets (research, design, marketing, etc.), the material weight of their economies is reduced relative to GDP, but capturing the largest value-added share of the chains maintains high consumption patterns based on "hidden" material stocks in other countries. Second, we discuss how the growing transnationalization of Asia, due to this international fragmentation of production, has promoted an unprecedented expansion of the demand for natural resources, fueling the recent cycle of appreciation of commodity prices. In the iron ore sector, despite its modernization and greater possibilities to attract financing, the rigidity of supply has amplified the increase in prices, allowing the entry of high-cost producers focused on the extraction of low quality iron ore. In Brazil, this meant expanding the iron ore frontier to regions of recognized environmental importance. The perverse dynamics behind the boom in prices would be evidenced by the reversal of these. Regardless of the irreversible interventions in the environment and the disruption in the way of life of entire communities, the financial viability of high-cost mining ventures has been compromised. The consequent devaluation of the assets of such enterprises, often acquired by other companies and reconfigured to operate even with a very low profitability, would further aggravate the excess supply in the sector, negatively pressuring prices and amplifying the transfer of material resources abroad. Finally, we describe how the development strategies adopted in Brazil during the commodity boom were reflected in the mining sector, there by contributing to boost a "neo-extractive" model in the country. In particular, we discuss the regulation of the sector and the development model present in the proposal of the new mining code, as well as the limits of the nationalism of natural resources as a response to the subordinate international insertion of the country. The "neo-extractivist" economic model has been evidenced by disputes over Brazilian environmental legislation, in which the "national interest" has prevailed as defended by the mining sector, in spite of other interests and values competing for mining. Thus, the absence of alternative views and development models has contributed to reinforce the structural character of the North-South ecologically unequal trade
Subject: Minerios de ferro
Comércio internacional
Economia - Brasil
Economia ecológica
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2017
Appears in Collections:IE - Tese e Dissertação

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