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Type: TESE DIGITAL
Title: Espaço de enunciação e processo de gramatização das línguas de Timor-Leste : a configuração discursiva de uma política de língua de Estado
Title Alternative: Enunciation space and grammatization process of East Timor languages : the discursive configuration of a language policy
Author: Silvestre, Simone Michelle, 1978-
Advisor: Zoppi-Fontana, Mónica, 1961-
Abstract: Resumo: O objetivo desta pesquisa de doutorado é apresentar e analisar as condições de produção envolvidas no processo de gramatização das línguas de Timor-Leste, principalmente nos séculos XIX e XX, e os efeitos ideológicos produzidos pela gramatização no país, este, desde sempre, afetado pelas divisões entre as línguas e os sujeitos. Para isso, detemos-nos em dois períodos históricos conflitantes na formação do território timorense: o da colonização portuguesa no Timor Português, do século XVI ao XX, e o do controle indonésio, entre 1976 a 1999. Sob a perspectiva da Análise Materialista do Discurso (AD), na sua relação com a História das Ideias Linguísticas (HIL), analisamos sequências discursivas produzidas, entre o século XVI ao XX, por viajantes, missionários católicos, governadores portugueses, guerrilheiros timorenses e discursos sobre as línguas dos prólogos de instrumentos linguísticos escritos pelos padres católicos nos últimos dois séculos. As análises realizadas apontaram que as divisões entre línguas e sujeitos em Timor existiram desde sempre. O malaio assumiu, por muitos séculos, o lugar da língua de comércio, inclusive, disputando espaço com o português. Este foi língua da catequese dos primeiros missionários e da administração colonial portuguesa nas capitais do país, Lifau e Díli. O tétum era a língua dos chefes timorenses, detentores do poder político e militar, católicos, falantes da língua do colonizador e subordinados a ele. Desse modo, foi a primeira língua descrita pelos missionários e aquela que as autoridades locais e portuguesa pretendiam para todo o Timor Português. Quanto às línguas dos espaços não falantes do tétum, do ponto de vista do colonizador, apontou-nas como as responsáveis pela falta de unidade linguística na ilha e que as mesmas não eram línguas. Como efeito do projeto colonial de política de línguas para Timor-Leste, que compreendia a diversidade linguística como um problema, foi que o processo de gramatização, no fim do século XIX, produziu e significou outros sentidos. A gramatização (re)dividiu o tétum e as demais línguas do território, já que aquele foi a única língua timorense promovida ao estatuto de língua e a única com instrumentos linguísticos para o ensino nas escolas oficiais. Na construção imaginária de uma aparente unidade linguística, a gramatização determinou uma norma de correção para as variedades de tétum do Timor Português. Ou seja, pela gramatização houve um tétum "correto" que apagou as variedades e uma aparente regularidade foi instaurada. Já entre o português e o tétum do ensino, estabeleceu-se uma parceria bastante desigual, uma vez que o tétum era língua de apoio para que o timorense aprendesse o português. Com a gramatização para o ensino, aqueles se tornaram línguas "parceiras", mas com estatutos de poder diferentes. No período da dominação indonésia, entre 1976 a 1999, a língua do Estado em Timor era a bahasa (língua) indonésia e o português foi proibido. Na interdição das línguas em Timor-Leste, o português e o tétum foram as línguas que resistiram pelo fato de serem as duas únicas com gramática, o que, de certo modo, permitiu aos timorenses garantirem pela língua algo que os diferenciassem dos indonésios

Abstract: This doctoral research presents and analyzes the conditions of production related to the grammatization process of the languages of East Timor, mainly in the 19th and 20th centuries, and also the ideological effects produced by grammatization process in the country, this one affected by the divisions between languages and subjects since always. To do so, we focus on two historical periods crowded of conflicts concerning the formation of the Timorese territory: the Portuguese colonization in Portuguese Timor, from the 16th to the 20th century; and the Indonesian control, from 1976 to 1999. From the perspective of Materialist Discourse Analysis (AD), in its relation with the History of Linguistic Ideas (HIL), we analyze discursive sequences produced by travelers, Catholic missionaries, Portuguese governing authorities, Timorese guerrillas and speeches about languages of the prologues of linguistic instruments written by Catholic priests in the last two centuries. The analyzes pointed out that the divisions between languages and subjects in Timor have always existed. For many centuries, Malay has taken the place of the language of commerce, even disputing space with Portuguese. This one was the language of the catechesis of the first missionaries and the Portuguese colonial administration in the capitals of the country, Lifau and Dili. Tetum was the language of Timorese chiefs, holders of political and military power, Catholics, speakers of the colonizer language and his subordinates. In this way, tetum was the first language described by the missionaries and the one that the local and Portuguese authorities intended for the whole Portuguese Timor. With regard to the languages of the non-Tetum-speaking spaces, what we know from the colonizer point of view has pointed these unofficial languages as responsible for the lack of linguistic unity on the island, and the affirmation that they were not languages. As an effect of the East Timor colonial language policy project ¿ which considered the linguistic diversity as a problem ¿ the process of grammatization in the end of the nineteenth century produced other meanings and senses. The grammatization (re)divided the Tetum and other languages of the territory, since Tetum was the only Timorese language promoted to the status of language and the only one with linguistic instruments for official educational sistem. In the imaginary construction of an apparent linguistic unit, the grammatization determined a standard pattern of correction for the Tetum varieties of Portuguese Timor. It means that by grammatization there was a "correct" Tetum that obliterated the other linguistic varieties and then an apparent regularity took place. In the other hands, a very uneven partnership was established between Portuguese and Tetum in teaching, since Tetum works as a language of support for the Timorese to learn Portuguese. With grammatization, those have become "partner" languages, but with different power statutes. In the period of Indonesian domination, between 1976 and 1999, the state language in Timor was Indonesian Bahasa (language) and Portuguese was banished. In the interdiction of languages in East Timor, Portuguese and Tetum were the languages that resisted because they were the only two languages with grammar, which somehow allowed the Timorese to guarantee by language something that make them different from the Indonesians
Subject: Língua portuguesa - Timor Leste
Língua tétum
Língua indonésia - Timor Leste
Gramática comparada e geral - Gramatização
Enunciação (Linguística)
Política linguística - Timor Leste
Ideias linguisticas - História
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2016
Appears in Collections:IEL - Dissertação e Tese

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