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Type: TESE DIGITAL
Degree Level: Doutorado
Title: Patologias sociais, sofrimento e resistência : reconstrução da negatividade latente na teoria crítica de Axel Honneth
Title Alternative: Social pathologies, suffering and resistance : reconstruction of the latent negativity in Axel Honneth's critical theory
Author: Teixeira, Mariana Oliveira do Nascimento, 1984-
Advisor: Nobre, Marcos Severino, 1965-
Abstract: Resumo: Esta tese reconstrói a obra de Axel Honneth desde os estudos preparatórios para a teoria da luta por reconhecimento até os desenvolvimentos mais recentes, vinculados à ideia de liberdade social. A partir da análise das insuficiências teóricas do modelo crítico do reconhecimento, examina-se a possibilidade de encontrar, na própria lógica interna da teoria honnethiana, elementos que contribuam para superá-las. Tendo como referência sua perspectiva acerca dos potenciais de resistência frente a experiências de injustiça vivenciadas pelos atores sociais como sofrimento, são identificadas e discutidas três fases no pensamento do autor. 1) Modelo crítico do reconhecimento: nas décadas de 1980 e 1990, Honneth recorre à ideia de interesse emancipatório, segundo a qual o bloqueio da autorrealização causa nos atores sociais concernidos algum tipo de mal-estar que, por sua vez, guarda potenciais motivacionais para a resistência à dominação e a luta pela libertação do sofrimento. A experiência de injustiça representa, assim, uma oportunidade para os atores sociais articularem de modo reflexivo as expectativas normativas que conformam o seu repertório moral. 2) Fase de transição: durante os anos 2000, apresenta-se nos escritos de Honneth um bloqueio sistemático na conexão motivacional entre sofrimento e resistência. Nesse contexto, apesar de a ideia de sofrimento permanecer central, seu potencial de impulsionar uma resistência ativa nos atores concernidos sai de cena como consequência de um diagnóstico de época mais sofisticado, que identifica patologias sociais justamente na erosão do aspecto motivacional da experiência de sofrimento. 3) Modelo crítico da liberdade social: a partir da década de 2010, a ausência na obra do autor de análises sobre a possibilidade de resistência à dominação social pode ser atribuída à adoção de um modelo teórico de tendência sistêmica. Com o foco não mais nas experiências de desrespeito nem nas patologias sociais, mas nas chamadas anomalias sociais ¿ entendidas como desequilíbrios funcionais na reprodução social ¿, Honneth deixa em segundo plano precisamente seu impulso teórico inicial: a busca por superar, no pensamento crítico, as abordagens funcionalistas que impediam que se revelasse, no âmbito da própria vida social, um potencial latente de resistência. Honneth abandona o vínculo fundamental, anteriormente defendido, entre desrespeito, sofrimento e disposição para a resistência. Tal ruptura não é fruto de um diagnóstico de tempo, como no caso das patologias sociais, mas de uma reorientação teórica em direção à perspectiva do observador, em detrimento da do participante, minando com isso o poder explicativo e normativo da ideia de interesse emancipatório. Todavia, uma noção ampliada de reconstrução normativa com foco na negatividade latente da realidade social (desenvolvida a partir da própria obra de Honneth, mas indo além de suas formulações mais recentes) pode assumir um caráter emancipatório ¿ não porque de algum modo desfaz o dano causado pelo sofrimento, mas antes porque contribui para o trabalho reflexivo, distorcido por fenômenos patológicos, de articulação social do sofrimento individualmente experienciado. É, assim, na interação concreta entre as perspectivas do observador e do participante, mediada pela colaboração entre filosofia, teoria social e pesquisas empíricas, que uma teoria crítica reconstrutiva pode fazer justiça às suas intenções práticas

Abstract: This thesis reconstructs the work of Axel Honneth from his preparatory studies for the theory of the struggle for recognition to his more recent approach focused on the idea of social freedom. From an analysis of the theoretical insufficiencies of the critical model of recognition, I examine the possibility of finding, within the internal logic of Honneth¿s theory, elements that can contribute to overcome them. Three phases are identified and discussed in the author¿s thinking, regarding his take on the social potentials for resistance to experiences of injustice that are lived by social actors as suffering. 1) The critical model of recognition: In the 1980s and 1990s, Honneth relies heavily on the idea of emancipatory interest, according to which obstacles to self-realization cause, in the social actors concerned, some kind of malaise that holds, in turn, a motivational potential for resistance to domination and for a struggle for liberation from suffering. The experience of injustice represents, therefore, an opportunity for social actors to articulate in a reflective way the normative expectations that conform their moral repertoire. 2) Transition phase: During the 2000s, a systematic blockage in the motivational connection between suffering and resistance appears in Honneth¿s writings. In this context, although the idea of suffering remains central, its potential to foster active resistance drops out of sight as a consequence of a more elaborate time diagnosis that identifies social pathologies precisely in the erosion of the motivational aspect of experienced suffering. 3) The critical model of social freedom: From the 2010s on, the absence of analyses on the possibility of resistance to social domination in Honneth¿s writings can be attributed to the adoption of a theoretical model with systemic-theoretical tendencies. No longer focusing on experiences of disrespect or social pathologies, but rather on so-called social anomalies ¿ understood as functional imbalances in social reproduction ¿, Honneth risks weakening precisely his initial theoretical impulse: the effort to overcome, in the critical tradition, functionalist approaches that prevent it from revealing latent potentials for resistance within social life itself. Honneth abandons the fundamental link he previously advocated between disrespect, suffering, and disposition for resistance. Such rupture is not the result of a time diagnosis, as in the case of social pathologies, but of a theoretical reorientation towards the viewpoint of the observer, to the detriment of that of the participant, thereby undermining the explanatory and normative power of the idea of emancipatory interest. However, a broadened notion of normative reconstruction that focuses on the latent negativity of social reality (developed from Honneth¿s own work but going beyond its more recent formulations) can assume an emancipatory character ¿ not because it undoes the damage caused by suffering, but rather because it contributes to the reflexive work, distorted by social pathologies, of socially articulating individually experienced suffering. It is, thus, in the concrete interaction between the perspectives of the observer and of the participant, mediated by the collaboration between philosophy, social theory, and empirical research, that a reconstructive critical theory can do justice to its practical intentions
Subject: Honneth, Axel, 1949-
Teoria crítica
Reconhecimento (Filosofia)
Patologia - Filosofia
Negatividade (Filosofia)
Editor: [s.n.]
Citation: TEIXEIRA, Mariana Oliveira do Nascimento. Patologias sociais, sofrimento e resistência: reconstrução da negatividade latente na teoria crítica de Axel Honneth. 2016. 1 recurso online (388 p.). Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP. Disponível em: <http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/321432>. Acesso em: 31 ago. 2018.
Date Issue: 2016
Appears in Collections:IFCH - Tese e Dissertação

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