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Type: TESE
Title: Ecologia comportamental e de interações com plantas hospedeiras em Phyllophaga cuyabana (Moser) (Coleoptera:Melolonthidae, Melolonthinae) e implicações para o seu manejo em cultura de soja
Author: Oliveira, Lenita Jacob
Advisor: Garcia, Maria Alice, 1952-
Abstract: Resumo: A soja (Glycine max (L.) Merrill) é uma espécie cultivada introduzida que vem se expandindo, no Brasil, há cerca de quatro décadas e que ainda apresenta alguns nichos alimentares desocupados ou ineficientemente explorados por artrópodos e outros colonizadores fitófagos. Na última década, no Brasil, alguns insetos de hábito subterrâneo foram considerados pragas dessa cultura, provavelmente devido a mudanças no sistema de cultivo e à expansão da cultura para novas áreas. esta é a situação de Phyllophaga cuyabana (Moser), espécie nativa do Brasil, tem se caracterizado como praga da soja na região Centro Oeste do Estado do Paraná, onde suas larvas consomem as raízes dessa leguminosa. O objetivo deste trabalho é aumentar os conhecimentos sobre a biologia e a ecologia desse inseto, considerando aspectos como comportamento, distribuição estacional das fases de desenvolvimento do inseto e aspectos de sua interação com a planta hospedeira, visando fornecer subsídios para a elaboração de uma estratégia para seu controle em lavouras de soja. Foram comparadas respostas populacionais das fases imaturas e comportamentais do adulto, em diferentes sistemas de manejo do solo e da cultura da soja. O ciclo de vida de P. cuyabana está em sincronia com a cultura da soja e com a época de sua semeadura na região e o padrão de flutuação populacional, ao longo do ano, pode ser explicado, em parte, por fatores físicos, principalmente a temperatura. O adulto, única fase que ocorre fora do solo, parece ser a fase mais suscetível e adequada como alvo de controle, pois apresentou aspectos comportamentais que podem ser explorados numa estratégia de manejo. Na época de acasalamento (novembro/ dezembro) estes insetos tendem a se agregar, fora do solo, em locais onde a vegetação é mais alta e a maioria sai do solo, em dias alternados, retomando após a cópula. A procura de sítios de oviposição provavelmente ocorre antes da cópula, uma vez que, após o acasalamento, os adultos não voam e se enterram em locais próximos. Só as remeas se alimentam e, algumas espécies vegetais, como girassol (Helianthus annus) e Crotalaria juncea, são mais consumidas do que a soja. As fêmeas selecionam o sítio de acasalamento e oviposição em função da conspicuidade da planta hospedeira. A escolha de plantas mais altas, como local de acasalamento, parece estar relacionada à facilidade de encontro de parceiros e proximidade de sítios propícios à oviposição. Sítios conspícuos na área de cultivo, onde houve agregação de adultos, estão associados à ocorrência de maior densidade de larvas na geração seguinte, que coincide com o ciclo seguinte da soja. Como os adultos são atraídos por sítios conspícuos, a cultura de milho (Zea mays) pode ser usada para concentrar os adultos em determinadas áreas e facilitar seu controle, uma vez que esta cultura, na região, é semeada bem antes da soja. A sobrevivência das larvas foi fortemente influenciada pela espécie vegetal ingerida, principalmente nos primeiros estádios. A biomassa final das larvas sobreviventes até a diapausa foi menor para as larvas que se alimentaram de algodão (Gossipium hirsutum), Crotalaria spectabilis e C. juncea. No entanto, as espécies de Crotalaria, que podem atrair os adultos de P. cuyabana têm grande potencial para integrar um programa de manejo, como cultura armadilha. Apesar de P. cuyabana ter mostrado flexibilidade de preferência e nem sempre ter evitado totalmente plantas inadequadas ao desenvolvimento dos estágios imaturos, de maneira geral, seguiu a hipótese evolutiva de que as fêmeas de insetos tendem a ovipor mais onde a sobrevivência da prole é maior. O manejo convencional do solo, da maneira como é realizado na região, geralmente uma aração superficial seguida de uma ou duas gradagens, não afetou a população. Apesar do nível populacional ter sido semelhante no manejo convencional e na semeadura direta, a distribuição das larvas observada no perfil do solo sugere que a utilização de implementos que atinjam maior profundidade trazendo as larvas para a superfície, pode contribuir para o decréscimo da população nas áreas onde a ocorrência de altas populações for confirmada. A alteração da época de preparo do solo, mudando-a para após a colheita da soja em áreas muito infestadas, também poderia integrar uma estratégia de controle, pois nessa época, as larvas ainda não teriam se aprofundado no solo. o comportamento e os aspectos biológicos do inseto indicam que medidas isoladas dificilmente seriam suficientes para controlá-lo, mas os maiores esforços de pesquisa devem continuar dirigidos para o controle do adulto, uma vez que este estágio é o mais exposto aos efeitos de variação no habitat e pode ser o estágio mais suscetível a agentes potenciais de controle biológico, produtos químicos seletivos e feromônios

Abstract: Soybean (Glycine max (L.) Merrill) is an introduced crop which has been expanding in Brazil during the last four decades. There are still some nutricional niches unoccupied or inefficiently explored by arthropods and other colonizing herbivores. Some insects with subterranean habitat have been considered soybean pests in Brazil in the last ten years, probably due to changes in the cultivation system and crop expansion to new areas. Phyllophaga cuyabana (Moser), a native Brazilian species, has been characterized as a soybean pest in the Central Westem region of Paraná State, where the larvae attacks soybean roots. This study was carried out to increase knowledge on the biology and ecology of P. cuyabana, considering aspects such as behavior, seasonal distribution of development stages and host-plant interactions, aiming to supply information to set up a control strategy for this insect in soybean fields. The effects of various soil management and soybean cropping systems on the populations of immature and adult insects were compared. The life cycle of the P. cuyabana is synchronized with the soybean crop and its sowing in the region. The population variation pattern during the year is partly explained by physical factors, mainly temperature. The only stage which occurs above the ground is the adult. It seems to be the most susceptible and adequate for control purposes because its behavior can be used in a management strategy. During the mating season (November/December) these insects tend to gather above the soil in places where the vegetation is higher and the majority leave the soil, on alternate days, returning after copulation. The search for egg laying sites probably takes place before mate, since the adults do not fly but bury themselves in nearby places after finishing copulation. Only the females feed, and some vegetable species, such as sunflower (Helianthus annus) and Crotalaria juncea, are more consumed than soybean. The females select the copulation and egg laying sites depending on the conspicuousness of the host plant. The choice of taller plants as the copulation site seems to be related to the ease of meeting partners and the proximity of good egg laying sites. Conspicuous sites in the cultivation area, where there were large adult gatherings, are associated with a greater larvae density occurrence in the following generation in the next season. As the adults are attracted by conspicuous sites, the maize crop (Zea mays) could be used to concentrate the adults in certain areas and facilitate their control. Maize is sown well before soybean in the region and will provide an adequa te mating place. Survival of the larvae was greatly influenced by the vegetable species ingested, mainly in the early stages. The final biomass of the surviving larvae, until diapause, was smaller for larvae fed on cotton (Gossipium hirsutum), Crotalaria spectabilis and C. juncea. However, Crotalaria species, which could attract P. cuyabana adults have a high potential for integrating a management program as a trap crop. Although P. cuyabana has shown preference flexibility and has not always completely avoided unsuitable plants for the immature stages development it followed, generally, the hypothesis that the female phytophagous insects tend to lay eggs where the survival of the offspring is greatest. Conventional soil management, used in this region, generally a superficial plowing followed by disking twice, did not affect the the population. Although the populational density was similar under conventional and no tillage management, the larvae distribution observed in soil profiles suggests that the use of implements which reach a greater depth, bringing the larvae to the surface, may contribute to control the insect in areas where the occurence of high population was confirmed. Changing the soil preparation period, to after the soybean harvest in highly infested areas, could also be part of a control strategy, because in this period, the larvae are not yet very deep in the soil. The behavior and the biological aspects of the insect indicate that isolated measures would not be enough to control it. Research efforts to control the adult should continue, as this stage is more exposed to the effects of habitat variation and may be the most adequate for the use of potential biological control agents
Subject: Relação inseto-planta
Inseto - Comportamento
Ecologia
Soja
Artropode
Language: Português
Editor: [s.n.]
Date Issue: 1997
Appears in Collections:IB - Tese e Dissertação

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