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Type: TESE DIGITAL
Degree Level: Doutorado
Title: Composição corporal, aptidão física e fatores de risco cardiometabólico de crianças e adolescentes infectados pelo HIV em terapia antirretroviral combinada
Title Alternative: Body composition, physical fitness and cardiometabolic risk factors from HIV-infected children and adolescents on highly active antiretroviral therapy
Author: Ramalho, Luiz Carlos de Barros, 1980-
Advisor: Silva, Marcos Tadeu Nolasco da, 1960-
Abstract: Resumo: INTRODUÇÃO: Desde o início da pandemia, acumulam-se evidências que demonstram estreita relação de aspectos nutricionais, crescimento e desenvolvimento com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). Nas últimas duas décadas, a implementação da Terapia Antirretroviral Combinada (TARV) mudou significativamente esse quadro, proporcionando melhora na qualidade de vida, redução na incidência de infecções oportunistas e de recuperação de padrões normais de crescimento. Por outro lado, em consequência do tratamento, durante um longo período, uma variedade de efeitos adversos, como lipodistrofia e alterações metabólicas, tem sido identificada. OBJETIVO: avaliar a composição corporal e os fatores de risco cardiometabólicos, qualidade óssea e atividade e aptidão física em crianças e adolescentes infectados pelo HIV, em tratamento antirretroviral, em seguimento no Serviço de Imunodeficiência Pediátrica do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). MÉTODOS: Trata-se de estudo tipo corte transversal, em que foram avaliados crianças e adolescentes com idade de 7 a 20 anos, em TARV. As coletas foram realizadas em dois momentos: Os dados do capítulo 1; compreenderam o período de maio de 2008 a setembro de 2009. Foram avaliados 101 pacientes. As coletas dos capítulos 2,3 e 4 compreenderam de abril de 2012 a maio de 2014. Foram sorteados por meio de amostragem simples e avaliados 50 pacientes e 64 controles. A composição corporal foi mensurada por variáveis antropométricas e pela técnica Dual-energy X-ray Absorptiometry (DXA). A lipodistrofia foi identificada por avaliação clínica. As categorias clínicas e imunológicas da infecção pelo HIV foram definidas por critérios do Ministério da Saúde do Brasil. Foram avaliados, em jejum, por ensaios no soro, os dados metabólicos; colesterol total e frações, insulina, glicemia, Fator de Necrose Tumoral ?, Interleucina-6, leptina e adiponectina, CD4+ e carga viral. Empregou-se recordatório alimentar de 24 horas para avaliar a dieta e questionários (IPAQ-C e PAQ-C) para Atividade Física. Foram aplicados testes de aptidão física: salto horizontal, flexão e extensão do cotovelo, abdominal, flexibilidade e consumo máximo de oxigênio (VO2 máx). Foram consideradas significativas diferenças com "p" ? 0,05. RESULTADOS: No capítulo 1, as prevalências de lipoatrofia e lipohipertrofia foram de 38,29% e 40,42%, respectivamente. Observou-se associação direta entre a presença de lipoatrofia e uso atual de inibidor da protease (OR=3,17; IC95% = 1,13 - 8,89) e inversa com de níveis de leptina (OR=0,87; IC95% = 0,77 - 0,99). Os pacientes com lipohipertrofia apresentaram associação direta com a medida da Circunferência da Cintura > p90 (OR=7,63; IC95% =2,28 - 25,48), Relação Cintura/Quadril > p90 (OR=4,71; IC95% = 1,12 - 19,80) e níveis elevados de triglicerídeos (OR=3,22; IC95% = 1,13 - 9,19). Nos capítulos 2,3 e 4, a prevalência de lipoatrofia foi de 36% dos pacientes, estando associada com a menor circunferência da cintura (p=0,047), menores valores de IMC (p=0,002) e maior índice cintura/coxa (p=0,044). Ao comparar as diferenças entre grupos, os pacientes com lipoatrofia apresentaram associação com a desnutrição (p=0,008), menor gordura truncal (p=0,05), baixo percentual de gordura (p=0,022), menores medidas de circunferências: coxa (p=0,002) e bíceps (p=0,029), menor DMO total e lombar (p=0,015 e p=0,034, respectivamente). Não se observou nenhuma associação entre os ambos os grupos com a prática de atividade física e testes de força e resistência muscular localizada, flexibilidade e VO2 máx. Ao avaliar a lipohipertrofia, a prevalência foi de 22% dos pacientes. Observou-se nesta população maior percentual de gordura corporal (p=0,008), gordura no tronco (p=0,011) maior IMC (p<0,001), baixa prevalência de categoria 3 (p=0,035) e menor distância de salto horizontal (p=0,047). Todos os pacientes com lipohipertrofia apresentaram maiores valores em todos os componentes de gordura corporal em comparação aos sem lipohipertrofia (p<0,05), exceto na gordura visceral. Nenhuma associação foi encontrada entre os grupos com ou sem lipohipertrofia com a prática de atividade física e testes de força e resistência muscular localizada, flexibilidade e VO2 máx. Ao comparar o grupo HIV e controle, o grupo HIV apresentou menores medidas de percentual de gordura corporal (p=0,002), circunferência da cintura (p<0,001), relação cintura quadril (p=0,011), massa muscular (p=0,001), tempo de atividade física (p<0,001), VO2 máx (p<0,001), flexão abdominal (p=0,001) e maior gordura no tronco (p=0,004) e ingesta alimentar (p<0,001). Os pacientes na categoria clínica C apresentaram menores valores de DMO total (p=0,018) e fêmur (p=0,040). Aqueles na categoria imunológica 3 revelaram menor DMO: total (p=0,003), fêmur (p=0,045) e coluna lombar (p=0,026). Os tabagistas tiveram menor DMO na coluna lombar (p=0,007). A massa muscular de diversos segmentos corporais apresentou correlações positivas com a DMO total, do fêmur total e colo do fêmur, coluna lombar. A DMO do colo do fêmur apresentou uma correlação com a flexão e extensão do cotovelo (rs=0,400; p=0,006), salto horizontal (rS=0,475; p = 0,001), teste abdominal (rs=0,388; p=0,008) e VO2 máx (rs=0,297; p=0,053). A DMO fêmur total apresentou uma correlação positiva com a flexão e extensão do cotovelo (rs =0,491; p=0,001), salto horizontal (rs= 0,455; p=0,002), teste abdominal (rs=0,422; p=0,004) e VO2 máx (rs=0,304; p=0,047). CONCLUSÃO: Concluímos que as crianças e adolescentes infectadas pelo HIV apresentaram maior acometimento na composição corporal, estado nutricional, baixos níveis de atividade física e aptidão física. Tais achados encontrados alertam já na adolescência para um risco precoce de doenças cardiovasculares e comprometimento da qualidade óssea. Palavras-chaves: HIV; composição corporal; terapia antirretroviral de alta atividade; criança; adolescente; fatores de risco; aptidão física

Abstract: INTRODUCTION: Since the beginning of the pandemic, evidence accumulated demonstrating close relationship of nutrition, growth and development issues with the Acquired Immune Deficiency Syndrome (AIDS). Over the past two decades, the implementation of Highly Active Antiretroviral Therapy (HAART) has significantly changed this situation by providing improved quality of life, reduction in the incidence of opportunistic infections and recovery of normal growth patterns. Moreover, as a result of treatment over a long period, a variety of adverse side effects, such as lipodystrophy and metabolic disorders, has been identified. OBJECTIVE: To assess body composition and cardiometabolic risk factors, bone quality and physical activity in children and adolescents infected with HIV on antiretroviral treatment, in follow up at the Immunodeficiency Service of State University of Campinas (Unicamp) university hospital. METHODS: This cross-sectional study evaluated children and adolescents aged 7-20 years on HAART. Samples were taken in two stages: data shown in chapter 1 comprehended May 2008 to September 2009. We evaluated 101 patients. The collections of chapters 2, 3 and 4 comprised April 2012 to May 2014. Fifty patients and 64 controls were randomly selected and evaluated. Body composition was measured by anthropometric variables as weight, height, circumferences, skinfold thickness and Dual-energy X-ray Absorptiometry (DXA). Lipodystrophy was identified by clinical evaluation. The clinical and immunological categories of HIV infection were defined by Ministry of Health of Brazil criteria. In the fasting state, by serum testing, and metabolic data; Total cholesterol and lipoproteins, insulin, glucose, Tumor Necrosis Factor alpha, Interleukin-6, leptin and adiponectin, CD4+ and viral load were evaluated. Twenty-four-hour dietary recall was employed to evaluate the diet and questionnaires (IPAQ-C and PAQ-C) for Physical Activity. Physical fitness tests were applied: horizontal jump, flexion and extension of the elbow, abdominal, flexibility and maximum oxygen consumption (VO2 max). Differences were considered significant with "p" ? 0.05. RESULTS: In chapter 1, the prevalences of lipoatrophy and lipohypertrophy were 38.29% and 40.42%, respectively. There was a direct association between the presence of lipoatrophy and current use of protease inhibitor (OR = 3.17, 95% CI 1.13 - 8.89) and inverse with leptin levels (OR=0.87; IC95% CI 0.77 - 0.99). Patients with lipohypertrophy showed direct association with the measurement of waist circumference > 90th percentile (OR=7.63, 95% CI 2.28 - 25.48), waist-hip ratio > 90th percentile (OR=4.71; 95% CI = 1.12 - 19.80) and elevated triglycerides (OR=3.22, 95% CI 1.13 - 9.19). In chapters 2,3 and 4, the prevalence of lipoatrophy was 36%, being associated with lower waist circumference (p=0.047), lower BMI (p=0.002) and a higher waist/thigh index (p=0.044). By comparing the differences between groups, lipoatrophy was associated with malnutrition (p=0.008), lower fat in the trunk (p=0.05), lower fat percentage (p=0.022), lower circumference measures of thigh (p=0.002) and biceps (p=0.029), lower lumbar BMD (p=0.015 and p=0.034, respectively), compared to those without lipoatrophy. No association was observed between both groups with physical activity and strenght tests and muscular endurance, flexibility and VO2 max. In assessing lipohypertrophy, the prevalence was 22%. It was observed in this population higher percentage of body fat (p=0.008), fat in the trunk (p=0.011), BMI (p<0.001), lower prevalence of Category 3 (p=0.035) and shorter distance of horizontal jump (p=0.047). Lipohypertrophy patientes showed higher values in all body fat components compared to those without lipohypertrophy (p<0.05), except in visceral fat. No association was found between the groups with or without lipohypertrophy with physical activity and strenght tests and muscular endurance, flexibility and VO2 max. When comparing HIV and control groups, the HIV group showed lower percentage of body fat (p=0.002), waist circumference (p<0.001), waist-hip ratio (p=0.011), muscle mass (p=0.001), physical activity (p<0.001), VO2 max (p=0.001), abdominal flexion (p=0.001) and increased fat in the trunk (p=0.004) and food intake (p<0.001). Patients in clinical category C had lower total BMD values (p=0.018) and femur (p=0.040). Those in immunological category 3 showed lower BMD: total (p=0.003), femur (p=0.045) and lumbar spine (p=0.026). Smokers had lower BMD at the lumbar spine (p=0.007). Muscle mass of various body segments showed positive correlations with the total BMD of the hip, femoral neck and lumbar spine. Femoral neck BMD showed a correlation with flexion and extension of the elbow (rs =0.400; p=0.006), standing long jump (rs=0.475; p=0.001), abdominal test (rs=0.388; p=0.008) and VO2 max (rs=0.297; p= 0.053). A total hip BMD showed a positive correlation with flexion and extension of the elbow (rs=0.49; p=0.001), standing long jump (rs=0.455; p=0.002), abdominal test (rs=0.422; p=0.004) and VO2 max (rs=0.304; p=0.047). CONCLUSION: We conclude that children and adolescents infected with HIV had greater involvement in body composition, nutritional status, low levels of physical activity and physical fitness. Such findings already warn about an early risk in adolescence of cardiovascular disease and bone quality commitment. Keywords: HIV; body composition; antiretroviral therapy, highly active; child; adolescent; risk factors; physical fitness
Subject: Composição corporal
Terapia antirretroviral de alta atividade
Crianças
Adolescentes
Fatores de risco
Aptidão física
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2016
Appears in Collections:FCM - Tese e Dissertação

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