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Type: TESE
Title: Alterações cardiovasculares induzidas pelo veneno da aranha (Phoneutria nigriventer) em ratos anestesiados
Author: Costa, Soraia Katia Pereira
Advisor: Antunes, Edson, 1960-
Abstract: Resumo: Esta tese descreve os efeitos do veneno da aranha Phoneutria nigriventer sobre a pressão arterial média (PAM) e em corações isolados de ratos. Para avaliação dos parâmetros in vivo, o método utilizado consistiu basicamente de monitorização da PAM de ratos anestesiados através de transdutor de pressão. Os parâmetros in vitro foram avaliados em função da pressão desenvolvida no ventrículo esquerdo (PDVE), freqüência cardíaca (medidos através de um balão inserido na cavidade ventricular) e fluxo coronariano (coleta do efluente coronariano) em intervalos de tempo préestabelecidos. A administração endovenosa do veneno de Phoneutria nigriventer (0,1 mg/kg) produziu hipotensão rápida e reversível. Na dose de 0.3 mg/kg, o veneno evocou alterações bifásicas caracterizadas por hipotensão transitória seguida por hipertensão prolongada e discreto aumento da freqüência cardíaca. Tais alterações foram acompanhadas por fasciculações generalizadas, diurese, defecação, sialorréia, cianose e dispnéia. Doses de veneno mais elevadas (0.6 mg/kg) produziram alterações mais intensas, dessincronizadas e determinou a morte de 75 % (n=20) dos animais. O tratamento prévio dos animais com atropina, propranolol ou fenoxibenzamina não aboliu as alterações induzidas pelo veneno in vivo, excluindo o possível envolvimento do sistema nervoso autônomo nessa resposta. Posteriormente, investigamos o envolvimento de componentes como cininas, PAF, neurocininas e NO na resposta hipotensora induzida pelo veneno in vivo. O tratamento prévio dos animais com Hoe 140 (antagonista de receptores 82), WE8 2086 (antagonista de PAF), SR 140333 (antagonista de receptores NK1) ou L-NAME (inibidor da síntese de óxido nítrico) não alterou de modo significativo a hipotensão induzida pelo veneno sugerindo que tais mediadores não estão envolvidos nessa resposta hipotensora. A ausência de efeito da indometacina sobre a resposta bifásica induzida pelo veneno sugere que a hipotensão e hipertensão não são decorrentes da formação de PGb e TXA2, respectivamente. Finalmente, a queda na PAM induzida pelo veneno foi parcialmente inibida pelo bloqueador dos canais de potássio dependentes de ATP (glibenclamida) indicando que a hipotensão induzida pelo veneno é mediada, pelo menos em parte, da ativação de canais de potássio. A resposta hipertensora induzida pelo veneno não foi alterada nos animais tratados com antagonista de receptores AT1 de angiotensina II (Losartan) ou com antagonista de receptores de endotelina do tipo ETA(FR 139317) indicando que o veneno não estimula o sistema renina angiotensina e nem promove a liberação de ET-1 no organismo. Contudo, esse aumento de PAM induzido pelo veneno de Phoneutria nigriventer foi marcadamente reduzido de modo dose-dependente com antagonistas de canais de Ca2+ do tipo L (verapamil, diltiazem e nifedipina) sugerindo que essa hipertensão arterial é dependente da ativação de canais de cálcio do tipo L. A administração inta-aórtica do veneno (50 µg) em corações isolados produziu inotropismo positivo (aumento da PDVE) acompanhado por discreto cronotropismo positivo (aumento da FC). Na dose de 100 µg o veneno produziu inotropismo positivo imediato seguido por bloqueio átrio-ventricular transitório, bradicardia, aumento da pressão diastólica e queda do fluxo coronariano. Em corações isolados, a infusão contínua de propranolol foi capaz de proteger os corações das alterações induzidas pelo veneno em ambas as doses. Entretanto, o tratamento dos corações com atropina não modificou signifrcativamente tais alterações, exceto, uma discreta proteção sobre a bradicardia observada com altas doses do veneno. Isto sugere que nesta preparação in vitro, o veneno promove liberação de noradrenalina e acetildblina das terminações nervosas simpáticas e parassimpáticas do músculo cardraco. Todavia, embora o veneno produza a liberação desses neurotransmissores in vitro, concluimos que estes não são os responsáveis pela hipotensão e hipertensão observados in vivo em virtude dos resultados negativos obtidos com atropina, fenoxibenzamina e propranolol

Abstract: The changes induced in the mean arterial blood pressure (MABP) of anaesthetised rats following the administration of armed spider (Phoneutria nigriventer) venom have been investigated. The intravenous injection of Phoneutria nigriventer venom (PNV; 0.1 mg/kg) evoked a brief and reversible decrease in the MABP whereas a higher dose of venom (0.3 mg/kg) caused a biphasic response characterized by a short lasting hypotension followed by a sustained and prolonged hypertension (40-50 min). These changes were accompanied by tachycardia, salivation, fasciculations, defecation and respiratory disturbances. Pretreatment of the animais with atropine (10 mg/kg), propranolol (100 mg/kg), phenoxybenzamine (100 mg/kg) and indomethacin (4 mg/kg) did not significantly affect the MABP changes induced by PNV. Similarly, the bradykinin B2 receptor antagonist Hoe 140 (0.6 mg/kg), the PAF antagonist WEB 2086 (20 mg/kg), the NK1 receptor antagonist SR 140333 (0.5 mg/kg) and the nitric oxide synthase inhibitor Nro-nitro-L-arginine methyl ester (10 mg/kg) had no significant effect on the PNV-induced MABP changes. The increase in the MABP induced by PNV was also not significantly affected by either angiotensin 11 receptor antagonist losartan (10 mg/kg) or the endothelin ET A receptor antagonist FR 139317 (30 mg/kg). The A TP-dependent potassium channel antagonist glibenclamide (50 mg/kg) reduced by 40% the hypotension induced by Pf'JV without affecting the hypertensive response. Pretreatment of the animais with Ltype Ca2+ channel antagonists such as verapamil (10-100 µ/kg/min), diltiazem (40-120 /-l9/kg/min) and nifedipine (0.3-10 mg/kg) markedly attenuated the PNVinduced hypertension. Verapamil (30 µ/kg/min) and diltiazem (120µ/kg/min) also promptly reversed the established hypertension induced by PNV when infused 8 min after venom injection. Our results indicate that the brief decrease of blood pressure induced by PNV is partially due to A TP-dependent or calcium activated channels activation. The prolonged hypertension seems to result from direct calcium entry in vascular and/or cardiac muscles. Phoneutria nigriventer venom (PNV; 50 and 100 µg) was also investigated in isolated rat hearts by the Langendorff method. Doses of 50 µg evoked a significant positive inotropism (increase of left ventricule developed pressure; LVDP) associated with discreete positive cronotropism. Higher doses of PNV (100µg caused an immediate increase of L VDP followed by bradicardy and temporary atrium-ventricule blockad (AVB). This was accompained by significant reduction of coronary blood flow. These changes were prevented by the P-blocker propranolol indicating that such effects are caused by activation of sympathetic nerve endings and hence noradrenaline release. Since atropine potentiated the increase of L VDP and attenuated the bradicardia induced by PNV, it is likely that PNV also induces the release of acetylcholine from parassympathetic nerve endings. However, the release of both noradrenaline and acetylcholine from the rat hearts does not probably account for the cardiovascular changes observed in vivo. The in vivo effect is likely to be of peripheral or CNS, rather than cardiac, origin
Subject: Aranha - Veneno
Calcio - Antagonistas
Hipertensão
Language: Português
Editor: [s.n.]
Date Issue: 1996
Appears in Collections:FCM - Tese e Dissertação

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