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Type: TESE DIGITAL
Title: Narrativas etnográficas em tradução : histórias da comadre Esperanza
Title Alternative: Ethnographic Narratives in translation : comadre Esperanza's stories
Author: Melian Zamora, Rita Elena, 1985-
Advisor: Veras, Viviane, 1950-
Veras, Maria Viviane do Amaral, 1950-
Abstract: Resumo: Na presente pesquisa abordo questões de tradução e terminologia das denominadas ciências sociais e humanas, um tipo de fazer científico cuja linguagem (pensemos nas palavras ou termos, e conceitos que constroem esse saber) parece se encontrar, como na obra de Guimarães Rosa, na terceira margem do rio, ou seja, em plena corrente. Interesso-me, em especial, pela tradução de narrativas etnográficas ¿ como instância dentro das pesquisas antropológicas e das ciências sociais em geral ¿ e suas (im)possibilidades de tradução. Em particular, trago para análise a escrita e tradução de Translated Woman: crossing the border with Esperanza¿s Story, da antropóloga e escritora Ruth Behar, uma obra que, transitando entre a ciência e a ficção, apresenta a vida e as vicissitudes de uma mulher do México rural, com raízes indígenas, ao mesmo tempo em que vai contestando a própria originalidade do conhecimento que se produz em uma pesquisa etnográfica. Esta tese problematiza a noção de equivalência tradutória conforme entendida nos estudos terminológicos multilíngues, nos quais aparece como porto seguro em que a tradução de textos científicos se ancora para evitar a deriva. Ao pensar a tradução e a terminologia no campo das ciências sociais, parece-nos mais adequada a ideia de habitar ¿ a despeito da falta de garantias ¿ a terceira margem rosiana, uma ideia que nos faz pensar em um estado de indefinição, de incomensurabilidade, de constante percurso e transformação e, inevitavelmente, de equívocos. No desenvolvimento da análise, fui motivada de início pela noção de perspectivismo que guia o trabalho de Eduardo Viveiros de Castro, adotando sua forma de abordar o equívoco para pensar a tradução, não apenas na antropologia, mas nas ciências sociais em geral. Nessa perspectiva, traduzir é aceitar que equívocos ou malentendidos são inevitáveis, que não devem ser evitados, mas enfatizados e potencializados, de forma a ampliar o espaço que imaginamos não existir (ou que se oculta) entre as línguas em contato, aceitando o desafio de traduzir na correnteza, "de meio a meio sempre dentro da canoa". As ciências sociais em tradução ¿ e em especial, as narrativas etnográficas ¿poderiam dar lugar a uma comunicação científica apoiada em uma terminologia que não silencie as alteridades? É possível ¿ em que medidas ¿ dar lugar a "equivalências" tradutórias que acolham novas formas de entendimento e deem lugar a um enriquecimento epistemológico? Acredito que, ao abrir espaço para acolher essas (im)possibilidades tradutórias, essas zonas de indeterminação ou esse terceiro espaço no qual o Outro sempre aparece traduzido, seja possível expor as complexidades da tradução desse Outro, e começar a enxergar as diferenças como constitutivas do diálogo e da (in)compreensão

Abstract: In this work I tackle aspects related to translation and terminology of the so called social sciences and humanities ¿ a kind of science whose language (let¿s think about the words or terms, and concepts that build up this knowledge) that seems to linger, just as in Guimaraes Rosa¿s story, on the third bank of the river, that is, on its own flow. I am specially interested in the translation of ethnographic narratives, as a case of anthropological research within social sciences as a whole, and their translation (im)possibilities. In particular, I analyze an anthropological narrative written by anthropologist Ruth Behar, and its translation: Translated Woman: crossing the border with Esperanza¿s Story. This book, which moves along a third margin between science and science fiction, portrays the life of a woman of Indian roots from rural Mexico while, at the same time, the author contests the originality of knowledge produced within ethnographic research. This thesis problematizes the notion of translation "equivalence" as understood by multilingual terminological works, and which constitutes the safe harbor where the category of `scientific text translation¿ has chosen to dock, as a way to avoid the drift. When we think about social science translation and terminology, the idea of dwelling on Rosa¿s third margin seems more suitable, an idea that leads us to think of a state of indefinition, incommensurability, on-going flow, transformation and equivocations. To develop the analyzes, I was initially motivated by the notion of perspectivism, which is central to the work of Eduardo Viveiros de Castro. From his theorizations, we adopt the notion of equivocations to think not only anthropological translation, but to think translation and terminology of social sciences as a whole. From this perspective, to translate is to accept that equivocations or misunderstandings are unavoidable; they should not be avoided but "emphasized and potentialized, as a way to widen the space that we imagine not to exist (or that conceals) between languages in contact", thus accepting the challenge that represents to translate on the river flow, "across and around, out there in the river". Could social sciences in translation ¿ and specifically ethnographic narratives ¿lead to a type of scientific communication based on a terminology that does not silence alterities? To what extent would it be possible to think of translation "equivalences" that embrace new ways of understanding and lead to an epistemological enrichment? I believe that, by opening space to embrace those translation (im)possiblitites, this area of indeterminacy or third space in which the Other is always translated, it is possible to shed light into the complexities of translation of this Other, and to start to understand the differences of language as constitutive of dialogue and (in)comprehension.
Resumen: En la presente investigación abordo cuestiones de traducción y de terminología de las denominadas ciencias sociales y humanas, un tipo de ciencia cuyo lenguaje (pensemos en las palabras o términos, y conceptos que construyen ese saber) parecen encontrarse, como en la obra de Guimarães Rosa, en la tercera orilla del rio, o sea, en plena corriente. Me interesa, especialmente, la traducción de narrativas etnográficas, como instante dentro de las investigaciones antropológicas y de las ciencias sociales como un todo. En particular, traigo para analizar una obra escrita por la antropóloga Ruth Behar, y su traducción: Translated Woman: crossing the border with Esperanza¿s Story, una obra que, transitando entre la ciencia y ficción, presenta la vida y vicisitudes de una mujer del México rural, con raíces indígenas, al mismo tiempo en que la autora va contestando el propio carácter original del conocimiento que es producido en una investigación etnográfica. Esta tesis coloca bajo problematización la noción de equivalencia traductora, según entendida en los estudios terminológicos multilingües, en los cuales aparece como puerto seguro en el que la traducción de textos científicos se ancla para evitar la deriva. Al pensar la traducción y la terminología en el campo de las ciencias sociales, nos parece más adecuada la idea de habitar ¿ a pesar de esa falta de garantías ¿ esa tercera orilla de Rosa, una idea que nos hace pensar en un estado de indefinición, de inconmensurabilidad, de constante transcurso y transformación, e, inevitablemente, de equívocos. Al emprender este análisis, fui motivada en un inicio por la noción de perspectivismo que guía el trabajo de Eduardo Viveiros de Castro, adoptando su forma de abordar el equívoco para pensar la traducción, no solo en la antropología, sino en las ciencias sociales en general. En esa perspectiva, traducir es aceptar que equívocos o malentendidos son inevitables, que no deben ser evitados, sino enfatizados y potencializados, de forma que permita ampliar el espacio que imaginamos no existir (o que se oculta) entre las lenguas en contacto, aceptando así el desafío de traducir en la corriente, "de medio en medio, siempre dentro de la canoa". "Las ciencias sociales en traducción, y en especial las narrativas etnográficas, pudieran dar lugar a una comunicación científica apoyada en una terminología que no silencie las alteridades? "Es posible ¿ en que medidas ¿ dar lugar a "equivalencias" traductoras que acojan nuevas formas de entendimiento y que den lugar a un enriquecimiento epistemológico? Considero que, al abrir espacio para acoger esas (im)posiblidades traductoras, esas zonas de indeterminación o ese tercero espacio en el cual el Otro siempre aparece traducido, sea posible visualizar las complejidades de la traducción de ese Otro, y comenzar a observar las diferencias y la incontingencia del lenguaje como constitutivas del dialogo y de la (in)comprensión.
Subject: Behar, Ruth, 1956-. Translated woman - Traduções
Tradução e interpretação - Terminologia
Análise do discurso narrativo
Sociolinguística
Equívoco (Linguística)
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2016
Appears in Collections:IEL - Dissertação e Tese

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