Please use this identifier to cite or link to this item: http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/281216
Type: TESE
Title: "Sou policial, mas sou mulher" : gênero e representações sociais na Polícia Militar de São Paulo
Title Alternative: "I am a Police officer, but I am a woman" : gender and social representations in Sao Paulo State Military Police
Author: Souza, Marcos Santana de, 1980-
Advisor: Corrêa, Mariza, 1944-2016
Abstract: Resumo: A presença feminina em instituições militares, seja nas Forças Armadas ou nas policias, tem emergido como um tema de estudo em expansão no Brasil, particularmente no campo das ciências sociais. Concentrada em refletir sobre os aspectos objetivos e simbólicos que marcam o trabalho feminino em espaços tradicionalmente masculinos, esta tese analisa as representações sociais de policiais militares a respeito do emprego de mulheres na Polícia Militar de São Paulo. Este estudo, portanto, busca refletir, a partir da realização de entrevistas em profundidade com 44 policiais militares masculinos e femininos de diferentes círculos hierárquicos, bem como através de pesquisa etnográfica e análise documental, sobre os sentidos do trabalho policial feminino na corporação paulista, que possui a experiência mais antiga de admissão de mulheres em funções policiais no país. Passadas quase seis décadas da criação da Polícia Feminina em São Paulo, o estudo revela que a despeito dos avanços observados na trajetória feminina, como a recente unificação dos quadros masculino e feminino na Policia Militar e a chegada de algumas mulheres aos últimos postos da carreira, permanecem de maneira informal obstáculos à maior presença das mulheres em alguns setores da instituição, particularmente nas unidades operacionais especializadas, que se destacam como "guardiãs" da memória institucional da Polícia Militar e de seus heróis. Neste sentido, é possível sinalizar a existência de um zoneamento existente na instituição, no qual o efetivo feminino, que representa aproximadamente 10% do efetivo total, encontra-se empregado em grande parte nos setores administrativos, sob o argumento da maior compatibilidade entre as características físicas e psicológicas das mulheres e a natureza do trabalho interno, assim como na expectativa de que a maior presença feminina no trabalho ostensivo represente o enfraquecimento da autoridade policial, particularmente junto a grupos criminosos. Fundada em valores como "força" e "lealdade", a identidade da Polícia Militar de São Paulo se mostra refratária a valores tidos como femininos ao mesmo tempo em que a instituição busca desenvolver processos de regulação interna que definem formas privilegiadas de ser homem e mulher. Se por um lado a imagem feminina na PM é constantemente utilizada para sinalizar o caráter moderno e democrático da corporação, por outro lado tende-se de forma ampla a reconhecer o emprego de policiais femininos em algumas atividades como ameaça de descaracterização do trabalho policial, não apenas em virtude da suposta menor capacidade física das mulheres para enfrentar os desafios do trabalho das ruas, mas da sua inclinação "natural" para a maior comunicação. A ideia bastante comum é de que a presença feminina representa o risco de comprometer os segredos da rotina policial, que envolve tanto protocolos informais de trabalho quanto o compromisso de proteção mútua entre policiais masculinos baseado na lealdade e no exercício heroico. Desse modo, este trabalho reflete não apenas sobre as representações sociais de gênero na Polícia Militar, mas sobre as suas possíveis implicações para a experiência objetiva e simbólica de homens e mulheres na polícia, assim como para os sentidos e expectativas em torno do papel das mulheres na área da Segurança Pública atualmente

Abstract: The female presence in military institutions, whether in the Armed Forces or the Police, has emerged as a subject of study in expansion in Brazil, particularly in the field of social sciences. Focusing on both the symbolic and objective aspects marking the female work in spaces traditionally dominated by men, this thesis analyzes the social representations of Military Police regarding the recruitment of women in Sao Paulo Military Police. This study, therefore, aims to reflect, from in depth interviews with 44 military Police men and Police women from different hierarchical rungs, as well as through ethnographic research and documentary analysis, on the directions of the female Police work in Sao Paulo Corporation, which was the first to admit women in Police functions in Brazil. After almost six decades since the creation of a Female Police Force in São Paulo, the study shows that in spite of the progress observed in the female trajectory, as the recent unification of the male and female career in Military Police with some women reaching the top jobs, it does remain some non-explicit obstacles to a greater presence of women in some sectors of the institution, particularly in specialized operational units, which stands out as "guardians" of the institutional memory of the Military Police and their heroes. In this sense, it is possible to detect the existence of a sort of zoning in the institution in which the female employees, representing approximately 10 % of the total workforce, are largely found in administrative sectors, under the argument of a supposed match between the physical and psychological traits of women and the nature of domestic work, as well as the expectation that the greater presence of women in ostensive service may lead to the weakening of the police authority, particularly before the criminal gangs. Founded on values such as "strength" and "loyalty", the identity of the Military Police of Sao Paulo shows itself refractory to values taken as female, at the same time that the institution seeks to develop processes of internal regulation defining preferred ways of being a man and a woman. If on one hand the image of women in MP is constantly used as a sign of the modern and democratic character of the corporation, on the other it is generally accepted that the placement of women in some activities of the police may decharacterize police work, not only because of their alleged reduced physical ability to face the challenges of the streets, but their "natural" gift for greater communication. A widespread notion has it that female presence may jeopardize routine secrets, involving both informal work protocols and the commitment to mutual protection between equals, founded on loyalty and heroic exercise. Thus, this work reflects not only on the social representations of gender in Military Police, but on the possible implications for the objective and symbolic experience of men and women in the police force, as well as to the meanings and expectations about the role of women in current Public Safety
Subject: Representações sociais
Gênero
Identidade
São Paulo (Estado) - Policia militar
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2014
Appears in Collections:IFCH - Tese e Dissertação

Files in This Item:
File SizeFormat 
Souza_MarcosSantanade_D.pdf4.86 MBAdobe PDFView/Open


Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.