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Type: TESE
Title: Política linguística do Estado brasileiro na contemporaneidade = a institucionalização de mecanismos de promoção da língua nacional no exterior = Política lingüística del Estado brasileño en la contemporaneidad : la institucionalización de mecanismos de promoción de la lengua nacional en el exterior
Title Alternative: Brazilian State language policy in contemporaneity : the institutionalization of mechanisms for promoting the national language abroad
Author: Diniz, Leandro Rodrigues Alves, 1984-
Advisor: Zoppi-Fontana, Mónica, 1961-
Zoppi-Fontana, Monica Graciela
Abstract: Resumo: Este trabalho objetiva analisar algumas das principais ações do Estado brasileiro para a promoção internacional do português. Concentramo-nos, especificamente, na Divisão de Promoção da Língua Portuguesa (DPLP), que, subordinada ao Ministério das Relações Exteriores, atua em mais de quarenta países por intermédio da Rede Brasileira de Ensino no Exterior (RBEx), de cuja composição fazem parte os Centros Culturais Brasileiros (CCBs), Institutos Culturais Bilaterais (ICs) e leitorados. A partir da História das Ideias Linguísticas (HIL) e da Análise do Discurso de perspectiva materialista (AD), investigamos textos jurídicos e jornalísticos, documentos do arquivo do Itamaraty e entrevistas com profissionais envolvidos com essa política. Nossas análises indicam um notável processo de recrudescimento da política linguística exterior brasileira, que se inscreve em condições de produção marcadas pela Nova Economia e por mudanças na política externa do Brasil e no imaginário do país no exterior. Apesar desse fortalecimento, as iniciativas para a promoção internacional do português são, em geral, significadas como parte de uma mera política cultural. Na construção da imagem dos CCBs e dos ICs, por exemplo, salientam-se antes as atividades "culturais" do que as diretamente relacionadas ao ensino de língua. Os leitores, por sua vez, tendem a ser significados como representantes culturais, a despeito de uma polêmica sobre o que / quem devem representar. Esse apelo à cultura, além de ser um elemento-chave na mercantilização do português, participa de um funcionamento silencioso da política linguística exterior brasileira, por meio do qual se apagam seus vínculos com interesses estratégicos do Estado. É possível, porém, identificar marcas desse silenciamento, como mudanças na configuração da RBEx vinculadas a modificações na política externa do país. Destaca-se, nesse sentido, a crescente promoção do português na África e na América do Sul, em consonância com o fortalecimento do "diálogo sul-sul". Argumentamos, ainda, que a política em questão traz à tona litígios constitutivos do espaço de enunciação brasileiro, entrando em tensão com a política linguística de Portugal e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Como parte desse processo de descolonização linguística, o português brasileiro, estigmatizado em outras condições de produção, passa, por vezes, a ser representado como mais propício à internacionalização que o português europeu. Outra característica dessa política é sua natureza não-centrada - evidenciada, entre outros fatos, pela grande heterogeneidade dos leitorados -, que, além de refletir a inexperiência histórica brasileira com iniciativas desse gênero, pode ser explicada por elementos do interdiscurso representando as políticas linguísticas exteriores como (neo)colonizadoras, o português como uma língua de colonização e o Brasil como um país de aspirações imperialistas. Ademais, concluímos que a proposta de criação do Instituto Machado de Assis e os impasses relativos à sua implementação se sustentam em processos discursivos semelhantes aos que marcam a política linguística do Itamaraty. Por fim, defendemos a necessidade de rever, à luz da HIL e da AD, o conceito de "política linguística", desconstruindo a figura dos "atores", os quais devem, de um ponto de vista materialista, ser concebidos como sujeitos, que, enquanto tais, também estão sujeitos à política de línguas constitutiva de todo espaço de enunciação

Abstract: This dissertation aims to analyze some of the major actions taken by the Brazilian state in order to promote the Portuguese language internationally. Our study focuses specifically on the Division of Portuguese Language Promotion (DPLP), subordinated to the Ministry of Foreign Affairs, which operates in over forty countries through the Brazilian Network for Education Abroad (RBEx), from which the Brazilian Cultural Centres (CCBs), the Bilateral Cultural Institutes (ICs) and the lectureships are part of. Based on the History of Linguistic Ideas (HIL) and the Discourse Analysis from a materialistic perspective (AD), we have investigated legal and journalistic texts, the archives of Itamaraty and interviews with professionals involved in this policy. Our analyses indicate that the Brazilian languagespread policy is going through a notable process of development, rolling itself up in conditions of production set by the New Economy and by the changes in Brazilian foreign policy and in the imagery of the country abroad. Despite this strengthening, the initiatives taken to promote the Portuguese language internationally are, in general, signified as part of a mere cultural policy. In the construction of the image of CCBs and of ICs, for example, "cultural" activities rather than those related to language teaching are highlighted. The lecturers, in turn, tend to be considered as cultural representatives, in spite of a controversy over what /who they should represent. This appeal for culture, besides being a key element in the "mercantilization" of Portuguese, participates in a silent functioning of Brazilian language-spread policy, by whose means its links with strategic interests of the state are erased. It is possible, however, to identify traces of this silencing, such as changes in the configuration of RBEx linked to modifications in the foreign policy of the country. In this sense, the growing promotion of Portuguese in Africa and in South America stands out, in line with the strengthening of the "south-south dialogue". We also argue that the policy in question brings out constitutive litigations of the Brazilian space of enunciation, which goes into tension with the language-policies carried by Portugal and by the Community of Portuguese Language Countries (CPLP). As part of this process of linguistic decolonization, Brazilian Portuguese, stigmatized under other conditions of production, is sometimes represented as being more propitious for internationalization than the European Portuguese. Another feature of this policy is its non-centered natured - evidenced, among other facts, by the great heterogeneity of lectureships -, which, besides reflecting the historic Brazilian inexperience with such initiatives, can be explained by elements of the interdiscourse representing language-spread policies as a (neo-)colonizing movement, Portuguese as a language of colonization and Brazil as a country of imperialistic aspirations. Furthermore, we conclude that the proposal for the creation of Machado de Assis Institute and the impasses concerning its implementation are supported by discursive processes similar to those that mark Itamaraty's language policy. Lastly, we advocate the need to review, in the light of the HIL and the AD, the concept of "language policy", deconstructing the figure of the "actors", who, from a materialistic perspective, should be viewed as subjects that are, as such, also subjected to the policy of languages which is constitutive of every space of enunciation
Subject: Brasil. Ministerio das Relações Exteriores
Língua portuguesa - Estudo e ensino - Falantes estrangeiros
Política linguística
Idéias linguísticas
Análise do discurso
Language: Português
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2012
Appears in Collections:IEL - Dissertação e Tese

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