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Type: TESE
Title: Relações entre desenvolvimento linguistico e neuromotor : a aquisição da duração no portugues brasileiro
Author: Rossi, Aglael Juliana Aparecida Gama
Advisor: Albano, Eleonora Cavalcante, 1950-
Abstract: Resumo: O trabalho apresenta uma discussão sobre as relações entre desenvolvimento lingüístico e neuromotor a partir do estudo da aquisição da duração no português brasileiro (PB). Ele parte de uma literatura que compara grupos de crianças de diferentes faixas etárias a um grupo controle de adultos para medidas de duração. As hipóteses encontradas para explicar os maiores valores de duração e a maior variabilidade na fala infantil referem-se a fatores neuromotores e estatísticos. Faz-se uma crítica aos experimentos dos estudos resenhados e persegue-se a hipótese de que, no PB, um fator lingüístico, o grau de acentuação do segmento acústico em função da posição por ele ocupada na palavra e na sentença, influencia a diferença encontrada entre adultos e crianças, para medidas de duração, isso porque, as crianças não reduzem os segmentos em posições não-acentuadas. Realizou-se um experimento no qual sentenças pronunciadas pela pesquisadora eram repetidas três vezes pelos sujeitos, tendo-se três pares formados por: criança de 4 anos e 1 mês (M) e pesquisadora; criança de 4 anos e 9 meses (E) e pesquisadora; e a professora delas (S) e a pesquisadora. Segmentos acústicos vocálicos, consonantais e do tamanho de sílabas foram demarcados para suas posições de acento nas palavras (pré-tônica, tônica e pós-tônica) e na sentença (início e final absolutos). Por meio de uma análise via teste t, os sujeitos dentro de cada par foram comparados para a média e o desvio-padrão das diferenças de duração de cada tipo de segmento acústico, em cada posição de acento. A hipótese a ser testada era se as médias das diferenças de duração entre os sujeitos de cada par seria estatisticamente igual a zero. Encontrou-se que a criança mais nova (M) já adquiriu a implementação do parâmetro de duração para a realização do acento, embora ainda não o tenha adquirido para os elementos não-acentuados que participam da construção das alternâncias rítmicas do PB. Já a criança E está muito próxima do padrão adulto para a duração de segmentos vocálicos, mas não para a duração de consoantes, sílabas e palavras. Quanto à variabilidade,embora M e E apresentem valores maiores de desvios-padrão, seus contornos de duração para os vários tipos de segmentos acústicos, nas várias posições de acento, não são díspares em relação àquele obtido para o par formado pelos adultos. Nos segmentos acústicos do tamanho de sílabas e palavras, há uma maior coordenação com sobreposição de gestos na fala adulta, levando, aparentemente, a uma maior coarticulação que na fala infantil. A partir da adoção de modelos dinâmicos, a maior variabilidade da fala infantil, na produção de segmentos acústicos vocálicos e consonantais, é vista como uma menor coordenação entre gestos articulatórios e uma menor freqüência de oscilação dos articuladores, que dificulta a produção de segmentos reduzidos e estáveis nas posições não-acentuadas. Propõe-se que as crianças estudadas possuem um oscilador para variações macrorrítmicas, provavelmente ao nível da sentença, do contorno duracional do PB, mas não para variações ao nível da sílaba, como é demonstrado pela menor coordenação e coarticulação entre os gestos articulatórios envolvidos em sua produção

Abstract: This work offers a discussion on the relationship between linguistic and neuromotor development, based on the study of the acquisition of duration in Brazilian Portuguese (BP). Many studies in the literature have shown that acoustic segment durations are more variable in young children's speech than in adults' speech. The hypotheses that have been advanced to explain this fact refer to neuromotor and statistical factors. Our work criticizes the experiments in the literature and proposes that, in BP, a linguistic factor, which combines stress status and position of the acoustic segment in the word and sentence, can influence the difference between adults' and children's duration measures, since children do not reduce acoustic segments in stressless positions as adults do. We ran an experiment in which sentences produced by the author were repeated three times by the subjects. The analyses made comparisons within and among three pairs of subjects, made up by the author and: one child of 4 years and 1 month (M), one child of 4 years and 9 months (E), and their teacher. The acoustic segments of each sentence, corresponding to vowels, consonants, syllables and words, were demarcated for its stress position in the word (pre-stressed, stressed and poststressed) and in the sentence (beginningand final). A statistical analysis via t test compared the subjects in each pair as to the mean and standard deviation of the differences in duration for each acoustic segment type in each stress position. The hypothesis to be tested was whether the mean of the differences in duration would be statistically equal to zero. We found that the younger child (M) had already acquired the duration parameter for the production of stress, but not for the production of acoustic segments in the stressless position. Child E's production is very similar to the adult's in relation to vowels, but not to consonants, syllables and words. Concerning variability, although the children present higher standard deviation values, their variability contours for the different kinds of acoustic segments in different stress positions are similar to the ones obtained for the adults. In syllables and words, a coordination with superimposed gestures was found to be. higher in the adults' speech than in the children's speech. We adopt dynamic models to explain the higher variability of the children's speech, mainly in the production of isolated acoustic segments, corresponding to vowels and consonants, in view of the lesser coordination among articulatory gestures and the lower oscillation frequency of the articulators, which prevents the production of reduced and stable acoustic segments in stressless positions. Also in line with dynamic models, we propose that the child production mechanisms studied here incorporate an oscillator which accounts for the greater variation in the acoustic duration contour of BP, probably at the level of the sentence, but not at lower leveI of the syllable, as shown by the lesser coordination and coarticulation among the articulatory gestures involved in their production
Subject: Aquisição de linguagem
Acústica
Língua portuguesa
Language: Português
Editor: [s.n.]
Date Issue: 1999
Appears in Collections:IEL - Dissertação e Tese

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