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Type: TESE DIGITAL
Title: Os frames de Doença de Alzheimer
Title Alternative: The frames of Alzheimer's disease
Author: Siman, Josie Helen, 1986-
Advisor: Morato, Edwiges Maria, 1961-
Abstract: Resumo: Há muitas maneiras de se conceber a Doença de Alzheimer (DA). Entre os modelos explicativos da DA, destacam-se o biomédico (COFFEY; CUMMINGS, 2000), que a entende como uma doença cerebral, neurodegenerativa, e o biopsicossocial (LEIBING, 2006; DOWNS et al., 2006), que a explica como uma doença resultante da interação dialética entre danos neurológicos e fatores psicossociais (como a qualidade da vida social e mental do indivíduo), uma doença, portanto, socioneurodegenerativa (CRUZ, 2008). Dado o avanço significativo do saber científico nas últimas décadas e o fácil acesso a informações por leigos, é possível dizer que estamos hoje num período de mudança de percepção da DA. Buscando entender como as pessoas lidam com as várias concepções de DA, esta pesquisa neurolinguística, que se fundamenta no quadro teórico de uma perspectiva sociocognitiva (TOMASELLO, 1999; MARCUSCHI, 2002, 2006; MIRANDA; BERNARDO, 2013; MORATO, 2010; MORATO; BENTES, 2013; VEREZA, 2013), propôs-se a identificar e analisar frames que aparecem no discurso de uma população envolvida cotidianamente com essa doença. No contexto desta pesquisa qualitativa, dois médicos, dois especialistas não médicos e dois leigos (cuidadores familiares) foram entrevistados. Para identificarmos os termos que evocam frames, observamos as escolhas linguísticas utilizadas para referenciar, categorizar e predicar sobre a doença, além de havermos analisado metáforas. A análise de dados demonstra que os modelos biomédico e biopsicossocial não só estão por detrás das formações de frames a eles atinentes, mas suscitam e se relacionam com outros frames que aparecem nos discursos dos entrevistados, como os frames de TRAGÉDIA, ENCARGO, MISTÉRIO, etc. Observamos que os discursos dos entrevistados são principalmente coerentes com o discurso das áreas científicas nas quais se inscrevem, sendo que os leigos se pautam mormente no modelo biomédico para falar sobre a DA. Contudo, não observamos uma adesão completa aos modelos: os participantes parecem refletir sobre diferentes questões com base ora em um modelo, ora em outro, ora em suas próprias experiências (e.g. para explicar a DA, recorrem ao modelo biomédico; para entender o doente e as implicações da doença, pautam-se no modelo biopsicossocial). Com relação à possibilidade de mudança de percepção da DA, concluímos que, tanto o metadiscurso científico da literatura dedicada ao tema, quanto os frames associados aos discursos e às experiências dos nossos entrevistados indicam que o frame epistêmico da DA é ainda o das Ciências Naturais, por mais que seja possível notar tendências de superação de um biologismo reducionista de tipo organicista ou fisicalista

Abstract: There are many ways of conceiving of Alzheimer's disease (AD). Among the explanatory models of AD that stand out, there are the biomedical (COFFEY; CUMMINGS, 2000), which understands it as a brain disease, neurodegenerative, and the biopsychosocial (LEIBING, 2006; DOWNS et al, 2006), which explains it as a disease resulting from the dialectical interaction between neurological damage and psychosocial factors (such as the quality of one¿s social and mental lives), hence, as a socioneurodegenerative disease (CRUZ, 2008). Given the advancements in the scientific knowledge about AD in the last decades, and the easy access to information by lay people, one can say that this is a period of changing perspectives about AD. Seeking to understand how people deal with the various conceptions of AD, the purpose of this Neurolinguistics research that uses a sociocognitive framework of analysis (TOMASELLO, 1999; MARCUSCHI, 2002, 2006; MIRANDA; BERNARDO, 2013; MORATO, 2010; MORATO; BENTES, 2013; VEREZA, 2013) is to identify and analyze frames in the discourse of a population engaged on a daily basis with this disease. In the context of this qualitative research, two doctors, two non-medical specialists, and two lay people (family caregivers) were interviewed. To identify the expressions that evoke frames in their discourse, we have looked for language choices used by them to make reference to, categorize and predicate about the disease, as well as for metaphors. The data analysis shows that the biomedical and biopsychosocial models not only underpin the formation of frames that refer to their content, but evoke and relate in important ways to other frames in the interviewee¿s discourses, such as the frames of TRAGEDY, BURDEN, MYSTERY, etc. We have observed that the interviewee¿s discourses are mostly consistent with the discourse of the scientific areas to which they subscribe (e.g. Neuroscience, Anthropology), and the lay people are guided mainly by the biomedical model in their conceptions of AD. However, we did not observe a complete adherence to the models: the participants seem to make use of the two models, as well as their own experiences, to reflect on different issues (e.g. to explain the disease, they use the biomedical model; to understand the patient and the implications of the disease in their lives, they use the biopsychosocial model). Regarding the possibility of the perspectives of AD be changing, we conclude that both the scientific metadiscourse in the literature on the topic, and the frames associated with the discourses and the experiences of our interviewees indicate that the AD epistemic frame is still that of the Natural Sciences, even though we can notice trends to overcome the reductive biologism of organicist or physicalist type
Subject: Alzheimer, Doença de
Cognição - Aspectos sociais
Conceitos
Semântica
Análise do discurso
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2015
Appears in Collections:IEL - Dissertação e Tese

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