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Type: TESE
Title: Política e sentidos da palavra preconceito = uma história no pensamento social brasileiro na primeira metade do Século XX
Title Alternative: Politics and sense of the word prejudice : a history in the brazilian social thought in the first middle of twenty century
Author: Machado, Carolina de Paula, 1980-
Advisor: Guimarães, Eduardo, 1948-
Guimarães, Eduardo Roberto Junqueira, 1948-
Abstract: Resumo: Na escrita de quatro importantes obras das Ciências Sociais do início do século XX, a palavra preconceito adquire sentidos específicos em cada uma delas, sentidos constituídos no funcionamento enunciativo, que é político e histórico. Nossa tese se inscreve na área da Semântica do Acontecimento na qual a análise de sentidos é considerada a partir do acontecimento enunciativo (GUIMARÃES, 2002). Também, são mobilizados alguns conceitos da Análise de Discurso francesa, a partir de trabalhos de Pêcheux (1975; 1988) e Orlandi (1994; 1999). Esta abordagem nos possibilita observar como os autores dessas obras, na primeira metade do século XX, compreendem as relações sociais na construção de um conhecimento sobre a nossa sociedade que serviria de referência para a produção científica que viria depois. Nosso objetivo foi analisar as designações da palavra preconceito nas obras: A evolução do povo brasileiro (1923), de Oliveira Vianna; Casagrande e Senzala (1933), de Gilberto Freyre; Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda; e Formação do Brasil Contemporâneo (1942), de Caio Prado Júnior. Estas obras abrangem um período de transformação do Brasil, momento em que havia a preocupação do Estado, da elite no poder, dos intelectuais, com as mudanças sociais, econômicas e políticas. Há, assim, nesses textos, uma busca em se compreender os problemas e a formação da sociedade do Brasil do início do século XX. E, na medida em que os autores vão descrevendo as relações sociais, a palavra vai sendo significada. Observando as reescrituras e as articulações que constituem os diferentes domínios semânticos dessa palavra, vemos que os sentidos que circulam nas obras são eufemizados, naturalizados, apagados. E, com isso, na descrição da sociedade brasileira compreendemos que o funcionamento político da enunciação produz sentidos diversos, divididos, contraditórios para a palavra preconceito. No espaço de enunciação científico que essas obras configuram, aquilo que preconceito significa é dado como uma evidência, sendo que a palavra é raramente reescrita por uma definição. Mas, através das análises, vemos que em cada obra a palavra preconceito tem designações diferentes. Assim, além do sentido etimológico "ideia preconcebida", outras reescrituras e articulações vão determinando os sentidos dessa palavra e cada obra tem sentidos específicos que se modificam na relação com as diferentes discursividades que agenciam os locutores-cientistas. É assim que, em uma mesma obra, preconceito pode significar o erro de se supor a identidade, lugar do qual o locutor-cientista se distancia e, ao mesmo tempo, o locutor é agenciado por sentidos que fazem parte de uma teoria biologizante e que se configuram como preconceito racial, sendo que este tipo de preconceito não faz parte do domínio semântico da palavra nessa obra, mas que vai fazer parte dos domínios semânticos das outras obras, pois os outros autores falam deste preconceito ao descreverem a sociedade. Além disso, outros sentidos também circulam para a palavra preconceito, tais como o sentido de discriminação, de exclusão, de opressão, etc., e, desse modo, podemos compreender a instabilidade e a divisão dos sentidos dessa palavra que circula, na maioria das vezes, sob a evidência do sentido etimológico

Abstract: In the writings of four important works of the early twentieth century's Social Sciences the word prejudice acquires specific meanings for each - meanings constituted in the enunciative operation, which is political and historical. Our thesis is part of the Semantics of Events field, in which the analysis of meanings is considered taking the enunciative event as a starting point (Guimarães, 2002). Some concepts taken from the French Discourse Analysis are also put to use, based in works of Pêcheux (1975; 1988) and Orlandi (1994; 1999). This approach enables us to notice how the authors, in the first half of the twentieth century, understand social relations when setting up the knowledge about our society that would later serve as reference for the scientific production that was yet to come. Our objective was to analyze the designations of the word prejudice in the works: A evolução do povo brasileiro (1923), by Oliveira Vianna; Casa-grande e Senzala (1933), by Gilberto Freyre; Raízes do Brasil (1936), by Sérgio Buarque de Holanda; and Formação do Brasil Contemporâneo (1942), by Caio Prado Júnior. These works cover a transformation period of Brazil, when there was a concern of the State, the ruling elite, the intellectuals, about social, economic and political changes. Thus, there is a quest for using these texts in order to comprehend the problems and the formation of Brazilian society in the early twentieth century. While the authors/speakers describe social relations, the word earns its meanings. When we observe the rewritings and articulations that constitute the many semantic domains of the word, we see the meanings used in those works are euphemized, naturalized, cleared. And, with this, in the description of Brazilian society, we understand that the enunciation's political functioning produces diverse, divided, contradicting meanings for the word prejudice. In the scientific enunciative space in which the works are inserted, the meaning of prejudice is taken as granted, since the word is rarely given another definition. But through analysis, we observe that for each work the word prejudice designates a diverse form. So, besides the "before judgment" etymological meaning, other rewritings and articulations determine the specific sense in which the word is understood in each work, modifying the relationship with the various discourses that broker the speakers/scientists. That is how prejudice, in a work, can mean the mistake of supposing an identity, from which the speaker/scientist moves away, and at the same time, the speaker is taken by meanings that are part of a biologizing theory that is set as racial prejudice - and this type of bias is not part of the word's semantic domain in the works, but it will be part of the other works' semantic domain, because the other authors/speakers use this bias to describe their society. Moreover, other meanings for the word prejudice are also used, as for discrimination, exclusion, oppression, etc., and, this way, we can understand the unstableness inconstancy and multiplicity of meanings for a word that is used most of the times under the evidence of its etymological meaning
Subject: Semântica
Semantica do acontecimento
Preconceito
Ciências socias
Político
Language: Português
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2011
Appears in Collections:IEL - Dissertação e Tese

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