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Type: DISSERTAÇÃO
Degree Level: Mestrado
Title: Imagens, mascaras e mitos : o negro na literatura brasileira no tempo de Machado de Assis
Author: Tripoli, Mailde Jeronimo
Advisor: Sperber, Suzi Frankl, 1939-
Sperber, Suzi F.
Abstract: Resumo: o tratamento dado ao escravo na literatura brasileira, do século passado, é semelhante ao da literatura européia e norte-americana. Estando presente nos setores produtivos, mas não tendo sua importância reconhecida na sociedade, seu papel na ficção, quase sempre, foi o de coadjuvante ou pano de fundo. Com feição estereotipada, sua representação, em geral, não é individual, mas coletiva: a personagem negra, com freqüência, encama um tipo. Obviamente há exceções. A presença do escravo na obra de Machado de Assis é um ponto controverso. O escritor era mulato. Esse fato, sabemos, nada tem a ver com a qualidade, ou o reconhecimento de sua obra. Morto, entretanto, a cor do escritor foi o recurso usado na tentativa de arranhar lhe o brilho. Machado é apontado como alguém que, para ascender socialmente, negou a própria raça, omitiu-se na luta pela liberdade dos escravos e não os incluiu em sua obra. Para melhor entender essa história e vislumbrar a face da personagem negra na obra do escritor, a dissertação inicia-se com uma retrospectiva da história da escravidão e, em seguida, a abordagem de alguns aspectos sobre racismo e preconceito. Em "Olhares e Ponto de vista ", são analisados três romances contemporâneos da obra machadiana: Uma História de Quilombola, de Bernardo Guimarães; As Vítimas Algozes, de J Manuel de Macedo e, Mota Coqueiro, de José do Patrocínio. O quarto capítulo é dedicado a Machado de Assis: algumas considerações sobre a sua história; a análise das personagens negras e ocorrências relacionadas à escravidão em alguns dos romances, contos e crônicas do escritor. A conclusão contraria a afirmação sistemática de absenteísmo e, sobretudo, confirma que na obra do escritor a personagem negra, nos moldes da ideologia escravista, não existe. Sua personagem, neste caso, não é um pobre coitado, vítima do sistema, ou um sujeito malvado, pela mesma razão. O negro, na obra de Machado de Assis, tem estatuto de sujeito. A preocupação do escritor era com o homem e a sua interioridade psicológica e moral. O escravo, antes de sua condição servil, é um ser humano; e assim era visto e retratado pelo escritor. Seu discurso não era inflamado, nem aliciador. Sua técnica não era a do confronto, mas a do desmascaramento. Machado construiu sua história escrevendo historias, fez de sua experiência de vida, do seu conhecimento, o instrumento e a matéria para sua criação

Abstract: The way slaves were treated in Brazilian literature of last century is similar to that of European and North-American literature. As they were mostly employed in manual work and their economic value was not acknowledged in the society, in fictions they were most of the time ascribed secondary or figurative roles. According to stereotypical features, they were generally pictured not individualIy, but as a colIectivity. In that way, a black character frequently incarnated an ethnic group. There were, obviously, a certain number of exceptions. The presence of slaves in Machado de Assis' work is a controversial point. After his death, Machado's negritude was exploited in an attempt to undermine his fame. The writer is pointed out as someone who, in order to be promoted socially, denied his own race end neglected the slaves' fight for freedom in his books. Striving to better understand these circumstances and catch a glimpse of the black character in the author' s creation, we undertake a wide-ranging survey. Its starting point will be a short history of slavery, followed by the presentation of a few features of racism and prejudice, that will constitute the basis of the present analysis. The chapter Olhares e Ponto de Vista presents an analysis of three novels that shalI lead us, subsequently, into Machado's creation. Historia de Quilombola, by Bernardo Guimarães; As vitimas Algozes, de J. Manuel de Macedo e, Mota Coqueiro, de Jose do Patrocinio, draw indeed an overview of the real context of Brazilian slavery and of the burning debate that preceded its abolition. Chapter four will bring us back to Machado de Assis through reflections about his life. The final part will analyse a certain number of the author's works, for instance laia Garcia, Helena e Memorias Postumas de Bras Cubas, as well as short stories and chronicles, that involve black characters and circumstances relating to slavery. The conclusion questions the systematic assertion of absenteeism and, most of all, confirms that in his creation black characters as moulded by the ideology of slavery do not existo When occurring, his character is not a poor fellow that is victim of the system or a criminal for the same reason. The black person in Machado de Assis' work, is given the status of a main-role actor. The author's preoccupation is with man and his psychological and moral inner identity. Notwithstanding his servile condition, a slave is a human being, and so was he seen and pictured by the author. Ris speech was neither fiery nor enticing. His way was not that of confronting, but of unmasking. Machado built up his own story by writing stories. He made his life experience and his knowledge an instrument and material for his creation
Subject: Assis, Machado de, 1839-1908 - Crítica e interpretação
Escravidão na literatura
Literatura brasileira - História e crítica
Language: Português
Editor: [s.n.]
Date Issue: 1997
Appears in Collections:IEL - Tese e Dissertação

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