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Type: TESE
Title: Uma ouvinte em Curso de LIBRAS
Title Alternative: A hearer attending a course of LIBRAS
Author: Freitas, Marlene Catarina de
Advisor: Cavalcanti, Marilda do Couto, 1948-
Abstract: Resumo: O presente trabalho, desenvolvido na área de Lingüística Aplicada, foi norteado pela pergunta de pesquisa: Como se configura o trânsito ouvinte-surdo, com foco na auto-observação desta pesquisadora ouvinte, no contexto de um curso de LIBRAS ministrado por um professor surdo? E, complementarmente, em um centro de apoio a alunos surdos onde a pesquisadora é estagiária? Dentro desse contexto, visto como sociolinguisticamente complexo, levanto as dificuldades/facilidades encontradas nesse trânsito, incluindo meu processo de entrada em contato/conflito com a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Por se tratar de uma pesquisa de cunho etnográfico (Erickson, 1984), o trabalho de campo foi realizado através de observação participante, no caso, auto-observação, registrada através de anotações de campo, depois elaboradas em forma de diários desta pesquisadora. Os registros (Erickson, 1986) gerados (Mason, 1997) constituem o corpus desta pesquisa. Diante de algumas questões que se mostraram relevantes para responder a pergunta de pesquisa, tive como base autores de diversas áreas, como os Estudos Culturais (Skliar; 1998; Hall, 1997), Sociologia (Elias e Scotson, 2000; Cuche, 2002), Antropologia (Thomaz, 1995), Lingüística Aplicada (Maher, 2008), Educação (Canen e Oliveira, 2002), dentre outros. A contribuição desses autores para a análise de dados se faz através de conceitos usados em suas teorizações tais como cultura, multiculturalismo, diferença, etnocentrismo, representações, relações de poder, identidades e identificação. À luz desses conceitos, utilizados em diferentes áreas, sob a ótica de uma leitura em uma vertente da área de Lingüística Aplicada que se abre para interfaces transdisciplinares (Ver Moita Lopes, 2006, Cavalcanti, 2006 entre outros), a análise dos dados indicou que esse trânsito ouvinte-surdo se configurou gradativamente. À medida que fui me inserindo e me envolvendo no contexto surdo-ouvinte do curso de LIBRAS, houve algumas variações em minhas ações e representações e passei a perceber tanto o meu, quanto o etnocentrismo de meus colegas do curso. Faz-se necessário destacar que essas representações passaram a ser mais flexíveis (porém, muitas vezes, também cambiantes) não somente pelo fato de eu ter sido ouvinte-aprendiz de um curso de LIBRAS, ministrado por professor surdo (falante da Língua de Sinais e oralizado), mas também pelo fato de que, ao longo da pesquisa que gerou este trabalho, passei a fazer parte de um cenário mais amplo tanto em relação ao local do campo, como em relação às posições que passei a assumir. Essa trajetória pode assim ser resumida: (a) pelo encantamento inicial com a LIBRAS, com as pessoas que tem familiaridade com a língua, em especial, os surdos que sinalizam, e com o que via como um mundo totalmente diferente daquele em que vivo (esse encantamento é comum na aprendizagem de uma LE); (b) pelas exigências decorrentes de familiarização compulsória com a LIBRAS, que podem ter agilizado a desconstrução da imagem idealizada do surdo e que me fizeram perceber tanto o meu etnocentrismo quanto de meus colegas; (c) pelas exigências decorrentes da prática necessária à "sobrevivência" do curso no momento em que passei a fazer o papel de intermediária administrativa do professor surdo, o que me auxiliou na desinibição e no maior uso da LIBRAS -visto que tais exigências fizeram com que olhasse para o professor, para o curso e para os ouvintes a minha volta, no curso de LIBRAS, de outro modo; e; (d) por meu relacionamento pré-profissional com outros surdos e ouvintes, no estágio que fiz em um centro de apoio, onde tive a oportunidade de manter contato com alunos e professores surdos, além do professor surdo do curso de LIBRAS que freqüentei. Através dessa trajetória que me serve de experiência para o mundo profissional e oportuniza relacionamentos com surdos e uvintes que trabalham na área de escolarização e surdez, neste estudo, levanto algumas implicações na tentativa de apontar a importância e a necessidade de investir na formação de professores sensíveis e comprometidos com a educação das pessoas surdas, indo além da ênfase na aprendizagem de LIBRAS e investindo na desmistificação e quebra de preconceitos que o contato com o Outro, diferente, venha gerar. Entretanto, como essa quebra de preconceitos não pode ser vista como um acontecimento único, decisivo e permanente, há necessidade dessas ações serem tratadas como pontos para reflexão continuada na formação do profissional ouvinte que atua com surdos.

Abstract: The current work, developed in the field of Applied Linguistics, was guided by the following research question: In the context of a LIBRAS (Brazilian Sign Language) course given by a deaf teacher and focusing on the self observation of this hearer researcher, how is the transit between the hearer and the deaf constructed? And in addition, what is this transit like in a support center for deaf students where the researcher is a trainee? In this context seen as sociolinguisticallly complex, I raise the difficulties/easiness found in this transit, including my process to get in contact/conflict with LIBRAS. Because this research has an ethnographic nature (Erickson, 1984), the fieldwork was accomplished through participant observation, in this case, self observation recorded through field notes which were later elaborated in the format of journals of this researcher. The data sources (Erickson, 1986) generated (Mason, 1997) constitute the corpus of this research. Based on some issues which appeared as relevant to answer the research question, several authors from different areas such as Cultural Studies (Skliar, 1998; Hall, 1997), Sociology (Elias and Scotson, 2000; Cuche, 2002), Anthropology (Thomaz, 1995), Applied Linguistics (Maher, 2008), Education (Canen and Oliveira, 2002) were chosen to compose the theoretical framework,. The contribution of these authors to the data analysis was made through concepts used in their theorizations such as culture, multiculturalism, difference, ethnocentrism, representations, power relations, identities and identification. Enlightened by these concepts used in different fields and within a reading developed in a current of Applied Linguistics which opens up to crossdisciplinary interfaces (see Moita Lopes, 2006, Cavalcanti, 2006 among others), the data analysis indicated that this transit hearer-deaf was gradually delineated. As I got inserted and involved in the hearer-deaf context of the LIBRAS course, there was some variation in my actions and representations and I started to notice my own and my colleagues' ethnocentrism. It is necessary to point out that these representations became more flexible (however, in a changeable pattern which included going back to essentialisms at times) not only because I was a hearing learner of a LIBRAS course, given by a deaf teacher (speaker of this Sign Language and also oralized), but also because during the research that generated this work, I started taking part of a wider scenario both in relation to the new deaf field (the support centre) as well as in relation to the administrative positions I had to take over in the institution where the LIBRAS course was offered. The path taken can be summed up as follows: a) at first an enchantment with LIBRAS, with people who are familiar with the language, specially the deaf who signal, and with what I saw as a totally different world from the one I live in (an enchantment which is common when learning a foreign language); b) then the resulting demands of a compulsory familiarization with LIBRAS, which might have sped up the deconstruction of the idealized image of the deaf and that made me realize both my own ethnocentrism as well as my peers'; c) also the resulting demands of the necessary linguistic practice for the "survival" of the course at the moment I started to play the role of administrative link for the deaf teacher at the institution. This helped me overcome my inhibition in the use of LIBRAS. Such demands made me look at the teacher, at the course and at the hearers around me at the LIBRAS course, in another way; and; d) finally, my pre-professional relationship with other deaf people and also hearers at the training I did in the support centre, where I had the opportunity to keep in touch with deaf students and other deaf teachers besides the deaf teacher at the LIBRAS course I had attended. The path taken worked out as an introduction to the professional world and offered me an opportunity to build relations with deaf people and also with hearers who work in the area of schooling and deafness. The implications drawn from this experience are an attempt to point out the importance and need to invest in an education for teachers who besides being compromised with deaf people's quest are also sensitized to this group and to the development of a relevant schooling for them. This means a teacher education course which goes beyond the emphasis on LIBRAS learning towards demystification of the Other (seen as different) and, when relevant, prejudice breaking. It has to be emphasized, however, that as prejudice breaking cannot be taken as a decisive and lasting action, this issue is to be seen a matter for permanent reflection in the education of the hearing professional who works/will work with deaf people.
Subject: Língua brasileira de sinais - Ensino e aprendizagem - Ouvintes
Surdez
Língua brasileira de sinais
Etnocentrismo
Relações de poder
Language: Português
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2009
Appears in Collections:IEL - Dissertação e Tese

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