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Type: TESE DIGITAL
Title: "O surdo não ouve, mas tem olho vivo" : a leitura de imagens por alunos surdos em tempos de práticas multimodais
Title Alternative: The deaf may not hear, but they do have a keen eye : image reading by deaf students in times of multimodal practices
Author: Nogueira, Aryane Santos, 1986-
Advisor: Cavalcanti, Marilda do Couto, 1948-
Abstract: Resumo: Este estudo é uma discussão sobre o aspecto visual atuante no processo comunicativo e de letramento de surdos, especificamente no que se refere à leitura de imagens. Essa área ainda carece de mais trabalhos que focalizem essa questão, sobretudo pela situação escolar negligenciada dos surdos e pelas exigências mais atuais de entrada de práticas de letramento multimodais no contexto escolar (GEORGE, 2002; LEMKE, 2005; DALEY, 2010; SERAFINI, 2014) e de uma compreensão ampliada da comunicação e da produção de significados no mundo de hoje (BLOMMAERT, 2012, MAKONI e PENNYCOOK, 2012; MARTIN-JONES et al, 2012). Afiliando-se à Linguística Aplicada Indisciplinar (MOITA LOPES, 2006), o objetivo da pesquisa consistiu em, a partir de pistas já trazidas por pesquisadores da área da surdez (SKLIAR e QUADROS, 2000; REILY, 2003, GESUELI e MOURA, 2006; CAMPELLO, 2008; CAMBRA et al, 2010, entre outros): a) analisar a leitura de imagens em movimento ¿ uma sequência do filme The kid de Charlie Chaplin ¿ realizada por onze jovens surdos e quatro jovens ouvintes e b) tentar compreender as relações desses jovens surdos com as imagens e suas representações sobre a visualidade surda. Trata-se de um estudo de caráter qualitativo interpretativista (MOITA LOPES, 1994) com metodologia híbrida (MENEZES DE SOUZA, 2003). Para tanto, o procedimento adotado para a geração dos registros foi o de entrevistas em formato de grupo focal (MORGAN, 1998 e KRUEGER e CASEY, 2000). Na realização das sessões de grupo focal, esta pesquisadora manteve um olhar etnográfico (apoiado em observação continuada) (CAVALCANTI, 2006) para o que estava acontecendo durante o trabalho de campo, realizado entre os anos de 2013 e 2014, e também durante a análise dos registros gerados. O corpus para análise, que surge desse processo de observação participante, é formado por (i) gravações em vídeo de quatro encontros em formato de grupo focal, (ii) quinze quadrinhos e quinze textos escritos elaborados pelos jovens surdos e ouvintes participantes da pesquisa, (iii) diários de campo elaborados pela pesquisadora com base em anotações realizadas durante as sessões de grupo focal e outras atividades em grupo, (iv) prints de momentos da filmagem das atividades em grupo, (v) excertos de falas dos participantes surdos recortados da transcrição dos materiais em vídeo e (vi) excertos de falas de professores de surdos recortados de transcrições elaboradas por esta pesquisadora. A análise, orientada pelas discussões teóricas na Sociosemiótica Multimodal (KRESS e VAN LEEUWEN, 1996; BALDRY e THIBAULT, 2006; KRESS, 2010), sobre os conceitos de imagem e de leitura de imagens (SANTAELLA e NÖTH, 1998; SANTAELLA, 2012, entre outros) e na Sociolinguística da Complexidade (BLOMMAERT, 2010, 2012, MAKONI e PENNYCOOK, 2012; MARTIN-JONES et al, 2012) indicou que, embora haja aproximações no modo como jovens surdos e ouvintes leram o material fílmico, a maneira como os jovens surdos (re)apresentaram o trecho de filme em suas produções sugere que a língua de sinais tenha atuado como uma lente (KRESS, 2010) moldando a maneira como esse jovens constituíram suas leituras. Assim como a língua de sinais mostrou ter uma entrada na leitura de imagem, a análise dos registros em vídeo sugere que a imagem também tem espaço na língua de sinais. Além disso, ainda que esses jovens surdos estivessem o tempo todo se relacionando com o signo imagético, o valor indexical desse recurso semiótico mostrou-se variável. Assim, revelaram-se diferentes padrões de conduta semiótica e, a depender da posição e do valor atribuído ao signo imagético, as pessoas surdas foram localizadas em determinadas categorias indexicais, diretamente relacionadas às questões de identidade e, mais especificamente, à representação da visualidade surda

Abstract: This study discusses the visual aspect ¿ specifically in relation to the reading of images ¿ in deaf people¿s processes of communication and literacies. This area shows a need for studies on this issue as regarding the neglected school situation for the deaf and the present requirements for multimodal literacy practices in the school context (GEORGE, 2002; LEMKE, 2005; DALEY, 2010; SERAFINI, 2014) within an expanded understanding of communication and meaning-making in today's world (BLOMMAERT, 2012, MAKONI and PENNYCOOK, 2012; MARTIN-JONES et al, 2012). Affiliated to a vertent of AL named Indisciplinary Applied Linguistics (MOITA LOPES, 2006), the aim of this research was: a) to analyze the reading of moving images ¿ a sequence of the movie The Kid from Charlie Chaplin ¿ by eleven young deaf people and four young hearers and b) to try to understand the relationship of these young deaf people with the images and their representations about deaf visuality. In this interpretive qualitative study (MOITA LOPES, 1994) with hybrid methodology (MENEZES DE SOUZA, 2003), the generation of data was done on the basis of interviews in a focus group format (MORGAN, 1998 and KRUEGER and CASEY, 2000). In carrying out the focus group sessions, this researcher has kept an ethnographic eye (supported by continued observation) (CAVALCANTI, 2006) during the fieldwork, done between 2013 and 2014, and also during the analysis of the data. The corpus for analysis, built through a process of participant observation, consists of (i) video recordings of four meetings in focus group format, (ii) fifteen comic strips and fifteen written texts produced by the young deaf and by the hearing participants of the research, (iii) field diaries written by the researcher based on notes taken during the fieldwork, mainly during the focus group sessions and other group activities, (iv) prints of excerpts of the recordings of group activities, (v) speech excerpts of the deaf participants cut out of the transcription of video materials and (vi) speech excerpts of the deaf students¿ teachers cut out of transcripts produced by the researcher. The analysis, guided by theoretical discussions in Multimodal Social Semiotics (KRESS and VAN LEEUWEN, 1996; BALDRY and THIBAULT, 2006; KRESS, 2010) about the concepts of image and reading images (SANTAELLA and NÖTH, 1998; SANTAELLA, 2012, among others) and in the Sociolinguistics of Complexity (BLOMMAERT, 2010, 2012, MAKONI and PENNYCOOK, 2012; MARTIN-JONES et al, 2012) indicated that, although there are similarities in the way the young deaf and the hearers read the film material, the young deaf¿s presentation of the film suggests that sign language has acted as a lens (KRESS, 2010) shaping the way that they constructed their readings. In the same way the sign language seems to have left traces in their image reading. As to the analysis of the video recordings, it suggests that images also have space in the sign language. Moreover, even if these young deaf were very connected with the imagetic sign, the indexical value of this semiotic resource was not the same for all the deaf participants. Thus, different patterns of semiotic approaches were revealed and, depending on the position and on the value attributed to the visual sign, the deaf research participants could be placed in certain indexical categories directly related to identity issues and, more specifically, to the representation of deaf visuality
Subject: Surdez
Surdos - Meios de comunicação
Leitura
Interpretação de imagens
Comunicação visual
Língua de sinais
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2015
Appears in Collections:IEL - Dissertação e Tese

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