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Type: TESE
Degree Level: Doutorado
Title: O sagrado e o profano na cultura escolar : dimensões da modernidade brasileira
Author: Pratta, Marco Antonio
Advisor: Castanho, Sérgio Eduardo Montes, 1940-
Abstract: Resumo: Desde o início da Idade Moderna a instituição escolar passou a desempenhar uma função essencial na sociedade ocidental. Tal fato ocorreu em razão do acesso ao conhecimento ser compreendido como um instrumento de ascensão social, bem como pelo fato da escola ser utilizada como um canal de formação da identidade nacional. À medida que os Estados nacionais se consolidavam e se fortaleciam, a escola também se afirmava como o local privilegiado para a difusão da língua e da cultura nacionais, uniformizando regionalismos, padronizando hábitos e difundindo comportamentos sociais. Paralelamente, a Igreja Católica também enfrentava uma nova situação. O desenvolvimento protestante, inclusive com a sua predominância em muitas regiões européias, aumentou as tensões religiosas, ao mesmo tempo em que o crescente laicismo diminuiu o poder e a influência das instituições religiosas, obrigando a cúpula católica a um redimensionamento dos seus interesses e metas. As atividades educativas em colégios passaram a ser estimuladas e privilegiadas, cujos objetivos estavam voltados para a formação de novas elites afinadas com o pensamento eclesiástico, bem como a disseminação de novas práticas de devoção religiosas e novas manifestações coletivas de fé. O controle sobre as massas passou a ser uma preocupação constante, tanto dos Estados como das Igrejas. No Brasil, a formação do Estado nacional, a partir do início do século XIX, ocorreu através de uma fusão entre os preceitos do liberalismo europeu e o ideário de estratos dirigentes que dependiam fundamentalmente do latifúndio monocultor e do trabalho escravo. Com essa contradição básica, a sociedade brasileira foi se desenvolvendo ora assimilando, ora modificando ou adaptando as pressões externas com as suas especificidades econômicas e sociais. Esse projeto conservador de sociedade foi, gradativamente, acirrando a exclusão social da maioria, aniquilando, inviabilizando ou modificando substancialmente os movimentos populares por melhores condições de vida. Na lenta transição do trabalho escravo para o assalariado, da realidade agrária para a urbano-industrial, entre o final do século XIX e o XX, essas contradições foram intensificadas ao máximo: o Estado oligárquico da I República, o populismo nacionaldesenvolvimentista e o modelo de internacionalização econômica criaram uma nação cada vez mais desigual, injusta e autoritária, na qual os breves períodos de democratização conviveram e convivem com longos decênios de ditaduras oficiais e oficiosas, escancaradas e camufladas. A Igreja Católica, em muitos momentos, foi signatária desse estado de coisas. O seu projeto universal de construção de uma nova identidade em um mundo laicizado gerou, no Brasil, um conjunto de valores, normas, padrões e condutas que modelou e, de certa forma, ainda modela uma concepção profundamente fatalista do cotidiano, na qual o destino individual, a realização profissional e o acesso a uma melhor condição de vida dependem, exclusivamente, de um conjunto de forças sobrenaturais alheias à objetividade material da realidade cotidiana. Na atividade docente, em especial, a recente expansão e consolidação do projeto neoliberal de educação no país criou uma espécie de condição aparentemente imutável para o magistério: os profissionais da educação são todos missionários, semeadores no deserto, cidadãs e cidadãos abnegados que, independentemente das políticas públicas, da remuneração e das organizações de classe estão dispostos a ensinar, mesmo sabendo que a satisfação e o reconhecimento social por essa atividade são praticamente apenas objetos de recompensa moral. Gestores, gerentes, modelos de qualidade total, multiplicadores, facilitadores do conhecimento: novos termos requentados de um ideal profissional que, na realidade brasileira, começou a ser gerado na Contra-Reforma, talvez atingindo no neoliberalismo o seu grau máximo de sofisticação
Summary: Since the beginning of Modern Age the school institution passed to pawn na essential function in the occidental society. This Fact occurred because of the access to the knowledge to be understood as an instrument for social ascension, such by the fact of the schoolto be a channel of development. While the National States consolidated and became strong, the school also affirmed like a privileged place for the diffusion of the national language and culture, equalizing regionalisms, standardizing habits and diffusing social behavor. Parallely, the Catholic Church also faced a new situation. The protestant development, include with its predominance in many Europe regions, increased the religious tensions, at the same time in that crescent laicism decreased the power and the influence of the religious institutions, compeling the catholic dome to a different dimension of its interests and goals. The educative activities in schools passed to bestimulated and privilegeds, whose objectives were revolved to the formation of new in tune elites with the ecclesiastic thoughts, like the dissemination of new practicians of religious devotion and new faith collective manifestation. The control about the masses passed to be a constant worried, as from the states as from the churchs. In Brazil, the formation of the National State, since the beginning of 19th century, occurred beyond a fusion between the precept of Europe liberarism and the characteristics of directing stratum that depended fundamentally from the monofollower latifundium and from the slave work. With this basic contradiction, the brazilian society was development now assimilating, now modifying or adapting the external pressures with its economic and social specified. This conservative project of society was, gradually, increasing the social exclusion of the most, annihilating, unviabily or modifying substancially the popular movement by better conditions of life. In the slow transition of slave from the pay-roll work, from the agrarian reality to a urban-industry, between the end of 19th an 20th century, these contradictions were intensified to maxim: the oligarchical state from 1st Republic, the national development populism and the economic internationalization model created a nation each time more unequal, unjust and authoritarian, in what the brief periods of democratization, lived and live together with long decades of officials and unofficials, fling opened and camouflages dictatorship. VII The Catholic Church, in many moments, was signatory from this state of things. Its building universal project of a new identity in a layed world, caused, in Brazil, a value conjoint, norms, standards and conducts that modeled and still model a very deep deadly conception from quotidian, whose individual destiny, the professional realization and the acess to a better condition of life depend, exclusively, of a conjoint of sobrenatural powers out of the material objectivity from the quotidian reality. In teaching activity, in special, the expansion and consolidation recents, from the education newliberal project in the country, created a kind of immutable condition for professorship: the education professionals are all missionaries, sowers in desert, citizens unselfish that, independent from the public politicals, from the remuneration and the organizations of classes are disposed to teach, even so the satisfaction and social recognizing, by this activity, are just objectives of moral reward. Administrators, managers, models of total quality, propagaters, easy makers of knowledge: new heated terms of a professional ideal that, in Brazilian reality, started being created in the Contra-Reform, maybe reaching in newliberalism its maxim degree of sophistication
Subject: Estado
Igreja
Escolas
Identidade
Conduta
Language: Português
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2005
Appears in Collections:FE - Tese e Dissertação

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