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Type: TESE DIGITAL
Degree Level: Doutorado
Title: Cachoeira & a inversão do mundo
Title Alternative: Cachoeira & the inversion of the world
Author: Vale, Maíra Cavalcanti, 1987-
Advisor: Kofes, Suely, 1949-
Abstract: Resumo: Cachoeira é uma cidade do Recôncavo Baiano cheia de histórias. Durante o período colonial, chegou a ser o segundo principal porto do Brasil. É uma terra de movimento. Nela, escutamos a todo tempo que tudo tem um fundamento por trás. Esse fundamento não se explica, se sente: o candomblé e suas presenças informam o cotidiano das pessoas. Orixás, inquices, caboclos são presenças donas das pedras do rio. Das esquinas da cidade. Das praças, matas, encruzilhadas. Só não vê quem não quer. Tendo por base pesquisa de campo entre os anos de 2015 e 2017 na cidade de Cachoeira, busco aqui trabalhar com uma perspectiva atenta ao conhecimento diário, de modo que pequenas narrativas e histórias do comum ressoem e possam compor um estado de análise. Assim, evito nesta tese explicar o conhecimento do candomblé a partir de noções próprias da teoria antropológica. O que proponho é uma inversão do olhar etnográfico, em três movimentos. Primeiro, parto do discurso oficial da cidade presente nas sessões solenes e momentos cívicos, bem como na fala de algumas pessoas, para chegar à Recuada, o lugar da resistência de um conhecimento sobre a cidade que permeia o discurso oficial, e que envolve uma atenção aos perigos espirituais, às presenças e ao dono da terra. Num segundo movimento, em vez de partir da literatura antropológica e seus debates em torno do candomblé na Bahia para falar sobre Cachoeira, procuro fazer uma crítica inspirada por Cachoeira sobre tal literatura. Para tanto, mostro como a figura do caboclo, imprevisível e em constante movimento, aparece para bagunçar os esquemas e modelos antropológicos. Por fim, num terceiro movimento, deixo que o mundo vivido de Cachoeira contamine o texto. Um mundo que é vivido por meio de uma espiritualidade corpórea e de um ritmo de fala. Através das suas narrativas, a intenção, portanto, não é olhar a espiritualidade do ponto de vista racional-analítico, mas deixar que ela componha a própria narrativa da tese. É inverter, portanto, uma forma de pensar através de classificações e explicações para uma forma de viver um mundo feito por pessoas e outros povos, das ruas, das matas, das águas, dos caminhos, da terra. Um mundo que é plural como a entidade caboclo. Ao escutar, sentir e olhar para caboclos e entidades, outras possibilidades se abrem para compor narrativas etnográficas

Abstract: Cachoeira is a city in the Recôncavo Baiano, in the state of Bahia, that is full of stories. During the colonial period, it became the second main port of Brazil. It is a land of movement, in which we often hear that everything has a foundation behind. This foundation is never explained, but always felt: candomblé and its presences inform everyone¿s daily lives. Orixás, inquices, caboclos are presences that own the stones in the river, the corners of the city, town squares, woodlands, crossroads. Só não vê quem não quer, the only ones who cannot see are those who do not want to. Based on fieldwork in the city of Cachoeira between 2015 and 2017, I seek a perspective attentive to everyday knowledge, so that small narratives and common stories resound and work to compose a state of analysis. I thus avoid explaining the knowledge of candomblé from notions proper to anthropological theory. What I propose in this thesis is an inversion of the ethnographic gaze in three movements. First, I start from the official discourse of the city present in solemn sessions and civic moments, as well as in some people¿s narratives, only to arrive at Recuada, the place of resistance of a knowledge about the city that permeates the official discourse, and that involves an attention to the city¿s spiritual dangers, presences and dono da terra, the owner of the land. In a second movement, instead of starting from the anthropological literature and its debates around candomblé in Bahia in order to explain Cachoeira, I aim to provide a critique of such literature inspired by Cachoeira. I show how the figure of the caboclo, unpredictable and in constant movement, appears to muddle anthropological schemes and models. Finally, in a third movement, I let the lived world of Cachoeira contaminate the text. A world that is lived through a corporeal spirituality and a rhythm of speech. By making use of everyday narratives, the intention is not to look at spirituality from a rational point of view, but to let it compose the text itself. The aim is to transform an analytical way of thinking that relies on classifications and explanations into one that portrays a mode of living in a world made up of persons and other presences in streets, woodlands, waters, pathways. A world that is as plural as the caboclo. By listening, feeling and looking at caboclos and entities, new possibilities open up to compose ethnographic narratives
Subject: Espiritualidade
Escravidão
Etnografia
Escrita
Cachoeira (BA) - História
Language: Português
Editor: [s.n.]
Citation: VALE, Maíra Cavalcanti. Cachoeira & a inversão do mundo. 2018. 1 recurso online (269 p.). Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP.
Date Issue: 2018
Appears in Collections:IFCH - Tese e Dissertação

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