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Type: DISSERTAÇÃO DIGITAL
Degree Level: Mestrado
Title: Fundamentos da ordem mundial do pós-guerra fria
Title Alternative: Foundations of the post cold war world order
Author: Soldera, Ricardo Antonio, 1983-
Advisor: Mariutti, Eduardo Barros, 1974-
Abstract: Resumo: A ordem mundial do pós-Guerra Fria está baseada nos vínculos estabelecidos entre a alta finança estadunidense atuante a nível global, a burguesia estadunidense ligada à tecnologia de ponta do complexo industrial-militar e o governo dos Estados Unidos. Esses vínculos possibilitaram o reestabelecimento da hegemonia estadunidense, a superação dos revezes sofridos na década de 1970 e o combate ao aumento de poder da União Soviética. A alta finança, a burguesia ligada ao complexo militar-industrial e Washington são as frações da classe hegemônica estadunidense elevadas à condição de classe hegemônica mundial. Essa classe promove o aprofundamento da economia transnacional por meio da abertura comercial e financeira e combate ferozmente a classe trabalhadora desde a década de 1980. As burguesias transnacionais oriundas dos países centrais foram beneficiadas pela nova ordem nascente e aderiram prontamente à hegemonia estadunidense. Ao mesmo tempo, as burguesias transnacionais consolidaram uma economia mundial através das tecnologias da terceira revolução industrial. A empresa transnacional se tornou global e o seu comando central subordina diferentes cadeias produtivas pelo planeta. Neste sentido, as filiais das empresas transnacionais se desvincularam dos nexos locais com o objetivo de formar um sistema produtivo mundial integrado à matriz e cada vez mais independente das particularidades dos países hospedeiros. Além disso, as grandes empresas conseguiram se apropriar da vida humana e da natureza a nível molecular, levando a uma exacerbação da mercadorização da vida. A consolidação da economia transnacional também consolidou uma estrutura de classes global. Neste sentido, a classe administrativa global foi particularmente beneficiada e também se vinculou prontamente à classe hegemônica mundial, trabalhando de forma a submeter as demandas internas dos países às pressões da economia transnacional e da abertura comercial e financeira. As classes dominantes dos demais países tiveram de se submeter à nova ordem estabelecida. Apesar da resistência inicial, as classes dominantes de grande parte dos países foram aliciadas por meio de pressões econômicas, chantagens militares e pelas novas fontes de riqueza e consumo conspícuo e participam ativamente da abertura comercial e desregulamentação financeira. Apenas uma ínfima fração da classe trabalhadora conseguiu aderir à nova ordem mundial. Trata-se dos mais graduados gestores do capital e membros da classe administrativa global atuantes por meio das instituições internacionais. Uma verdadeira vingança do capital contra o trabalho teve início também na década de 1980. Os trabalhadores sofreram reduções salariais, perda de empregos e direitos sociais em todos os países. Os movimentos trabalhistas foram colocados na defensiva pelos poderes das novas legislações e pelo desemprego produzido pelos ajustes fiscais. Com a desintegração da União Soviética, o espectro do comunismo afastou-se definitivamente da Europa, desfazendo os últimos medos das classes dominantes. Além disso, as fissuras entre os diferentes setores da classe trabalhadora se alargaram. A pressão para retirada das políticas de proteção social penalizou os setores mais fracos da classe trabalhadora, enquanto os trabalhadores mais qualificados conseguiram se adaptar minimamente às novas tecnologias. As transformações nos processos de produção e a fronteira cada vez maior entre trabalho braçal e não braçal quebraram a unidade dos trabalhadores

Abstract: The post-Cold War world order is based on established links between US high finance acting in a global level, the US bourgeoisie linked to advanced technology of the military-industrial complex and the US government. These links have enabled the restoration of US hegemony, to overcome the setbacks in the 1970s and the fight against rising power of the Soviet Union. The high finance, the bourgeoisie linked to the military-industrial complex and Washington are the fractions of the US hegemonic class elevated to global hegemonic class condition. This class promotes the deepening of transnational economy through trade and financial openness and fiercely fights the working class since the 1980s. Transnational bourgeoisies coming from the central countries have benefited from the new emerging order and joined readily to US hegemony. At the same time, transnational bourgeoisies consolidated a global economy through technologies of the third industrial revolution. Transnational company has become global and its central command subordinates different supply chains across the globe. In this sense, the subsidiaries of transnational companies untied local connections in order to form an integrated global production system to the matrix and more independent of the peculiarities of the host countries. Furthermore, big companies managed to take possession of human life and nature at the molecular level, leading to an exacerbation of the commodification of life. The consolidation of the transnational economy also consolidated a global classes structure. In this sense, the global managerial class was particularly favored and readily linked to global hegemonic class, working in order to submit the internal demands of the countries to the pressures of transnational economy and trade and financial openness. Despite initial resistance, the ruling classes of most countries were lured by economic pressures, military blackmail and new sources of wealth and conspicuous consumption and participate actively in trade liberalization and financial deregulation. Only a tiny fraction of the working class could join the new world order. These are the senior managers of capital and members of the global managerial class acting through international institutions. A true revenge of capital against work also began in the 1980s. The workers suffered wage cuts, jobs and social rights losses in all countries. The labor movements were put on the defensive position by the powers of the new legislation and unemployment produced by tax adjustments. With the disintegration of the Soviet Union, the specter of communism definitely moved away from Europe, undoing the fears of the ruling classes. Moreover, the cracks between the different sectors of the working class widened. The pressure for withdrawal of social protection policies penalized the weakest sections of the working class, while the more skilled workers managed to minimally adapt to new technologies. The changes in production processes and increasing limits between manual and non- manual work broke the unity of the workers
Subject: Hegemonia
Relações internacionais
Historia contemporanea - Séc. XX
História econômica
Política internacional
Editor: [s.n.]
Citation: SOLDERA, Ricardo Antonio. Fundamentos da ordem mundial do pós-guerra fria. 2016. 1 recurso online (140 p.). Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Economia, Campinas, SP. Disponível em: <http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/321675>. Acesso em: 31 ago. 2018.
Date Issue: 2016
Appears in Collections:IE - Tese e Dissertação

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